CARLOS CONRADO É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Carlos Conrado, natural de Ourolândia, Jacobina-BA, vive em Aracaju desde o ano 2000. Poeta, escritor, designer gráfico, ator e artista plástico. Atualmente é sócio e co-fundador da AAPLASA - Associação dos Artistas Plásticos de Aracaju. É autor dos livros solos “Poesia Condenada”, “O Aeronauta entre a Razão e a Loucura” e “A Kombi de Prosa e Poesia” (parceria com Valdeck Almeida de Jesus. É editor da revista Locozines, Revista da Cultura Emergente. Tem textos publicados em diversas antologias, entre elas: Coletânea Eldorado VI; Celeiro de Escritores; Coletânea Impressões. Arcádia Literária Estudantil; Antologia Poética Ano 3.  Prêmio Valdeck Almeida de Jesus; Poetas pela Paz e Justiça Social, VI; e Antologias do Projeto Alma Brasileira. Também possui publicações em revistas como: The Moon Ligth of Corea, Corea do Sul e ArtPoesia,. Salvador-BA. É colaborador do Jornal O Capital, Aracaju-SE; Vice Presidente da Casa do Poeta Brasileiro de Aracaju; Membro Imortal da Arcádia Literária, Patrono Dias Gomes; Cônsul do Movimento Poetas Del Mundo em Aracaju; Ex Diretor de Comunicação da ASAP - Associação Sergipana de Artistas Plásticos; Ex Assessor da Academia Sergipana de Letras; Membro do Recanto das Letras e Overmundo.
Gosta de pintar seus próprios sonhos, utiliza-se de técnicas variadas para compor suas obras. Também gosta de esculpir. Foi membro do Núcleo de Cerâmica da Universidade Federal de Sergipe e participante do curso “Linguagem e Ações na Matéria” – ministrado pelo Prof. Dr. Evaristo Navarro – Universidad Politecnica de Valencia – Espanha.
Concedeu entrevista para o Jornal e Rádioweb de Portugal, RAIZONLINE, na qual falou de suas diversas atividades no campo da cultura. Foi capa do Jornal Estalo – editado pelo escritor mineiro Luiz Lyrio. Teve um especial Arte do Povo – TV Sergipe, o qual biografou a sua trajetória artística. Colabora com o Jornal O Liberal – Laranjeiras-SE. Fundou e Preside o Movimento Cultural A Plêiade.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
CONRADO: Nasci em Ourolândia – antiga Ouro Branco, distrito
de Jacobina–BA.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
CONRADO: Conheço apenas Sergipe, onde estou resido; Bahia, onde nasci; Pernambuco, Minas, Rio de Janeiro e São Paulo. Não conheço outros países ainda.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
CONRADO: Comecei a escrever aos 12 anos, pois fui participar de um concurso de poesias num povado onde eu residia e acabei me saindo vencedor. A partir dali, o meu primo e poeta Thiago Amorim me incentivou a escrever mais, ler mais e cada vez melhor.

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
CONRADO: Escrevo de tudo! Como diz Leminsk: “Eu não discuto com o destino, o que pintar eu assino!”.

VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
CONRADO: Ser sincero com eles! Fazer com que eles saibam o limite das terras em que a minha loucura habita.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
CONRADO: Poesia.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
CONRADO: Em grande parte do meu lirismo. Minhas pertubações. A qualquer hora, literalmente. Às vezes caminhava com blocos de papel ou cadernos, pois a ideia muitas vezes surgia quando eu estava no trânsito, numa padaria ou até mesmo namorando.

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
CONRADO: “Eu sou a Loucura mãe da Revolução, quando nasci não interessa, pois não é para isso que vim. Conheço e condeno todas as forças que lutam contra mim. Sou o elo que liga os homens aos outros deuses. Sou a incentivadora de todos os ideais. Sou o retrato da coragem! Ao contrário da Razão-Equilibrio que é uma senhora derrubada e medrosa. Sou poderosa e estou em tudo e em todos. Sei fascinar sem precisar usar esta casca que me reveste. Sou pura, boa e completa. Sou dona da liberdade, sou sua amante...“.

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
CONRADO: Alguns brotam como psicografias, outros vou moldando, experimentando, assim como faço com as telas que pinto.

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
CONRADO:. Está sendo “O Numismático”, devido às pesquisas sobre a Alemanha, sua história, costumes e cultura.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
CONRADO: Pretendo concluir em breve! Quero, sim, seguir carreira na literatura, mesmo que não seja algo tão rentável aqui no Brasil.

VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
CONRADO: Castro Alves, Bocage, Álvares de Azevedo, Cruz e Sousa, Nietzsche e Erasmo de Rotterdam.

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
CONRADO: Antes de tudo, ler bastante. Ler os clássicos, seus movimentos e representações é imprescendivel, pois só assim entenderá o que está escrevendo e se está indo no caminho certo. Essas leituras também não podem ser vividas ao pé da letra, pois elas servem somente como alicerce de sua obra e não como os tijolos que a tornam vista.

VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, não gostaria de usar um pseudônimo?
CONRADO: Acho o meu nome bonito e artístico. Sinto-me como um ator mexicano! (risos). Tenho alguns textos produzidos com o pseudônimo de Valentin Lencastre, um personagem meu num projeto de cartas, em parceria com o poeta Thiago Amorim. As cartas, que não são portuguesas e sim francesas e alemãs, foram ambientadas no século XIX. É um projeto interessante que tenho interesse em retomar.

VALDECK: Como foi a tua infância?
CONRADO: Não foi das melhores e isto posso garantir! Há um texto em que Marcelo Laseña fala sobre isto. Visita: http://conradoemtextos.blogspot.com/2010/06/carlos-conrado-uma-pincelada-em-sua.html.  Não comento, pois a ferida ainda sangra! Mas estou em paz comigo e com todos.

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
CONRADO: Sou um jovem diferente! Tenho muitos conhecidos, amigos, me considero uma pessoa carismática, mas o que gosto mesmo é do tempo em que me dedico a produzir. Adoro a solidão como cenário. Já fui chamado de autista, esquisito, louco. Estavam todos certos.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
CONRADO: Os textos que mais gosto de verem publicados são aqueles que incomodam e despertam reflexões mútuas. “O fim de uma doutrina”, “Quando matamos Deus” e “Eu sou a Loucura” me renderam gozos inesquecíveis.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
CONRADO: Diria que minha maior atividade e a qual toma maior parte do meu tempo é a gestão cultural. Sempre estou desenvolvendo projetos. Não consigo ficar parado. As artes gráficas, cênicas e plásticas são outras cartas que guardo na manga.
 
VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
CONRADO: Meus textos não só criticam a sociedade e o momento em que vivemos, mas também exploram e buscam entender a condição do homem e sua natureza. Psicose, neurose e a loucura são despidas em minha mente. Gosto da Loucura como objeto central da minha obra. Tenho Erasmo de Rotterdam como o meu padrinho maior.

VALDECK: Qual sua Religião?
CONRADO: Tenho Deus como meu guia, amigo e protetor e isto me basta! Respeito todas as outras, pois já passei por várias. Sou uma espécie diferente de evangélico. O que me custa os comentários de desviado, ateu e por aí vai. Gosto de usar a religião como objeto da minha arte, pois é um universo vasto de segredos dos quais são desvelados a cada dia. Tenho fé no Grande Arquiteto.
 
VALDECK: Quais seus planos como escritor?
CONRADO: Meu primeiro objetivo é lançar o meu 1º romance, intitulado “O Numismático”, que já está no prelo. Esta obra me rendeu várias noites de insônia e várias pesquisas, pois toda a sua história é ambientada na Alemanha. Para ser mais preciso, nas cidades de Weimar e Eisenach. Trata-se da ganância da humanidade e o preço que o ser humano está disposto a pagar para possuir o que tanto deseja. Também estão inseridos os conflitos da mente humana e uma paixão avassaladora.

Mudando de assunto! Tenho o sonho de construir bibliotecas comunitárias ou pontos de leituras. Tenho ultimamente esboçado este projeto e pretendo um dia executá-lo. O país precisa ler mais, isto é fato.

Estou inserido na diretoria do Fórum Permante do Livro e Leitura de Sergipe e isto tem me rendido muitos outros sonhos.

Nas artes plásticas, pretendo iniciar um circuito de intercâmbio neste ano de 2012. O artista que não mostra a sua arte é um ser morto para a sociedade! Não quero ficar nesta categoria (risos). Meus blogs: www.conradoemtextos.blogspot.com e www.artistacarlosconrado.blogspot.com

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 08/12/2011
Código do texto: T3378037
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