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WILSON SIDERAL - FÁCIL, MAS NÃO TANTO

Convertido, o músico mineiro Wilson Sideral quer provar também seu valor como bom cristão

“Fácil, extremamente fácil pra você, e eu e todo mundo cantar junto.” Compor pode parecer fácil para Wilson Sideral, mas difícil mesmo foi sua conversão ao evangelho. Batizado na Igreja Católica – ele chegou a ser até “coroinha” –, o músico teve que esperar trinta e cinco longos anos para que sua vida desse uma verdadeira guinada espiritual, o que aconteceu por influência da esposa, que é evangélica e filha de um pastor presbiteriano. Desde então, ele tem participado semanalmente dos cultos ministrados por André Valadão em Belo Horizonte, na Igreja Batista da Lagoinha. Aliás, os dois já chegaram a dividir o palco para entoar a música Cura-me, um dos grandes sucessos do mais recente álbum do pastor-cantor. “Ele me pegou totalmente de surpresa e fez o convite para eu cantar durante o culto. Eu, que ainda não tenho tanta intimidade com esse universo, fiquei todo nervoso, até com receio de fazer alguma coisa errada; mas posso dizer que foi um momento lindo que só me trouxe alegria ao coração”, relembra.

Natural da tranquila cidade de Alfenas (MG) e apaixonado por música desde a infância, o talento natural de Sideral como compositor e intérprete foi, aos poucos, sendo comprovado com o passar dos anos. Gravada em 1998, na voz de seu irmão Rogério Flausino a música Fácil se tornou um sucesso estrondoso em todo o país, e ajudou a transformar a banda Jota Quest numa das maiores referências do rock in roll nacional da atualidade. Entretanto, bem diferente do que diz a canção, tão árduo como se tornar evangélico foi também o caminho por ele trilhado na carreira profissional. Só depois de exaustivas horas de ensaio em garagens, apresentações em festas, barzinhos e bailes promovidos pela escola, que Wilson da Silveira Oliveira Brito galgou os primeiros degraus de sua escalada artística e acompanhou os sonhos de menino ganharem formas cada vez mais reais, principalmente após completar a maioridade e se debandar para Belo Horizonte, onde vive atualmente. Na capital mineira ele deixou de ser o Wilsinho – como era conhecido no interior – para se tornar o Wilson Sideral, já como guitarrista de uma banda de reggae.

A ideia de se criar um estilo próprio parecia bem latente em sua veia musical, e unindo as batidas do rock in roll com a música negra – soul, blues e funk – Sideral descobriu a receita ideal para partir definitivamente para a carreira solo. Com o sucesso de Fácil, as portas do sucesso se escancararam à sua frente e ele assinou o primeiro contrato como músico profissional com a Universal Music para a gravação de dois discos: Wilson Sideral 1 (1999) e Na Paz (2002), que chegou a ser indicado ao Grammy Latino como melhor álbum de rock brasileiro. Os seguintes, Lançados ao Mar (2004) e Dias Claros (2008), que também faz parte das comemorações pelos dez anos de carreira do músico, saíram por seu selo próprio – Sideral Experience. “Esse último álbum foi muito bem recebido e só me trouxe conquistas, como a honra de ter três canções como trilhas de novela no repertório, além de uma turnê extensa, mas muito bacana”, comemora.

Enquanto anseia pelos frutos provenientes de sua conversão, Sideral ainda saboreia o doce sabor do reconhecimento, por parte da crítica e do público, como um dos grandes talentos da música nacional. Nessa entrevista, ele conta um pouco sobre sua carreira e as mudanças que essa transformação espiritual podem acarretar em sua vida particular e profissional.

JDM – O que realmente o motivou e como você se tornou e membro da Igreja Batista da Lagoinha?
WILSON SIDERAL – Tenho ido, principalmente, aos cultos das terças-feiras, ministrados pelo pastor André Valadão. Tudo começou por influência de minha esposa, que vem de uma família evangélica e começou a me falar e convidar para ir à igreja. Inclusive, meu sogro é pastor plesbiteriano, em Brasília.

Como era sua vida espiritual antes?
Sempre fui uma pessoa ligada a Deus, mas durante muito tempo passei a ter um relacionamento solitário com a minha espiritualidade. E a gente sabe que juntos somos mais fortes; por isso tenho adorado participar de uma igreja jovem, que reúne pessoas do bem para cantar e adorar ao Senhor.

Já é possível sentir alguma diferença na sua vida, tanto profissional como espiritualmente?
A vida com Deus é cheia de paz, conquistas e desafios, mas vale muito a pena. E quando estamos bem com nós mesmos, tudo parece fazer mais sentido. No campo profissional, coisas muito boas têm acontecido na minha carreira. Apesar de não estar relacionada ao meio evangélico, minha música fala de coisas positivas, do amor, do bem, da juventude, de sonhos e planos. Então, acho que tudo o que vem acontecendo está ligado diretamente a esse momento abençoado pelo qual estou passando.

E psicologicamente?
Estar de bem com Deus, com a família, com os amigos, com a vida, enfim, inspirado e feliz de verdade, só pode trazer momentos de conquistas e realizações. É exatamente assim que eu me sinto, pronto para o novo, cheio de ideias e vontade para realizar meus sonhos.

Como tem sido a repercussão de sua conversão, principalmente entre os familiares e amigos mais próximos?
Se minha família e meus verdadeiros amigos estiveram sempre do meu lado, mesmo quando eu passei pelos momentos mais difíceis da minha vida, imagina agora que estou fazendo uma coisa tão boa. Eles estão muito felizes, e quem sabe um dia eu possa trazê-los comigo.

Como você analisa o atual momento da música evangélica nacional? Você costuma ouvir alguma coisa do gênero?
Para ser bem sincero, eu sou um “novato” ainda. Estou conhecendo tudo agora, e não tenho uma opinião formada. Só sei que tem muita gente talentosa e abençoada produzindo música de alta qualidade para Deus. E o Senhor, mais do que ninguém, merece.

Na sua opinião, no que a música pode contribuir para o evangelismo e a propagação da Palavra de Deus?
É difícil encontrar alguém que não goste de música, que é a forma de arte mais democrática. Por meio dela, muitos vão ouvir, muitos vão cantar, muitos vão ser tocados, e outros tantos irão conhecer a Palavra.

Diariamente milhares de pessoas se convertem ao evangelho, mas quando isso acontece com uma pessoa pública a repercussão é, claro, bem maior. Por ser um músico conhecido, você se sente preparado para essa nova vida que se inicia?
Claro. Sou uma pessoa normal, e o fato de ser músico não me torna mais importante do que qualquer outra pessoa do mundo. E como não tenho nenhum problema em falar sobre essa nova vida, as pessoas entendem que é uma opção pessoal, algo que me tem feito muito bem. Quem me conhece de perto tem percebido isso, e quem é da igreja há mais tempo tem me recebido de braços abertos.

Você pensa em gravar, no futuro, um álbum com músicas cristãs?
Acho cedo para pensar nisso; afinal, sou ainda uma “semente” e tenho muito a aprender. A Palavra de Deus é coisa séria para quem a conhece de verdade, e os planos do Senhor são muito maiores do que os meus.

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José Donizetti Morbidelli
Enviado por José Donizetti Morbidelli em 14/05/2010
Reeditado em 30/12/2016
Código do texto: T2256882
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
José Donizetti Morbidelli
São Paulo - São Paulo - Brasil
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José Donizetti Morbidelli