PINHO SANNASC É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Natural de Salvador, Bahia, Pinho Sannasc tem 31 anos e é escritor, poeta e compositor. Como ativista cultural ele vem desenvolvendo diversas atividades literárias. Atualmente é um dos membros organizadores do Projeto Fala Escritor, da Confraria de Artistas e Poetas pela Paz - CAPPAZ, da Associação Internacional Poetas Del Mundo, associado da União Brasileira de Escritores-UBE e também membro correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni-MG. Já publicou em algumas antologias, sendo elas: ”Ecos Castroalvinos”, “Um dia de Esperança - Mãos que Falam” e “Interfaces de Amor e Paz”. O primeiro livro será publicado em 2012, resultado do concurso nacional “Mãos que Falam”.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
PINHO: Nasci em Salvador na Bahia. Foi em uma manhã de sexta-feira, no dia 22 de Fevereiro de 1980, por volta das 10 horas. Como diz minha mãe, eu passei da hora de nascer, o que me leva a crer que nasci de um parto difícil e demorado, mesmo porque, acho que só se nasce na hora e demorado ou não eu nasci.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
PINHO: Não conheço nem a décima parte do Brasil. Conheço algumas cidades do país, principalmente do Nordeste e o Brasil não se resume a isto. Tem muitas cidades brasileiras que gostaria de conhecer. Quanto a outros países... Nunca saí do Brasil. tenho muito medo e esse medo potencializa se for viagem de avião (risos).

VALDECK: Quando você começou a escrever? Por quê? Como foi?
PINHO: Comecei a escrever muito cedo, eu tinha aproximadamente oito anos de idade. As palavras sempre fascinaram e eu lia bastante, por isso escrevia com naturalidade. Na verdade acho que comecei a escrever com os cartões de presentes que minha mãe me forçava a escrever para o meu pai, hoje já falecido.

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
PINHO: Eu tento escrever um pouco de tudo, mas foco na realidade e mesmo quando escrevo ficção, gosto de impregnar com uma pitada de veras. Escrevo contos, crônicas, letras de músicas, paródias e muitas outras coisas. Acredito que tudo pode ser tema para uma criação literária, embora eu tenha uma maior inclinação para temas sociais.

VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
PINHO: Como eu sou muito eclético e bastante autocrítico, procuro escrever textos que não firam os meus princípios e, depois que escrevo, eu me ponho no lugar do leitor e submeto os textos a um crivo para decidir se convém publicar.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
PINHO: Eu escrevo mais poemas que qualquer outra coisa e, possivelmente, é o que mais gosto ou, pelo menos, é o que me deixa mais à vontade para escrever.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
PINHO: Na grande maioria das vezes meus textos nascem de uma palavra ou uma simples frase que possa me fascinar, mas sentimento poético pode ser uma imagem, um cheiro, sei lá... A inspiração vem sempre de dentro e eu a escuto antes de escrever. Normalmente não escrevo em qualquer lugar e hora, prefiro estar a sós comigo mesmo e gosto da noite para criar.

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
PINHO: Não tenho uma obra predileta, mas uma ou outra me cativa mais. No poema “Ainda Bem que eu sei voar”, por exemplo, tem um verso que gosto muito, que diz exatamente assim:

Posso me lançar de arranha-céus
Despido, descalço e sem traje de herói
Volito liberto, rumo ao infinito
Ainda bem que eu sei voar!

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
PINHO: A facilidade ou dificuldade que tenho para produzir um texto pode variar de acordo às circunstâncias, mas de um modo geral, escrevo sem maiores percalços.

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
PINHO: A obra que mais demorei a escrever foi o meu livro “Olhos que Vejo”... Comecei faz mais de dez anos e ainda não o publiquei (risos).

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
PINHO: Nunca nem iniciei (risos). Pretendo um dia ter, pelo menos, duas formações acadêmicas, quem sabe... Espero sim, poder viver e morrer na literatura.

VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
PINHO: Admiro muita gente boa no que faz e certamente muitos tiveram as suas influencias sobre o que escrevo. Vinícius de Morais é um clássico exemplo.

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
PINHO: Leitura. Eu diria que é sine qua non.

VALDECK: Você não usa o nome verdadeiro nos textos, por que usa um pseudônimo?
PINHO: Uso pseudônimo. Eu mudaria se pudesse, passaria a assinar desta forma, mas Pinho Sannasc definitivamente não é o meu nome. Eu acredito que uso pseudônimo porque a sonoridade do meu nome não me remete a um escritor.

VALDECK: Como foi a tua infância?
PINHO: minha infância não foi lá o que possa chamar de mar de rosas. Filho de pais separados, eu sempre precisei trabalhar para ajudar minha mãe que é uma guerreira, mas apesar de tudo tive uma infância maravilhosa. Sinto saudades...

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
PINHO: Eu posso dizer que usufruo o meu tempo com trabalhos artísticos, culturais e sociais, o que considero uma diversão, mas sempre que posso, reservo sim um tempo para coisas mais pessoais.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
PINHO: Não sei se publicado é o termo adequado para a situação, mas amei ouvir o meu poema “Solidariedade” na voz do grande locutor Ewerton Matos. Para mim foi uma publicação pra deixar qualquer poeta feliz.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
PINHO: Embora eu já esteja aposentado, sempre busco atividades que me ajudem a vencer o ócio e me sentir útil.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
PINHO: Penso que sempre que alguém escreve, o propósito é passar uma mensagem e, comigo, não é diferente. As bandeiras e mensagens variam inclusive com o próprio tema.

VALDECK: Qual sua Religião?
PINHO: Deus é a minha religião, o amor e o bem são as minhas doutrinas.

VALDECK: Quais seus planos como escritor?
PINHO: Quero publicar alguns livros, continuar no movimento literário e, quem sabe, trabalhar com a inclusão cultural de crianças, adolescentes e grupos menos favorecidos.

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com
Valdeck Almeida de Jesus
Enviado por Valdeck Almeida de Jesus em 18/12/2011
Reeditado em 18/12/2011
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