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Romances Modernos

A primeira vez que aconteceu, eu tinha dezesseis anos, e pouco juízo. Foi à primeira vista. Ela era muito branca, acho que era meio anêmica, e tinha grandes olhos castanhos e uma camiseta dos Ramones. Eu já adorava Ramones, e na época eu estava na minha fase grunge, sempre com meus cdzinhos do Pearl Jam e do Nirvana no discman, ela adorava. Depois de um tempo estávamos juntos, mas eu fodi com tudo muito rápido. MUITO RÁPIDO.
Adeus, a primeira.
Um ano e meio depois eu já não tinha juízo algum e minha companhia constante eram garrafas e garrafas de conhaque, Dreher, hoje me enjôo só de lembrar. E por causa dele, aconteceu de novo.
A última coisa que perguntei foi seu nome. Ela morava em outra cidade, que cheguei a frequentar, mas confesso que só consigo me lembrar da rodoviária e do boteco onde comprávamos as bebidas. Ela era pequena e meiga e tinha olhos castanhos e grandes (!).
Na época eu estava desvairando em Velvet Underground e Iggy and The Stooges e todas suas (in)consequências, enquanto ela ouvia Engenheiros e The Used. Ela brincava e dizia que eu era um tipo de aberração; um junkie-bebum-nerd, eu achava graça. Minha mãe gostava dela e seus pais me odiavam. Era divertido, um belo contraste.
E foi legal, até eu foder com tudo de novo. Eu a feri, e à nossos amigos e a mim mesmo. Eu disse que o problema era eu, ela disse que eu estava justificando.
Um pouco. Fim, de novo. Até logo, a segunda.
Aí eu tentei, eu juro que tentei ficar longe disso tudo. Narcotizei ao máximo qualquer expectativa, 'niilizei' meus sentimentos. Em vão.
Aconteceu de novo.
Era díficil olhar pra outro lado qualquer, enquanto a síntese de tudo que eu mais gostava estava sentada ao meu lado, igualmente perdida, ou só gastando tempo, sei lá, só sei que eu transpirava e tremia e minha insônia crônica fodeu de vez. Inevitável, eram muitas coisas em comum...MUITAS.
Meu velho problema com olhos castanhos...enfim.
Agora eu tento, todos os dias e com todas as minhas forças deter aquele instinto estúpido de foder com tudo. E mesmo que não exista mais romance nos tempos modernos, a gente pode tentar um amor só nosso. Tranqüilo, e sincero e bonito; sem despedidas precoces dessa vez. Sabe, eu odeio despedidas.
Mesmo.
marvin rosa
Enviado por marvin rosa em 30/11/2007
Reeditado em 30/11/2007
Código do texto: T758622

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Sobre o autor
marvin rosa
Santa Isabel - São Paulo - Brasil, 29 anos
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