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Salvador Picuinha, entrevista o carnavalesco Miltinho Coca-Cola.

Diretamente do Barracão do Grêmio Carnavalesco, Unidos do Laranjal.

Salvador Picuinha: Bom, primeiro quero relatar a dificuldade de adentrar no barracão. Quando me apresentei, fui recebido amavelmente por um grupo de seguranças, que me apalparam, beliscaram, jogaram-me contra a parede, cutucaram e depois dessa situação afável, verificaram o convite e permitiram meu acesso. Estou me sentindo uma Drag Queen
em um coletivo lotado... Miltinho, toda essa truculência; esse exagero, é necessário?

Miltinho: Nos perdoe Salvador, isso ocorre devido ao clímax que se instalou em Brasília, essa balbúrdia exacerbada, essa falta de diálogo, vide o episódio ocorrido na entrada do plenário do Senado.

Salvador Picuinha: Entendo. Miltinho, você já se apresentou nas passarelas do samba do Rio de Janeiro e de São Paulo, o que lhe trouxe a Brasília?

Miltinho: Recebi o convite do comendador Canastrildo, que é o patrono do Laranjal, estudei o perfil e resolvi aceitar o desafio, além de que, tirando o povo honesto e ordeiro que vive nesta capital, temos um grande carnaval o ano inteiro.

Salvador Picuinha: Observando a dimensão deste barracão e o tamanho dos carros alegóricos, posso dizer que a Laranjal irá para a avenida com um enredo polêmico e visualmente atrevido, isso confere?

Miltinho: Sim, claro! Veja o nosso carro abre-alas, todo feito com material reciclado, representando os projetos de lei que agonizam há décadas aguardando votação e as inúmeras medidas provisórias, aprovadas ao longo desse processo. Por isso, o nome “Ordem e Progresso, de Cabral a Lula; um mar de ilusão.”

Salvador Picuinha: Este segundo carro, representando os três poderes, não corre o risco de ser vetado pela organização do desfile?

Miltinho: Já pensei na hipótese. Este carro é uma demonstração clássica, onde os três poderes aparecem separados e estão como aquela conhecida imagem dos micos; cego, surdo e mudo, porém se isto ocorrer; colocamos na avenida de qualquer maneira; coberto por um plástico preto e com uma faixa com o seguinte dizer: “Segredo de justiça, aqui jaz a democracia de Brasília.”

Salvador Picuinha: Você também está ilustrando o caso dos mensaleiros de maneira cômica, o que pretende com isso?

Miltinho: Esse carro virá no final do desfile, trazendo os  40 envolvidos, todos com roupa de presidiário e bem estropiados por um  enorme martelo. Este martelo fará o movimento de cima para baixo e estará seguro pela mão de um juiz, cada vez que ele acertar um réu, automaticamente lançará um disco de pizza ao público.

Salvador Picuinha: Com isso você sinaliza que como eleitor, não acredita mais nos políticos e na justiça?

Miltinho: Não! Isto é para mostrar ao povo que somos co-responsáveis, pois tivemos o direito de expulsa-los do Congresso e não o fizemos nas urnas... Merecemos.

Salvador Picuinha: Miltinho cante um trecho do samba-enredo do Laranjal...

Miltinho: Tudo bem, vai lá...
Surgiu nos corredores do Senado / onde o povo já foi sagrado / a vaquinha redenção.
Lembrou, sim lembrou / a grande nau dos mensaleiros / as sanguessugas do dinheiro /
mestrados na corrupção.
Agora só o refrão: Cara pintada fugiu / abandonou o Brasil / sou Laranjal em plena ebulição.

Salvador Picuinha: Caramba Miltinho, que vozeirão... Bela letra, quem é o autor?

Miltinho: É um poeta de São Paulo, não o conheço pessoalmente, um cara chamado Sandro Colibri... Talvez, ele participe do desfile; como destaque.

Salvador Picuinha:  Miltinho, esse outro carro que esta coberto com a lona; o que você esta escondendo?

Miltinho:  Surpresa! Mas vou adiantar alguns itens, tem vaca, laranja, 40 personagens estourando champagne...  Você percebeu, 40 é quase um número cabalístico.

Salvador Picuinha: Você é hilário Miltinho. Agora tenho certeza, a Laranjal vai chocar o Brasil.

Miltinho:  Duvido, somos eternos paternalistas; erroneamente alimentamos nossas crias...

Salvador Picuinha:  Muito obrigado Miltinho, foi um imenso prazer entrevista-lo... Por que o nome, Miltinho Coca-Cola?

Miltinho: (Rsrsrs) Você é muito curioso.
Sou negro, coca cola sempre presente nos melhores momentos  e agora coloque a mão aqui no meu bolso.

Salvador Picuinha: (Rsrsrs) To fora negão. Vejo-te no desfile... Fui.


O autor informa, obra meramente ilustrativa, todos os fatos e personagens citados são fictícios, por que rir ainda é o melhor remédio.


   
Sandro Colibri
Enviado por Sandro Colibri em 17/09/2007
Código do texto: T656652
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Sobre o autor
Sandro Colibri
São Paulo - São Paulo - Brasil, 46 anos
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