A Teoria de Piaget

A TEORIA DE PIAGET

O psicólogo suíço Jean Piaget considera que a criança tenta compreender o seu mundo através de um relacionamento ativo com pessoas e objetos, a partir dos encontros com acontecimentos, a criança vai se aproximando, num ritmo consistente, do objetivo ideal que é o raciocínio abstrato. Piaget tem exercido uma influência extraordinária na moderna Psicologia do Desenvolvimento. Estimulou o interesse pelos estágios maturacionais do desenvolvimento e pela importância da cognição para muitos aspectos do funcionamento psicológico, tendo atuado como uma contra força construtiva à ideia de que as crenças, pensamentos e modos de uma criança abordar problemas, são basicamente o resultado daquilo que se lhe ensine diretamente.

Piaget acredita que os objetivos do desenvolvimento incluem a habilidade para raciocinar de modo abstrato, para pensar sobre situações hipotéticas de modo lógico e para organizar regras, por ele denominadas operações, em estruturas de nível superior mais complexo. Serão considerados abaixo os conceitos mais importantes da teoria de Piaget.

Construção e Invenção

A criança está ativamente empenhada em compreender sua experiência, tentando entender o heterogêneo e adequar suas ideias num todo coerente. Piaget enfatiza o fato de que as crianças inventam ideias e comportamentos que jamais presenciaram ou pelos quais nunca foram reforçadas. Por exemplo, em contraste com a típica criança de 5 anos, a de 7 avalia e compreende que um conjunto de bastões de diferentes comprimentos ou conjunto de xícaras de diferente diâmetro podem ser arrumados em séries, de acordo com seu comprimento ou diâmetro. A criança de 7 anos não necessita já ter visto esse arranjo, nem ter recebido essa informação de alguém adulto. É uma das descobertas do crescimento intelectual. O teórico da aprendizagem, em contraposição, se centraliza nos comportamentos que são cópias imitativas do que a criança já viu ou extensões de ações que já foram reforçadas. Piaget diz que: O problema que devemos resolver, a fim de explicarmos o desenvolvimento cognitivo, é o da invenção e não o da simples cópia. Nem generalizações do tipo estímulo – resposta, nem a introdução de respostas transformacionais podem explicar a novidade ou a invenção ... Gostaríamos de enfatizar quão peculiar é o fato de que muitos dos psicólogos soviéticos e americanos, cidadãos de nações poderosas que tentaram modificar o mundo, produziram teorias de aprendizagem que reduzem o conhecimento a uma cópia passiva da realidade externa, ao passo que efetivamente o pensamento humano sempre transforma ou transcende a realidade. Áreas de grande interesse na Matemática não têm sua contrapartida na realidade física, resultando todas as técnicas matemáticas de novas combinações que enriquecem a realidade. A fim de se apresentar uma noção adequada da aprendizagem deve-se, em primeiro lugar, explica como é que o sujeito consegue construir e inventar e não apenas como é que repete ou copia.

A Aquisição das Operações

O conceito central da teoria piagetiana é o de operação. Uma operação é um tipo especial da rotina mental cuja característica predominante é a reversibilidade. Toda operação tem sua contrapartida lógica. A regra de que elevamos 8 ao quadrado para obtermos 64 é parte de uma operação, uma vez que podemos fazer a operação inversa e extrair a raiz quadrada de 64 e obter 8. O conhecimento de que podemos dividir uma porção circular de argila em duas secções elípticas e combiná-las para a formação do mesmo todo circular também é uma operação.

Compreendermos o fato de que uma dada quantidade de água de um copo não se altera quando a transferimos para um outro recipiente de forma diferente, também é uma operação, já que sabemos poder restabelecer a condição original, vertendo a água novamente para o primeiro copo. A operação permite à criança voltar mentalmente ao ponto de partida. A aquisição das operações é o centro do crescimento intelectual.

A AQUISIÇÃO DAS OPERAÇÕES É O CENTRO DO CRESCIMENTO INTELECTUAL

Algumas regras não são operacionais. A criança de 7 anos sabe que se contar uma mentira provocará a ira dos pais, sendo esta uma regra irreversível porque não sabe como restabelecer o bom humor da mãe. A maior parte das regras fatuais o oceano contém água, os automóveis são barulhentos, os verões são quentes não são operações. Piaget acredita que a criança passa pelos estágios, adquirindo diferentes classes de operações até que gradualmente atinge o estágio mais amadurecido, durante a adolescência. Os dois mecanismos principais que permitem à criança passar de um estágio para o seguinte são a assimilação e acomodação.

Assimilação

A assimilação é a incorporação de um novo objeto ou ideia a uma ideia ou esquema já possuído pela criança (Piaget emprega o termo esquema para significar as coordenações perceptivo-motora do bebê; por exemplo, na busca de objetos ou ao puxar um cordão). Em cada nível de idade de idade, a criança tem à disposição um conjunto de ações ou operações. Os novos objetos e ideias são assimilados aos antigos. Um bebê de 1 ano de idade já adquiriu um esquema para objetos pequenos que envolve sacudi-los e mordê-los. Quando lhe é dado um objeto novo, por exemplo, um ímã, reage a ele como faz com todos os objetos pequenos, sacudindo-o ou mordendo-o. A aplicação de esquemas conhecidos de ação a uma nova situação é assimilação. Em termos mais simples, a assimilação é aplicação de velhas ideias e hábitos e objetos novos, considerando os acontecimentos novos como parte dos esquemas existentes.

Acomodação e Equilibração

Acomodação é a tendência a se ajustar a um novo objeto, a alterar os esquemas de ação adquiridos a fim de se adequar a tal objeto. A criança de 2 anos que nunca havia se deparado com um ímã pode, de início, assimilá-los aos seus esquemas anteriores e agir frente a ele do mesmo modo que frente a um brinquedo familiar. Pode batê-lo contra alguma superfície, balança-lo ou tentar fazer com que produza algum som. Mas logo que descobre a qualidade peculiar ao ímã, ou seja, a de atrair metais, acomodar-se -á, então, a essa qualidade e começará a aplicar o ímã a uma variedade de objetos para verificar se aderem a ele.

O crescimento mental envolve a resolução da tensão existente entre assimilação e acomodação, do conflito entre o uso de respostas velhas para situações novas e a aquisição de respostas novas (ou a alteração das antigas) para adequar-se a novos problemas. O crescimento intelectual ocorre à medida que a criança se adapta às novas situações. De início, a criança assimila a maior parte dos problemas aos esquemas existentes. Se seu pai faz com que ela um jogo no qual deve adivinhar o que está escondido na mão dele, um brinquedo pequeno, por exemplo, a criança poderá adotar como resposta um hábito posicional, escolhendo sempre a mão direita, mesmo que seu pai fique alternando o brinquedo de mão para mão. Eventualmente, a criança se acomoda ao problema e aprende a regra empregada pelo pai.

Cada vez que a criança se acomoda a um novo problema ou acontecimento, o seu crescimento intelectual mais se aproxima da maturidade, posto que modificou suas ideias a respeito do mundo, tendo gerado um esquema mais adaptativo. Essa adaptação é denominada equilibração. No começo, a criança procura compreender uma nova experiência através do uso das ideias e soluções antigas. Quando estas não servem mais, a criança se vê forçada a alterar sua compreensão do mundo de tal modo que será capaz de usar uma nova forma de pensar sobre um problema antigo, assumindo suas experiências e, nessa altura, o conhecimento estará pari-passu com seu crescimento biológico. Nesse momento, a criança passará de um estágio de inteligência ao seguinte.

Estágio Sequênciais de Desenvolvimento.

Como teremos ocasião de ver, no capítulo 7, Piaget acredita que há quatro estágios principais do desenvolvimento intelectual: sensório – motor (de 0 a 18 meses), pré-operacional (dos 18 meses aos 7 anos), operatório – concreto (dos 7 aos 12 anos) e, por último, lógico-formal (dos 12 anos em diante). Esses estágios são contínuos e cada um deles é elaborado a partir do anterior, sendo também um derivado deste. Piaget acredita que nenhuma criança possa omitir qualquer um dos estágios, dado que cada um empresta do anterior seus feitos e realizações. Cada nova experiência é agregada ao material já acumulado, havendo sempre uma relação entre a habilidade e crenças atuais da criança e todo o seu passado.

Essa hipótese pode ser verdadeira, mas não necessariamente. Consideremos, como uma analogia, a construção de uma casa. Durante as semanas iniciais de construção, cada novo pedaço de madeira é encaixado na estrutura existente e há uma relação direta entre cada parte nova e o que já existia anteriormente. Mas suponhamos que, após ¾ da casa estarem prontos, um segundo grupo de trabalhadores começa a substituir paredes, encanamentos e instalações elétricas antigas por novas peças, segundo um novo projeto arquitetônico. Quando a casa estiver finalmente concluída haverá uma relação mínima entre os componentes iniciais e os finais. Num contexto ligeiramente diferente, é possível renovar uma casa de 100 anos de existência de modo tal que eventualmente sejam novas todas as partes da nova construção, sem que isso faça a casa cair ou ser interditada. Esta é uma perspectiva diferente do crescimento de processos psicológicos que, no momento, é tão plausível quanto as sugestões piagetianas de que cada novo desenvolvimento está baseado no que se formou anteriormente.

As realizações cognitivas do estádio de operações concretas fazem que o pensamento da criança nesse período seja muito mais sólido e flexível do que antes. É capaz de processos lógicos elementares - ou o que Piaget denomina operações - raciocinando dedutivamente, de premissa a conclusão, de maneira lógica. Mas faz isso de formas limitadas e elementares, aplicando lógica somente a percepções e acontecimentos concretos, bem como a representações destes. Não pensa em termos abstratos nem raciocina a respeito de proposições verbais ou hipotéticas. Assim, se a criança de oito, nove ou dez anos de idade não tem dificuldade para ordenar uma série de bonecas ou varas, de acordo com a altura, tem dificuldade com problemas verbais - por exemplo, com este: "Edith é mais alta do que Susana; Edith é mais baixa do que Lili; quem é mais alta das três?"

Para lidar com expressões verbais de relações lógicas há necessidade de "operações formais", distintas de "operações concretas", e as crianças usualmente não usam as primeiras antes de onze ou doze anos de idade. Segundo Piaget e Inhelder, sua principal colaboradora, a aplicação de regras lógicas e raciocínio a proposições e problemas abstratos é a essência de capacidade intelectual, o das operações formais , começa no início da adolescência. O adolescente pode raciocinar dedutivamente, fazer hipóteses a respeito de soluções para problemas, pensar simultaneamente em várias hipóteses. É capaz de raciocínio cientifico e de lógica formal, e pode aceitar a forma de argumento, embora deixe de lado seu conteúdo concreto - donde o termo operações formais.

Sérgio Ricardo de Carvalho
Enviado por Sérgio Ricardo de Carvalho em 17/11/2021
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