Os Mistérios Antigos

 

      É um fato incontestável que a fauna inconsciente que habita na mente coletiva de um povo, muitas vezes, torna-se uma crença arraigada e acaba dando nascimento ao fenômeno da religião. Esse fato, que foi explorado por James Frazer (O Ramo de Ouro, 1890), nos leva a um tema particularmente relevante aos adeptos da Maçonaria, que são os chamados Antigos Mistérios.

Como sabemos, todos os povos antigos costumavam, de alguma forma, prestar homenagens á Terra-Mãe, através de algum tipo de sacrifício ou representação folclórica, que tinha por objetivo obter as graças da Divindade, para que ela os premiasse com fartas colheitas. Para esses povos, o sacrifício de sangue tinha a ver com os produtos da terra. Até entre os hebreus essa conotação era evidente, porquanto o sangue, cuja palavra hebraica é nefesh, também significa espírito vital. Assim, o sacrifício de sangue, para eles, como oferenda á terra, era uma oferta do próprio espírito vital do homem.

     Fenômeno observado em seus efeitos, mas pouco compreendido em suas causas, as antigas civilizações intuíam nesse comportamento da natureza uma reciprocidade de ação que era benéfica quando elas lhe prestavam culto, e maléfica quando esse culto não era prestado, ou, no seu entender, era mal feito ou recusado pela divindade que presidia essa propriedade da natureza. Daí a história bíblica de Cain e Abel, na qual Jeová, o deus hebreu, recusa a oferenda de Cain, que consistia na vida de um carneiro e aceitou a de Abel, que era feita com produtos agrícolas.[1]

    

      Se perguntados por que realizavam tais cultos, esses antigos povos não saberiam dar fundamentos lógicos para isso, mas acreditavam, de fato, que algum resultado disso adviria, e ninguém duvidava da importância dessas celebrações. Porque elas estavam entranhadas no próprio espírito desses povos e não realizá-los, na forma devida, traria algum tipo de malefício para a comunidade.

     No Egito, com os Mistérios de Ísis e Osíris, ou na Mesopotâmia com os ritos consagrados á deusa Ishtar, ou na Índia com os Mistérios de Indra, esses festivais, como eram chamados essas representações, tinham um caráter social e religioso que davam marca a um simbolismo arquetípico da maior importância para esses povos. Mesmo no intelectualizado mundo grego e entre os povos que se desenvolveram sob sua influência cultural, esse simbolismo assumiu um aspecto tão fundamental, que a partir de certo momento de suas respectivas histórias, transformou-se em um instituto patrocinado pelo próprio Estado. Foi o caso da República de Atenas, por exemplo, que recepcionou na legislação que Sólon lhes outorgou os chamados Mistérios de Elêusis como marco fundamental e obrigatório de sua cultura social, política e religiosa, punindo inclusive com penas extremamente severas aqueles que violassem o caráter sacro dessas instituições. Mais tarde esse instituto foi recepcionado também na legislação romana por imposição do Imperador Adriano, em 125 da era cristã.[2]

     Os Mistérios de Elêusis, como sabemos, era originalmente um festival realizado na cidade santuário do mesmo nome, pequena aldeia próxima á Atenas. Fundamentado no mesmo espírito que hoje patrocina as festas populares dedicadas aos santos e santas padroeiras das nossas cidades, esses festivais tinham o objetivo de homenagear a deusa Deméter, ou Ceres, que na mitologia grega era a divindade que protegia a agricultura, personificada como a Terra-Mãe.   

     Porém, diferente dos nossos festivais religiosos modernos, o festival de Elêusis tinha características notadamente iniciáticas, pois contemplava uma parte não aberta á população, na qual somente pessoas escolhidas podiam participar. Esses eram os chamados “iniciados”, a quem se acreditava, eram conferidos importantes segredos iniciáticos, que iam desde conhecimentos científicos, políticos e sociológicos de alta relevância para a própria sociedade grega em geral, á segredos da religião local, só acessíveis a alguns eleitos. Á estes iniciados eram revelados, segundo Platão, os verdadeiros significados dos mitos e alegorias das lendas gregas, que constituíam o essencial das crenças que dominavam o espírito do povo helênico.

    Deméter, a Terra-Mãe, era vista pelos gregos como a mãe das almas, pois sua filha Perséfone, (conhecida pelos romanos como Prosérpina), representava não só a semente que é plantada para dar renovos á vida, mas também o arquétipo da própria alma humana, ou seja, a Psique, que morre e revive no seio da terra. Assim, os Mistérios de Elêusis, como os Mistérios de Ísis, no Egito, era uma representação ritual que tinha por objetivo homenagear os poderes da terra, capaz de gerar a vida a partir da morte. Dessa forma, se os desígnios de Deus (ou a natureza) agem assim com a produção da terra, assim será também com a vida espiritual do homem, cuja continuidade depende do mesmo processo morte-vida, vida-morte, para que a espécie continue e evolua.[3]

    Destarte, o costume de enterrar os mortos vem dessa ideia. Enterrar um corpo na terra é garantia de ressurreição. Por essa razão os cristãos condenavam o costume dos chamados povos bárbaros, de incinerar os seus mortos. Mas mesmo esse costume- a incineração- também obedecia a um preceito religioso, pois no caso, queimar o corpo dos defuntos, especialmente aqueles que morriam no campo de batalha, era uma oferenda aos deuses da guerra, que no caso eram divindades do fogo e não da terra. Esse costume era próprio dos povos nórdicos, especialmente os germanos e os vikings. [4]

   

O mito do herói sacrificado

 

      Com as variantes de estilo, os Antigos Mistérios eram praticados pela grande maioria dos povos antigos e sua fundamentação psíquica se apoiava no mito do sacrifício que se deve fazer aos deuses da natureza para que eles outorguem, com benevolência, as suas graças. Em muitos desses Mistérios, vidas de animais ou mesmo de pessoas eram sacrificadas á deusa-terra ou ao deus que presidia a forças da natureza. As lendas gregas estão cheias de histórias desses sacrifícios, onde, ás vezes, o sentimento humanístico do grego se revolta e levanta, no seio do povo, um herói para desafiar essas exigências, como nas lendas de Perseu, Teseu, Hércules e Prometeu.

     Nas civilizações da América pré-colombiana esses ritos eram praticados até a chegada dos colonizadores europeus, com os vencedores nas frequentes guerras tribais, sacrificando no alto das suas pirâmides milhares de prisioneiros e deixando que seu sangue escorresse para as plantações, com o objetivo de fertilizá-las. Mais do que um ritual de crueldade, próprio de civilizações bárbaras e ignorantes, esse costume era uma variante dos cultos em homenagem á Mãe-Terra.

     A mesma ideia era expressa quando se sacrificavam jovens em homenagem aos deuses do país. Essa tradição, bem explorada na obra de James Frazer (O Ramo de Ouro, citada), também aparece em várias lendas grega, como no mito de Teseu, por exemplo. Até na espiritualizada religião de Israel esse costume foi conservado, pois remanesceu na simbólica oferta do cordeiro pascal, como selo de Aliança entre o povo de Israel e seu Deus. E o cristianismo, inspirado no simbolismo da religião judaica, também fundamentou o mais importante aspecto da sua teologia em cima desse arquétipo, na mística oferta do sangue de Cristo, o herói que se sacrifica pela salvação da humanidade.[5]  

    

    O sacrifício da completação

 

     Entre os povos antigos, esse ritual era praticado também quando uma grande batalha era travada, ou então uma obra pública era concluída. Era o ritual conhecido como o “sacrifício da completação”. Essa tradição remonta á antigas lendas cultivadas pelos povos do Levante, segundo o qual nenhuma grande empreitada poderia obter bom resultado se não fosse abençoada pelos deuses. E essa benção era sempre obtida através de um sacrifício de sangue. Esse costume, registrado na literatura da grande maioria dos povos antigos, era observado também entre os israelitas. Segundo a Bíblia, ao terminar a construção do Templo de Jerusalém, Salomão “sacrificou rebanho e gado, que de tão numeroso, nem se podia contar nem numerar.”  [6] 

     Essa tradição – de ofertar o sangue de animais ao deus do país -  remanesceu durante muito tempo em Israel. A própria Bíblia, com os episódios do sacrifício de Abraão e Jefté, mostra que nos primórdios da sua civilização, os israelenses também praticavam rituais de sacrifício humano para obter as graças da divindade. Esse costume foi instituído na legislação hebraica na época de Moisés para ser observado nas festividades da Páscoa, quando um cordeiro devia ser sacrificado pelo sacerdote em nome do povo. Com o tempo, todas as pessoas de posse passaram a oferecer seus próprios sacrifícios pessoais ao deus do país, imolando carneiros e pombos, que eram vendidos no átrio do Templo, na época da Páscoa. Foi esse mercado profano e sinistro que provocou a ira de Jesus, no episódio em  que expulsou a chicotadas os vendilhões do Templo, como se lê no No Novo Testamento.(João; 2:13:22).

   Dessa forma entende-se que o sacrifício de Jesus, ao oferecer a si mesmo como moeda de troca para a salvação da humanidade é também um simbolismo revelador dessa tradição arquetípica que a teologia cristã adotou para justificar a sua doutrina. A deificação de Jesus como “Filho de Deus” se assenta nessa ideia do sacrifício do herói em prol da comunidade.”Eis o cordeiro de Deus- o que tira o pecado do mundo”, diz João Batista em sua pregação, e essa metáfora é a principal ideia sobre a qual se fundamenta a crença cristã.

   Verifica-se, pois, que o próprio cristianismo foi buscar argumentos teológicos na arquetipia dos Antigos Mistérios, pois a figura do Cristo, que na verdade, é um arquétipo da mitologia grega (na crença israelense essa figura é o Messias), fundamenta-se na ideia do sacrifício da completação, o qual, como se vê, era o corolário de toda grande obra que se completava. Daí as enigmáticas, porém taxativas, palavras de Jesus, antes de exalar seu último suspiro na cruz: “ tetelestai” (está consumado).

  

    A Kabballah e os Antigos Mistérios

 

    Porém, a metáfora mais eloquente para figurar os Antigos Mistérios foi desenvolvida pelos adeptos da Kabbalah, com o simbolismo da Árvore da Vida. Pois nesse diagrama mágico-filosófico criado pelos adeptos dessa tradição, mostra-se que a morte é uma condição que a própria natureza estabeleceu, ao engendrar e desenvolver um processo para a evolução da vida no universo. Pois aqui, como bem assinala o Zhoar, está o reconhecimento de que na Criação de Deus, e mais especificamente, na humanidade, desenvolve-se um plano de construção cósmica no qual o homem não é, como se já pensou, o centro nem a finalidade, mas sim, um eixo privilegiado de evolução. Quer dizer, o universo não existe para servir o homem, mas sim o homem para construí-lo e dar-lhe uma orientação. Não se trata de negar as teses antropocentristas e antropomorfistas, que colocam o homem como “medida” de todas as coisas, como ingenuamente pensavam os humanistas do passado, mas sim de reconhecer um novo humanismo, que sem destronar o homem da sua importância no processo de construção da obra de Deus, o coloca no seu devido lugar: o de uma função bem definida nesse processo.

     Porque ao cultivar a terra o homem tornou-se o responsável pela conservação da Árvore da Vida. Expulso da sua condição primitiva de inocência inconsciente, onde a própria natureza o alimentava sem que ele precisasse dar nada em troca, ele agora tem que concorrer para produzir esses frutos. Tornou-se senhor do bem e do mal. Da caça, a pesca e a coleta dos frutos da terra ─ estado paradisíaco que Jesus descreve em seu discurso como aquele em que o Pai do Céu nos sustenta ─, á agricultura, a domesticação e a criação de animais, a industrialização e outras conquistas civilizatórias, a humanidade depende agora, da sua própria ação para sobreviver.

     E assim, o homem, que antes cultuava a Mãe-Terra Deméter com sacrifícios de sangue para que ela lhes prodigalizasse seus frutos, hoje deve oferecer-lhe o sacrifício do seu trabalho e dar-lhe por fim, o seu próprio corpo como semente para que ela continue a sustentar a continuidade do fenômeno da vida. E foi dessa forma que ele apropriou-se também da Árvore da Vida, pois na transmissão da hereditariedade o homem conquistou a imortalidade. E só nesse sentido conseguimos entender as metáforas bíblicas, especialmente ás que se referem ao episódio do casal humano comendo o fruto do conhecimento, a consequente maldição imposta sobre a terra e o teor punitivo do trabalho, que encontramos na redação do Gênesis, 3:17: “ (...) maldita é a terra por tua causa! Com fadiga comerás dela todos os dias da tua vida.(...) Com suor do teu rosto comerás pão, até voltares para a terra ─ pois dela fostes tomado ─ pois tu és pó e ao pó hás de retornar”.

 

     Hiram Abbiff, o sacrificado da Maçonaria

                   

      A Maçonaria, como se sabe, também presta o seu culto ao herói sacrificado. Todo maçom que tenha sido elevado ao mestrado na Arte Real já fez a sua marcha ritual em volta do esquife do Mestre Hiram Abiff, o arquiteto do Templo do Rei Salomão, assassinado pelos três companheiros ambiciosos, que queriam abreviar o prazo de seu aprendizado e obter os graus mais elevados sem o devido mérito. A alegoria da morte de Hiram é uma clara alusão ao mito do sacrificado. Ele está conectado, de um lado ao simbolismo da ressurreição e de outro lado ao mito solar. Pois nas antigas religiões solares, o Sol, princípio da vida, morria todos os dias para ressuscitar no dia seguinte, após passar uma noite em meio ás trevas.

     O sol, como acreditavam os antigos povos, era o esposo da terra. Era pelo efeito do seu calor que a semente lançada na terra renascia e frutificava. Então, por analogia, o sepultamento do corpo humano no interior da terra era uma condição necessária para que ele pudesse ressuscitar. Em consequência, todas as antigas iniciações recorriam ao estratagema do ritual funerário para simbolizar a “morte”, pois sem esta não poderia haver um renascimento. Até a teologia cristã usou esse simbolismo para dar mais força à sua pregação, com o episódio da ressurreição de Lázaro e a própria morte e ressurreição de Jesus após três dias na tumba.

 

     A Lenda do Mestre Hiram, no ritual maçom, é uma reminiscência bastante clara do chamado sacrifício da completação. Na verdade, ela foi cunhada em cima da informação de que Salomão, ao completar a obra do Templo, sacrificou muitos animais. Em conexão com essa tradição, era preciso gerar a ideia de um sacrifício mais simbólico e impactante, para marcar a construção de uma obra tão importante, que era a propria Maçonaria, simbolizada na construção do Templo do rei Salomão . Nasceu então, na cabeça dos autores do ritual, a ideia de “sacrificar” o Mestre Construtor do Templo, assim como nas antigas tradições egípcias, o arquiteto das tumbas faraônicas costumava ser imolado para não revelar seus segredos.

    Os autores do ritual sabiam que a teatralização dos Antigos Mistérios, mais do que uma simples homenagem á deusa Ceres ou Ísis, simbolizavam também a jornada do espírito humano em busca da Luz que lhe daria a ressurreição. Foi nesse sentido que o simbolismo da semente que é enterrada na terra se conectou com o mito do herói sacrificado e deu, como resultado, a Lenda do Mestre Hiram. A marcha dos Irmãos em volta do esquife de Hiram nada mais é que uma imitação desse antigo ritual, que espelha a ansiedade do nosso inconsciente em encontrar o seu “herói” sacrificado, para nele realizar a sua ressurreição. Em suma, é uma marcha em busca do sol, que contém a energia que faz a semente se regenerar. Por isso ela é feita sempre no sentido do Ocidente para o Oriente.

   O Mestre Hiram representa pois, toda a arquetipia do mito do sacrifício de sangue para que a semente renasça no interior da terra, e por analogia, para que o próprio espírito do homem submetido a esse ritual ( no caso da maçonaria, o psiquismo do Irmão elevado a Mestre), também se renove por influxo desse ritual. Não há nada de paganismo,ou satanismo, ou qualquer outra conotação herética nesse ritual, porquanto, como se viu, ele tem suas variantes em todas as práticas religiosas da terra, e no cristianismo é o próprio cerne da sua espiritualidade. Ele é, como bem destaca James Frazer em sua obra, um fundamento da própria espiritualidade do ser humano e da sua necessidade de estabelecer um canal de comunicação com a  Divindade. E também, como bem viu Jung, uma necessidade do inconsciente coletivo da humanidade de estabelecer conexão com o mundo misterioso do além, na ansia de encontrar respostas para o mistério que nos assombra desde que adquirimos a capacidade de reflexão: o que somos, de onde viemos, para onde vamos depois de mortos. 


[1] A referência aos irmãos Cain e Abel é uma clara metáfora da história da ocupação das terras palestinas. Historicamente, o povo de Israel praticava uma economia essencialmente pastoril, como se percebe nas próprias crônicas bíblicas. Quando eles chegaram á Palestina, vindos da terra de Ur (Atual Iraque) a Palestina já estava ocupada por povos que praticavam a agricultura. Daí o conflito entre pastores e agricultores que aparece, patente, em todos os relatos da história de Israel. Cain, na verdade, é símbolo dos povos palestinos e Abel simboliza o povo de Israel. Por isso Jeová ( o Deus de Israel) despreza Cain e lança uma maldição sobre ele. Daí também a consequente inimizade entre os dois povos, que dura até os dias de hoje.

[2]Dudley Wright- Os Ritos e Mistérios de Elêusis-Madras, 2004.

[3] Os Ritos de Elêusis eram realizados em duas etapas: anualmente, no santuário de Agras, no mês de fevereiro eram realizados os “Pequenos Mistérios”. E de cinco em cinco anos, em Elêusis, eram realizados os “Grandes Mistérios”.

[4] Odin, ou Wotan, Thor, Thyr, Vidar e outros deuses da mitologia nórdica, são essencialmente divindades guerreiras, cujos atributos estão mais ligados ao fogo do que à terra. Daí os rituais fúnebres dos povos nórdicos contemplarem mais a incineração dos corpos do que o sepultamento.

[5] Ideia que é expressa nas místicas palavras do profeta João ao batizar Jesus.: “ Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”. João, 1:29.

[6] Esse costume, no antigo Egito, tinha funções muito práticas. Muitas vezes, o faraó mandava sepultar o construtor da sua tumba para impedir que esse revelasse o segredo da sua construção e o consequente saque dos tesouros que eram enterrados com ele.

[7] Ver, nesse sentido Jean Palou- Maçonaria Simbólica e Iniciática, citado.

[8] Especificamente a chamada Revolução Puritana, liderada por Oliver Crommwel, que destronou o rei Carlos I, da Inglaterra, e promoveu a sua decapitação. Nesse caso, o Drama de Hiram teria por finalidade reconstituir o episódio da deposição e morte desse soberano, já que Ashmole e seus companheiros maçons eram partidários dos Stuarts.