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O FASCISMO HISTÓRICO

Em junho de 1995, o escritor e filósofo Umberto Eco publicou  no “New York Review of Books” um ensaio enumerando 14 características comuns do fascismo. baseado nesse texto, elenco e descrevo:

1 — O culto à tradição:
O fascismo considera a forma de vida das sociedades antigas como ideal, para eles a sociedade moderna se degenerou e é preciso que ela retorne as práticas da Idade Média. isto faz o fascista se considerar "puro" em comparação ao homem moderno. Seus líderes costumam assumir o papel de heróis da pureza e da honestidade que guiarão o povo às suas tradições.

2 — A rejeição ao modernismo.
O homem moderno prioriza o raciocínio para construção das relações sociais, logo o fascista se opõe a razão, ao pensamento lógico, o que o torna inimigo de qualquer profissional que tenha o intelecto como ferramenta de trabalho (professores, cientistas, pesquisadores, filósofos, artistas etc.)

3 — O culto à ação pela ação.
O fascista deve ser alguém de ação energética que age com vigor sobre o mundo e as pessoas para transformá-los naquilo que ele crê. Não deve refletir para buscar a razão de suas ações, pois tudo que faz se justifica pela nobreza de seus objetivos, mesmo que esta ação seja vil.

4 — Discordância é traição.
O espírito crítico é uma forma do pensamento moderno, portanto discordar é ser inteligente, mas o fascista considera o crítico como rebelde, como alguém que deva ser submetido ou eliminado.

5 — Medo das diferenças.
Tudo que não for padrão (cor, orientação sexual, religião, etc.) deve ser remodelado. O fascista não se considera racista, xenofóbico ou homofóbico, considera que seu objetivo é fazer as pessoas serem do jeito "certo".

6 — Apelo à frustração social.
Medo e frustração são características comuns da classe média, uma crise econômica costuma potencializar este sentimento e torna o o cidadão muito manipulável. Existe o medo de que a classe inferior se revolte e tome seus bens em prol da igualdade e a inveja por não ter ascendido ao status da elite que tem controle político, portanto na crise a classe média ataca a ambos.

7 — A obsessão por um enredo.
No estado psicológico tenso, o fascista costuma acreditar em conspirações, por mais absurdas que elas pareçam, pois isto justifica qualquer ação "politicamente incorreta" que faça para "salvar o mundo" de um mal maior.

8 — O inimigo é ao mesmo tempo forte e fraco.
É preciso ter um inimigo forte o suficiente para justificar a violência do fascista, mas fraco também para que sinta segurança na vitória.

9 — Pacifismo é se confraternizar com o inimigo. A vida não é um valor absoluto para o fascista, ele prefere morrer (e matar principalmente) ao invés de viver de forma "errada". O fascista não tem motivos para dialogar ou buscar harmonia com os discordantes, melhor é eliminá-los ou difamá-los.

10 — Desprezo pelos fracos.
Elitismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacionária. A raça mais forte deve prevalecer sobre as outras raças fracas, brancos sobre negros, latinos, asiáticos e indígenas, por exemplo.

11 — Todos são educados para se transformarem em heróis.
O fascista precisa ser um herói entre os seus e para isso precisa ofender, agredir, denegrir a imagem  do inimigo (ou até matá-lo), só assim será idolatrado.

12 — Machismo e armas.
O fascismo tenta fazer a mulher retroagir a sua condição de submissão em que esteve no passado e o homem a sua liderança violenta da família. O uso de armas é um dos mecanismos para impor-se sobre seus subordinados.

13 — Populismo seletivo.
Os ideais de uma pequena caterva devem ser radicalizados e através da mídia impostos como se fosse a vontade de todos. No geral, os fascistas fazem eventos barulhentos e espalhafatosos para fazer crer que são a maioria.

14 — Linguagem reduzida, simples, repetitiva e com efeito.
As obras nazifascistas usavam vocabulário pobre e de sintaxe primitiva, a fim de alienar o raciocínio de seus asseclas de pensamento limitado.

Esta é a engrenagem fascista que leva o homem à barbárie, a cultura da paz e a educação do homem gentil são as formas mais eficazes de conter o radicalismo fascista.
Saulo Palemor
Enviado por Saulo Palemor em 29/06/2020
Reeditado em 29/06/2020
Código do texto: T6991135
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Saulo Palemor
Dom Eliseu - Pará - Brasil, 44 anos
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Saulo Palemor