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Jardim

No meu jardim as flores demoram para desabrochar, mal reconheço seu perfume pois a vida toda só conheci as flores de plástico.
Fingia que seu cheiro era doce afinal elas eram lindas e apesar de pegar pó - algumas vezes - nunca mudavam, claro, não estavam vivas.
Nesse jardim não existe flores de plástico, mal existem flores reais, quem as colocaria aqui?
Além da demora mal sei lidar com as flores, não são visitantes frequentes, mas penso que como a maioria das visitas você deve as tratar bem. Como se trata bem algo que não se conhece?
“Eu deveria lhe dar água?” Penso, mas qual a quantidade de água? E quantas vezes? “Deveria deixar elas expostas ao sol?” Mas o sol da manhã ou o do meio-dia? Afinal as flores não são todas iguais, algumas podem se ofender com mínimas coisas e outras podem nem se importa.
Quero tratá-las bem, mas não as recebo frequentemente e isso me deixa desnorteada. Não sei como agir.
Ás vezes penso, tudo bem que não venham, a vida toda só recebi
três flores não tenho do que me gabar.
Lembro que na primeira vez eu era tão nova, boba e inocente que mal lembro do seu perfume, bem, nós nos perdemos tão rápido quanto nos encontramos. Na segunda vez, lembro-me de me sentir sufocada  pelo perfume forte, mas a princípio eu não me incomodei “Pelo menos posso sentir algo” era o que eu pensava. Não sei se a última flor foi um devaneio, seu perfume era uma charada de sensações, mas ela nunca quis minha companhia. Só fui importante para o seu próprio ego.
Afirmei, não quero visitas, evitei que as flores desabrochem no meu jardim por conta das minhas antigas visitantes. Deixei que ervas daninhas tomassem conta, fiz com que a terra ficasse infértil, apliquei inseticidas que machucavam não só as visitantes como a mim também.
“NÃO SE APROXIME!” gritava meu jardim e eu estava bem com isso. Bem, eu achei que estava.
A falta de cuidado pode ser extremamente perigosa e assim  meu jardim adoeceu.
Doente, frágil e praticamente abandonado meu coração se esfriou, já tinha praticamente o perdido então por quê? Por que eu deveria me importar?
Porém em uma manhã quentinha de feriado, onde só se acorda por estar quente demais, ao atravessar a porta um Lírio, esbelto e inigualável, me esperava na frente de casa.
Eu voltei a me importar mesmo que minimamente, confesso, ainda não sei como cuidar de flores e muito menos como restaurar esse jardim abandonado, ás vezes gostaria de abandonar esse Lírio que se perdeu perto do meu jardim, ao mesmo tempo que gostaria que ele ficasse, mas as flores são tão imprevisíveis e eu tenho medo do seus perfumes.
Flores de plásticos são mais fáceis de lidar, no entanto, não trazem nenhuma borboleta.
Malu Vërde
Enviado por Malu Vërde em 03/12/2019
Código do texto: T6810054
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Malu Vërde
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 21 anos
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