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Frentes frias.


Jornais publicam e banalizam desgraças,
A economia exibe seus gráficos inócuos,
Vazios, como o estômago de quem os vê e ronca.
O horário é nobre e, por isso mesmo, é violentamente assaltado
Pelas notícias pobres e famintas de solução.

Homens crescem em berços embalados pela desesperança,
Amamentados pelo seio amargo da contenda,
Da disputa pela sobrevivência.
O câncer esparge-se e leva-nos a indagar:
Com qual deles definharemos?

Mãe, as estações misturam-se
E os matutas, com suas sabedorias natas, erram,
Porém, são ainda melhores que a meteorologia:
“- São frias as frentes além das frentes frias...”
Nações se digladiam e denominam “Santas” as suas guerras
E espera-se a todo momento um ferimento de tiro vindo da TV...

Mãe, não há mais como ser “dotô”,
O desemprego valoriza as mais humildes profissões
E, não raramente, a mais antiga delas...

A juventude, inconscientemente, aética, busca espaços,
Escassos, impróprios à bela fase da vida
E jovens drogam-se perante a cobrança de uma sociedade mesquinha,
Senhora de conceitos asfixiantes
E escrava de suas inconseqüências.

O futuro, definitivamente, não é mais o conhecimento
E sim a aventura, o jogo,
Uma aposta, onde passa-se a vida perdendo
E, quando se ganha, a vida já passou.

Gaiatos revezam-se no governo com suas siglas:
Meros jogos de “letrinhas”...
Resta-me a “mea culpa” por protagonizar tão absurdos cenários!

Mãe, é como se fosse aquele trem fantasma,
Onde quando criança chorava-se, ria-se atônito e impotente diante dos monstros
E quando se chegava ao fim fingia-se domínio,
Ocultando-se o medo, o desespero, a ansiedade ante os amiguinhos “durões”.
Mas, em que pese as frias frentes e as frentes frias,
O sol, como pus de um corte de faca enferrujada e cega,
Expor-se-á anunciando a cicatrização
E quando ele se pôr, as cicatrizes amenizarão a dor de nossas consciências...
E os travesseiros amanhecerão em seus lugares...
E as fronhas não tão amassadas...

Ronaldo Aparecido Silva
Enviado por Ronaldo Aparecido Silva em 07/10/2007
Reeditado em 16/07/2012
Código do texto: T683862
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ronaldo Aparecido Silva
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 59 anos
429 textos (11897 leituras)
13 áudios (512 audições)
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Ronaldo Aparecido Silva

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