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OS DÉSPOTAS ENFURECIDOS

Nos estudos sobre Filosofia Clássica recordo-me da obra de Platão intitulada “A República” em que os reis - filósofos eram o que trariam justiça social para a sociedade. A utopia da filosofia clássica torna-se a cada dia um ponto inatingível na imensidão do horizonte. A conjuntura política está à mercê dos Déspotas Enfurecidos que governam por um Estado Mínimo baseado nas mais cruéis injustiças onde os interesses individuais sobressaem as demandas da coletividade. No Renascimento Cultural dos séculos XVII e XVIII era comum o surgimento dos Déspotas Esclarecidos em meio ao absolutismo, monarcas adeptos as ideias iluministas que implementavam reformas políticas na Europa Feudal. Na atualidade os governos estão comprometendo as esperanças da classe trabalhadora com o discurso da recessão econômica e a criminalização dos movimentos sociais. Os ataques e ofensivas aos direitos democráticos historicamente conquistados estão por toda a parte disfarçado de “Reformas”: reforma trabalhista e da previdência, reforma da educação, reforma política... Assim como os “cortes” de recursos fundamentais nas áreas da saúde, segurança pública, cultura e esportes. As prioridades às avessas, alguns setores da economia parecem não sofrer a avalanche da “tal” crise política e o jargão positivista de “ordem e progresso” volta a reinar em terras tupiniquins. O abismo das desigualdades sociais continua a se acirrar e os “Estados Paralelos” que fomentam a silenciosa guerra civil urbana se alastra no bojo da lucrativa criminalidade. O Brasil balançou suas estruturas nos atos públicos de 2013 e a luta está cada vez mais árdua com amplo poder de indignação de diversos setores da sociedade que reivindicam a Queda da Bastilha e dos inimigos do povo que estão agarrados ao poder. Enquanto os privilegiados estão entorpecidos em um lamaçal de corrupção milhares morrem na fila do hospital e outros milhares estão com serviços públicos essenciais sucateados. A população brasileira está se sentindo marginalizada pelo seu próprio governo, violentada pelos princípios patrióticos que abalam a moral das pessoas que sentem-se prejudicadas ao terem que pagar uma conta que não lhes pertence. Uma nação de injustiças que revela suas heranças coloniais de tortura e cerceamento das liberdades de expressão. Um momento histórico que será contemplado em estudos ou aparecerá em algum livro. Tempos difíceis que exige reflexão crítica, articulação e atitude drástica, radical. As revoluções são as parteiras da História, uma afirmativa incisiva dos círculos marxistas emite uma categórica visão dos processos históricos, assim como Marshall Berman assinalava que “tudo que é sólido desmancha no ar”. Transformações radicais fazem parte do devir histórico e as velhas e arcaicas estruturas políticas tendem a ser renovadas, por meio do diálogo ou por meio da violência. As revoltas populares do Brasil Império na fase do período regencial demonstram que a fragilidade aparente embebida numa permanente passividade dos brasileiros é volátil e instável. O povo brasileiro é um povo de luta que busca sua motivação no combate a toda e qualquer forma de opressão e discriminação, assim como nos ensinam os povos indígenas que apesar de mais de cinco séculos de genocídio ainda lutam contra o avassalador capital estrangeiro e o agronegócio brutal com a permissividade e anuência dos governos. Ideias revolucionárias pairam no ar, Bakunin, Lenin, Sepé Tiaraju, Zapata, Malcom-X ou Antônio Conselheiro, estão surgindo para questionar os pilares do neoliberalismo em busca de um novo modelo social que assegure o direito à vida e garanta princípios éticos e justiça ao planeta Terra. Aguante, que uma luz brilha no final do túnel e os punhos cerrados semearão as flores de um futuro promissor para o Brasil e a América Latina!

Leonardo Gedeon
Enviado por Leonardo Gedeon em 08/06/2017
Código do texto: T6022113
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Leonardo Gedeon
Torres - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
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Leonardo Gedeon