Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Agora eu sou AECA



Daqui há um tempo eu vou poder contar o tempo em que buscava um grupo sólido de teatro para me confortar ( como se pudéssemos descansar em grupos de teatro), não sei também se devo dizer isso com tanta certeza e confiança, pois de uma hora para outra posso estar literalmente de novo sem eira nem beira, mas é só não cometer besteiras que tudo dá certo, que as décadas me acompanharão com gosto dentro do grupo. Mas como dizia foi-se o tempo em que procurava algo fixo, criar raiz, agora tenho a oportunidade. Desde os treze anos que me despertei pelo teatro, então fiz curso ali, curso aqui, oficinas, participação em peças na região, este tipo de coisa, sempre envolvido com esta arte, mas nunca tive segurança, porque assim que entrava em algum trabalho já tinha a certeza que faria vários amigos, no entanto, teria que deixá-los em poucos meses, quando não semanas ou dias. Daí começava o processo de correspondência, de despedida, sempre pedia para que no próximo trabalho me convidassem , mas se muitos daqueles fizeram algum outro trabalho eu nem fiquei sabendo... “Poxa, será que eu sou tão ruim assim?” Era isso que pensava as vezes, e durante estes cinco anos vaguei pelos propósitos das artes cênicas em nosso estado, fazendo até tentativa de publicidade, pensando em entrar em grandes escolas que cobram uma fortuna o preço de uma mensalidade de faculdade, e depois que dão o diploma não te dão mais bola, só fica o certificado e o currículo. Valia a pena? Valia a pena e o preço, mas não tinha condições de me fixar com este preço, eles vendiam talento, e isso é uma coisa que não suporto, porque vai contra meus conceitos primórdios do que é arte, mesmo assim, não podendo e vendo outros crescerem, brigando com muitos, criando inimizades e até mesmo inveja e discórdia, estava apegado ao teatro, fazendo papéis e papeizinhos, sempre estudando, pegando as coisas e aperfeiçoando-as, até oficina e aula eu já dei, cuidei de grupo. Aprendo sobre os grandes grupos de SC, soube quem era, e sempre via as peças de quem podia lógico. Ia para as cidades vizinhas (porque a minha não tem nada, ô pobreza!) assistir os espetáculos, e se me cabia, ou se lhes cabia, depois de terminar fazia questão de elogiar os atores e conversar um pouquinho com o diretor após a apresentação, me dava vontade de estar ali na verdade, de ser igual, com algo sólido e pensativo no futuro.
   Então foi que na faculdade, passeando com minha amiga Sâmara vi a propaganda de um curso, em Itajaí, na casa da cultura, promovido por uma pessoa que conhecia muito de nome: Valentim e seu Anchieta. Já havia assistido várias coisas deles, eram muito bons, foi que roubei o cartaz da parede da UNIVALI e decidi fazer o curso, eram 100 reais, com dor paguei porque estava pensando no futuro, sabia que tinha um esquema de que alguns eram selecionados para depois ficar no grupo, que se chamava AECA ( Alunos do Exercício Cênico Anchieta). Entraram muitas pessoas, só me deu raiva porque não pude ir no primeiro dia, tinha um trabalho a apresentar, perdi e fui no segundo. Era bem como eu penava, conheci Valentim pessoalmente, já havia falado por telefone com ele, mas estava conhecendo pessoalmente, deduzi quem era pelo comportamento e postura. Como de praxe eu tinha um pouco mais de experiência que os outros, e depois disso descoberto eles me vinham pedir dicas e ajudas... Ajudava, dava dicas, e até o Valén ( Valentim sentiu isso) Quase fui Deus no espetáculo que montamos, iria substituir o Valentim... Meu Deus de tanta gente que tinha já do AECA, ele sugeriu que eu fizesse, que orgulho!
E depois, no sábado, na penúltima apresentação da peça ele chegou no meu ouvido e disse
 que eu estava convidado pra entrar no AECA, foi o gozo, momento de maior regozijo, de euforia interna, já que nada podia contar aos outros, nada! Tudo era segredo até domingo a noite. Entrou eu e mais algumas pessoas,  então meu sonho estava realizado, estava sólido, agora é preservar, aprender e lutar. Só tenho a agradecer, e que não dure para sempre (que eu cresça mais) mas que seja encantador e eterno enquanto dure! Eu estou aqui, o mais distante deles, de tijucas esse doido, mas vale a pena, é o que eu quero, mesmo gastando uma barbada todo mês com despesas para ir para lá, mas tenho ajudas e reconhecimento. Muito obrigada Valén, muito obrigado Anchieta, não se arrependerão, eu também não, merda pra vocês, até!





Douglas Tedesco
Enviado por Douglas Tedesco em 03/10/2007
Código do texto: T678441
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Douglas Tedesco
Tijucas - Santa Catarina - Brasil
322 textos (57512 leituras)
35 áudios (2921 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/12/17 00:07)
Douglas Tedesco