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Quem combaterá a corrupção?

Sempre que vou, ou volto, a minha pequena cidade natal no interior pernambucano, a grande Surubim, fico, no mínimo, constrangido, pra não dizer enraivecido, enfurecido, revoltado ou talvez pior, com o nível de corrupção a que chegaram as "instituições" e o povo brasileiro.

Acontece que, na maioria das vezes, vou de transporte alternativo, as populares toyotas, e que existem muitas barreiras policiais nos curtos 120 km de distância. Nada a se reclamar até ai não fosse o que acontecem nessas paradas, e hoje foram três. São paradas rápidas em que, por padrão, o motorista desce do carro e entrega o documento do mesmo ao policial que nem olha para ele, só o abre e tira a quantia de dinheiro previamente colocada em seu interior.

E isto acontece numa naturalidade que me assusta. Em meio as piadinhas de alguns dos passageiros quando da volta do motorista, atrevi-me a perguntar a quantia do "suborno". R$ 2,00 é o valor da transação. Isso se for policial estadual porque se for federal ai a bagatela sobe para R$ 5,00, porém estes não param todos os carros por pura falta de pessoal.

Notável é o nível de corrupção a que chegamos. Não existe mais somente a corrupção entre corrompedor e corrupto. Num nível mais avançado os aplicadores das leis corrompem a si e àqueles que não deveria se deixar corromper.

Passei a viagem pensando sobre os acontecimentos que vinham em média a cada meia hora. Se fazem isso por tão pouco, se se vendem por migalhas, se destroem a instituição a qual pertencem, se se humilham por tal valor, o que não fariam por uns bons trocados? Mas quem sou eu pra julgar os atos, e talvez necessidades, daqueles que se prostituem na beira das estradas brasileiras tal qual a puta logo ao lado?! 'Melhor pedir que roubar', já dizia o sábio menino da mesma estrada tentando abusar da minha ingênua, porém nunca maleável, solidariedade.

E nesse meio onde se confundem policiais corruptos, crianças miseráveis pedindo esmolas e mulheres vendendo seu corpo não distingo mais quem são as prostitutas da história, algum(ns) deles ou nós, que podemos até não vender nosso corpo mas o que dizer da nossa consciência, da nossa forma de organização social, dos nossos meios e, principalmente, do nosso fim???
Joao Paulo Magalhaes
Enviado por Joao Paulo Magalhaes em 28/11/2007
Reeditado em 03/12/2007
Código do texto: T755847

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Sobre o autor
Joao Paulo Magalhaes
Recife - Pernambuco - Brasil, 34 anos
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Joao Paulo Magalhaes