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As faces da violência urbana



          A violência entranhou-se no dia-a-dia. Pensamos, agimos e vivemos em sua função. O medo é o pão cotidiano do cidadão : muros altos, cercas elétricas, cães de guarda, automóveis. Teme-se tanto a ação do assaltante quanto a ação policial, igualmente feroz. “Viver é muito arriscado”, diria Guimarães Rosa.

           Violentar o homem é arrancá-lo de sua dignidade física e mental. Mas a história humana sempre foi violenta. No passado, as classes dominantes, de cima para baixo, preservavam direitos e impunham obrigações para justificar as diferenças sociais. A violência de baixo para cima era episódica e reativa.

            Classes dominantes criaram aparelhos repressivos que as protegeram por muito tempo da violência indiscriminada. Com o tempo, esses mecanismos de opressão não mais sustentaram a convivência entre classes. As diferenças humanas passaram a ser vistas pelo que realmente são: desejo e luta por uma vida melhor.  A sociedade capitalista estimula a consciência do homem em busca de uma vida melhor, mas não tem condições de oferecê-la.

            A violência passa a ser um meio de ataque, mas também de defesa, pois exprime um inconformismo radical em relação às imperfeições da sociedade. A violência mais cega e gratuita – contra o indivíduo – é um grito de desespero e censura. Quando um ser humano é assassinado para ser roubado, quem mata e morre são pessoas, mas quem é julgada e condenada é a sociedade.

             O caráter indiscriminado e gratuito de que se reveste a violência atual sinaliza que o futuro não está em acomodar-se e conviver com ela ou criar Estados tão fortes que esmaguem e aniquilem a pessoa humana ou no uso do indivíduo como força violenta. A violência só será vencida quando a sociedade se organizar para que as diferenças entre os homens sejam cada vez menos sensíveis.  Talvez essa nova ordem revele enfim ao homem civilizado que seu pecado original não foi o de ter provado o fruto do Bem e do Mal, mas de ter tido história...  de dominadores e dominados
Maria Paula Alvim
Enviado por Maria Paula Alvim em 28/11/2007
Código do texto: T756726

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Sobre a autora
Maria Paula Alvim
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Maria Paula Alvim