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NOSTALGIA 2

Hoje estava me lembrando do tempo que brincava de amarelinha na calçada lá de casa e de quando brincava de esconde-esconde,queimada e cantigas de roda.De vez em quando me dá uma saudade daqueles tempos idos...Eu levava uma vida sem preocupações a não ser tirar notas boas na escola,o que graças a Deus nunca tive dificuldade de conseguir.Quando fazia o segundo ano científico e já me preparava para o vestibular,uma coordenadora da escola me ouviu reclamando no muito que eu tinha que estudar,que os professores eram muito exigentes,etc. Aí ela me disse uma coisa que eu nunca esqueci:"A gente nunca está satisfeito com nossa vida presente,parece que o melhor ainda está por vir,mas quando você chegar lá na frente vai perceber que bom mesmo era esse tempo aqui na escola,pois na universidade vai ter que estudar muito mais,os professores serão ainda mais exigentes e terá que se virar pra dar conta do recado.Quando vc sair da faculdade pra trabalhar,aí será ainda pior,pois no mundo do trabalho é cada um por sí e vencerá sempre o melhor". Hoje percebo isso e vejo que ela tinha toda razão.

Mas voltando aos meus tempos de amarelinha na calçada,eu me peguei pensando neste cantiga:

"Atirei o pau no gato,to,to,mas o gato,to,to,

não morreu,reu,reu,Dona chica,ca,ca,

admirou-se,se,se,do berro,

do berro,que o gato deu,miau!"

Gente,isso é música que se ensine pra uma criança?Violência contra os animais numa cantiga pra criança!E a gente cantava isso e nem se dava conta do que dizia...Tenho ou não tenho razão?

Tá,eu sei que o dia da criança já passou,mas outra brincadeira que gostava muito era a do elástico,andar de patins...não,na verdade nunca consegui andar de patins,mas pelo menos eu tentei.Depois de muitos tombos,escorregões e palavrões,deixei pra lá.Preciso aprender andar de bicicleta,nunca é tarde pra ir atrás do que a gente tinha vontade de fazer e não fez por falta de oportunidade,não é?Lá em casa,a gente não saía muito,mas quando isso acontecia era uma verdadeira festa.Sempre adorei ir à praia,tinha fascinação pelo mar.Na minha imaginação,o mar era quase um ser vivo,misterioso,belo,imortal e fatal pra quem não soubesse nadar.Aquelas águas profundas escondiam um outro mundo,outro universo.Até hoje esta fascinação continua.O mar tem o dom de me acalmar,por isso,nada como um bom dia de sol na praia.

E lá na igreja cheguei a aprender a tocar flauta.Tocava "Brasileirinho" perfeitamente.Hoje acho que não sei mais.Sabe o que eu tocava também?Triângulo.Esse era mais fácil de tocar.Tinha um grupo de crianças na igreja que se chamava "A Bandinha" mas nos últimos tempos a gente foi desafinando e tudo acabou.Ah!Tinha também meu velocípede!Não sabe o que é isso?Era um triciclo infantil.Adorava andar com ele,tanto que as pernas ficavam bambas.E na hora da sede,ia tomar Kisuco de uva,além de gostoso,me deixava com a boca vermelha como se tivesse colocado batom.Quando voltava da escola ia assistir "O Sítio do Picapau Amarelo",a primeira versão,a mais antiga de todas.Lá em casa ainda não tinha TV,pois papai achava que era "coisa do diabo",aí eu fugia pra casa do vizinho,pois tinha uma amiga lá que se chamava Josenilda,filha de Seu Zé,aquele que tempos depois quase mata a mim e papai de raiva,quando resolveu transformar a casa num cortiço.

E o toca-discos?Eu me sentava com o ouvido na caixa de som pra ouvir os LPs.Sonhava que era uma das cantoras que cantavam com uma voz linda de soprano,até alguém dizer que era hora de dormir e voltar pra realidade.E minhas bonecas?Ainda guardo uma delas até hoje,a segunda preferida,pois a primeira perdeu-se.Eu sempre fui de guardar as coisas,principalmente se tinham valor sentimental.Guardo cartões,fotografias,cartas,até um telegrama.Pra mim isso não se perde,se transforma em recordações,aí não basta a memória,preciso de algo sólido,material,palpável.Bem,voltando ao presente,vou parar por aqui,antes que comece a chorar de verdade...
Ane
Enviado por Ane em 07/11/2007
Reeditado em 15/11/2007
Código do texto: T726675
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Sobre a autora
Ane
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 47 anos
31 textos (9076 leituras)
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