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Curso de Filosofia da Vida Prática - parte III

A possibilidade da extinção do mal

Não existe ser humano, a não ser um louco, que não deseje a felicidade, mas achar que felicidade se encontra em outra vida, que esta só é feita de sofrimentos e desgraças já é um passo certo à ruína da existência. À medida que o mundo progride, a humanidade aprende com suas próprias experiências. A guerra é a maior de todas as mazelas. O pensamento otimista visualiza um mundo onde viver em paz e feliz será regra básica. Os esforços da ciência em melhorar o planeta são recebidos sempre com grande alegria porque diminuem o sofrimento.

Não é difícil imaginar um mundo onde ciência e religião possam trabalhar em conjunto para o bem geral. O que causa o retardamento dessa boa nova é a mente do homem moderno que ainda não se encontrou com sua verdadeira essência. Há os que acreditam em Deus e os que não acreditam. Essa questão tende a se tornar insignificante no futuro. Baseio essa afirmação na certeza de desenvolvimento do homem como espécie superior. Tudo evolui; num passado remoto havia o homem selvagem que sequer exprimia palavras inteligentes, mas urros de animal. Baseada nisso, a ciência antropológica criou o conceito do homem macaco; começou daí o confronto entre ciência e religião.

Situando agora, como um ser especial, o homem religioso que acredita num criador invisível tem-se a base para as discordâncias. Lutas religiosas, rivalidades de toda espécie marcaram a história do homem sobre a Terra. Pode-se chegar à conclusão de que as religiões sejam a causa primordial do sofrimento humano, mas não é isso. Há um caráter selvagem que permeia o interior do homem e a religião é a forma mais eficiente de controlar esta tendência. O que precisa ser esclarecido é que, por trás dessa necessidade de controle existe a preexistência de um caráter; saber o que fez esse caráter, o que moldou a diferenciação entre um ser humano e outro é que constitui o x da questão. As ciências da mente procuram até hoje resolver a miríade de tendências da mente humana. Penso que se essas ciências colocassem a questão religiosa no centro dos seus estudos elas teriam mais sucesso com as pesquisas.

O homem é, por natureza, um ser debatedor, gosta de criar oposições, e para fugir a essas oposições ele se reprime; aí se encontra o atraso na evolução. Somos, por natureza, propensos a fazer críticas, mas dificilmente queremos aceitar as críticas quando elas se voltam em nossa direção, mesmo que sejam para o nosso próprio crescimento. Assim como é no individual também ocorre no universo. A Terra já se encontra em tempo de abrigar seres altamente evoluídos. Os grandes homens trazem sabedoria suficiente para fazer desse mundo um centro de aprendizado para outros de menor evolução. O que acontece é a interferência de ações discordantes com as grandes metas.

A crucificação de Cristo, as grandes rivalidades religiosas que resultaram em massacres, a inclinação para a guerra, tudo tem raiz na fraqueza mental. Materialismo e espiritualidade são termos relativos porque dependem da forma como são conduzidos. A mente humana pode alcançar estágios de superioridade que transcendem toda forma de compreensão. O hábito de rotular os comportamentos precisa dar lugar à aceitação passiva e à disposição para a investigação. Estando dentro da normalidade, do que é saudável e aceitável pela sociedade em geral, precisa ganhar chance de se deixar mostrar e acompanhar os verdadeiros benefícios que trazem para a evolução do homem. Filosofia é o conjunto de ideias de homens considerados sábios e que deixaram sua marca no mundo. Logo, deve haver algo de positivo no que escreveram. Volto à verdadeira essência do ser humano.

Há uma origem para todas as coisas; o universo não foi criado por uma acaso e nem existe por existir. Está em constante evolução; tudo que nele existe está sob sua influência e nós somos parte do universo. A individualidade é uma maneira de o criador distribuir sua criatividade a todos os homens. Tudo passa a ser muito simples quando analisamos com naturalidade. A finalidade do homem é alcançar a felicidade e ele só conseguirá cumprir o seu propósito se andar em conformidade com as leis do universo. Parece muito claro e óbvio e realmente é. E aí vem a pergunta: e a força do mal, de onde vem?

Tudo que diverge da senda evolutiva e que cria entraves para a evolução do planeta pode ser considerado um mal. Como o homem é criativo ele consegue conviver com o mal. Estaremos posicionados entre os mundos superiores, fazendo parte deles e usufruindo toda felicidade inerente a esses mundos quando conseguirmos, não simplesmente evitar ou conviver com o mal, mas exterminá-lo completamente. É minha convicção que existem mundos assim; e não são poucos, o universo está repleto deles. Diria que os realmente crentes já podem adentrar nesse mundo e desfrutar de tudo de bom que ele pode proporcionar.

Isto pode causar a impressão de uma verdadeira Utopia, um sonho impossível de ser realizado, algo fora do comum. Quando se fala em criatividade tem-se a impressão de uma mágica que vai transformar em realidade o que todos julgavam impossível. Mas trata-se de um processo normal de aplicação correta das leis universais. Viver é confrontar-se com opções de praticar o bem ou o mal. Se escolhermos este último teremos uma vida infeliz, mas se optarmos pelo bem seremos felizes. Às vezes somos vítimas de pessoas más, mas isso não quer dizer que a maldade exista de fato. Um mundo realmente evoluído significa um mundo isento de toda forma de mal.

Ao compreendermos que o ser criador do ser humano deu a ele uma mente dotada de inteligência, passamos também a ser responsáveis por utilizar essa mente de forma a fazer brotar nela a inteligência superior. Esse tipo de inteligência admite um ser perfeito coordenando um mundo cuja premissa é o bem sob todos os aspectos. Sendo assim tudo o que for feito e pensado deve resultar em bem exclusivamente. E o ser evoluído é responsável por toda e qualquer onda de pensamento e, em consequência disso, por todo e qualquer fato que lhe acontece, de bem ou de mal.

Não é difícil imaginar, no futuro, um mundo completamente isento do mal. A conduta do ser humano está diretamente ligada a sua natureza interior. Aperfeiçoando esta natureza o homem não mais terá do que se envergonhar. Esse raciocínio não deixa de ser lógico; é apenas resultado do reconhecimento do homem como o mais evoluído de todas as espécies. Isto não é por acaso. Falar em Deus é o mesmo que referir-se a uma inteligência superior que ordenou o universo e atribuiu ao homem o topo da escala. O homem consegue pensar, consegue intuir um criador. O crescimento é condição inerente à vida. Chega a ser óbvio o fato de o homem estar caminhando em busca da sua própria perfeição. Isto é tácito e evidente em todos os processos que a esfera terrestre sofreu até os dias de hoje. O que faz o homem ainda cometer atos abaixo da sua condição de criatura superior é a crença errada.

O planeta abriga uma soma incontável de elementos ignorantes que não participam do desenvolvimento; tudo o que querem é viver à sombra dos esforçados. Este é um dos maiores fatores do atraso. Se houvesse uma maior contribuição no sentido de apoiar as iniciativas dos grandes homens o mundo avançaria com maior rapidez. Todos têm como missão contribuir com o que é elevado e digno de ser copiado.
Professor Edgard Santos
Enviado por Professor Edgard Santos em 05/11/2019
Código do texto: T6788086
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Sobre o autor
Professor Edgard Santos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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