À QUERIDA MESTRA: EU SÓ QUERIA ENTENDER

Da fala PUBLICADA e da sua ressonante dinâmica paradoxal ao meio:

"Alguém FILOSOFICAMENTE comemoraria a ascensão social à abominação ética , política e cognitiva da ignorância, traduzida como classe média?"

Ao mesmo tempo que se comemora politicamente a ascensão da classe média, ato contínuo, os protagonistas do milagre social pregam o ódio por ela.

Dá para entender? Como odiar o PRÓPRIO objetivo político mirado, conquistado e festejado?

Não é contraditório?

E para que odiar socialmente? Chegaremos aonde? Alguém aí, super cognitvo e não ignorante no assunto, como eu o ignoro, saberia me explicar?

Eu como ainda sou classe média MILITANTE DO TRABALHO (a que dá em conjunto com o todo o passinho pra trás), e claro, não tenho nem a cognição, nem o salário dos professores cognitivamente tão graduados, aquele salariozinho básico anunciado pela mídia e que derivam principalmente dos impostos pagos pela classe média abominável, e nem tampouco tenho a compreensão do tal fato porque sou ignorante, gostaria só de fazer uma correção semântica nessa frase de cunho sociológico equivocado publicada na imprensa:

" A classe média é uma abominação cognitiva porque é ignorante."

Então vamos lá:

Primeiramente a asserção, ainda que fosse verdadeira, ela não é nada científica, nem semanticamente e nem elegantemente fundamentada pela explicação do "porque".

A frase está solta...numa filosofia sem nexo.

Se fosse tema de redação do ENEM...

Porque se a frase tivesse sido dita assim:" a classe média é uma aberração da ignorância porque tem déficit cognitivo ,aí sim, semantica e cientificamente, poderia haver um pontual nexo causal, embora não necessariamente de mensagem verídica.

É que o adjetivo "ignorante", linguisitcamente, não tem absolutamente nada a ver com capacidade cognitiva (funções intactas e habilmente interligadas da inteligência), ou seja, ele não traduz semanticamente um déficit cognitivo.

Ignorância é mais de âmbito denotativo das possibilidades culturais ou impossibilidades do meio social ao acesso às informações.

Outrossim, neurologicamente uma pessoa ignorante pode ter sua função cognitiva absolutamente avantajada e preservada;e uma função cognitiva deficitária pode estar presente em quem não é ignorante para determinado tema, já que absolutamente ninguém nesse mundo, mesmo os graduados e super cognitvos professores universitários, deixa de ignorar algo, ainda que seja apenas sobre políticos, sua ética e o seu respeito com todas as classes, o que é a base da paz e da justiça sociais, e é o que deve ser buscado e ensinado pelos professores aos seua alunos em formação da futura sociedade.

Ou pelo menos era...antigamente.

Destarte, também se pode ser ignorante para o todo e deficitário cognitivo simultaneamente. Existem várias combinações neurológicas possíveis, portanto.

Como classe média, sempre peço desculpas por ser dessa classe tão odiada,eu preferiria ser ignorante o suficiente para não perceber o tal lapso desencontrado das multiciências: FILOSÓFICO, SOCIOLÓGICO NEUROLÓGICO E LINGUÍSTICO, ou , melhor ainda , eu optaria por não ter a cognição suficiente para entender que tudo isso é apenas lamentável!

Aos professores de salário mínimo ao médio, que lutam para reverter o social SURREAL pela EDUCAÇÃO, todo o meu respeito.