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Opinando e Transformando - Rodrigo Cambará

Rodrigo Cambará - é Bacharel em Design e exerce direção de arte em parceria com Editoras, Agências de Publicidade, Escritórios de Design e Empresas. Desenvolveu projetos com a rede RBS, Record, Pampa e PUCRS. Atualmente produz Ilustração e Design para a Literatura e Desenho de Superfície para a Indústria Têxtil.
 https://rodrigocambara.com/
 
Em sua opinião, o que é cultura de paz?
Penso que qualquer ação, atividade ou experiência social que fortaleça a aproximação de grupos ou ideias, sem ferir de forma alguma a liberdade de existência alheia pessoal ou coletiva de qualquer gênero, seja uma boa e breve definição sobre cultura, e por consequência também de paz. Afinal de contas o resultado do que lembramos verdadeiramente após cada texto lido, cada imagem observada ou experiência vivida, é a cultura pessoal de cada um.

Como podemos difundir de forma coerente a paz neste vasto campo de transformação mental, intelectual e filosófica?
Divergência, eis aí uma boa prática para difundir boas causas e resolver problemas sociais, eu experiencio isso todo dia em minhas tarefas de trabalho e acredito que nas relações interpessoais também possa ser eficaz. O Pensamento Divergente consiste em gerar o maior número possível de soluções para um problema e resolvê-los de preferência de maneira criativa, em oposição ao Pensamento Convergente, por exemplo, que consiste encontrar uma única e apropriada solução a um determinado problema.
Quero ser bastante otimista sobre isso, espero que as pessoas despertem desse sono apático ou pesadelo social atual.
Aspiração: uma sociedade inclusiva, pensante, mais curiosa, onde a cultura fique a serviço da melhoria e aprimoramento do que podemos denominar segundo Émile Durkheim como Consciência Coletiva por exemplo. Para Durkheim o indivíduo, em muitas de suas práticas, é influenciado pela sociedade em que está inserido.
Em outra ocasião, lembrei que reli os textos do físico Fritjof Capra, sobre a relevância do que denomina como visão sistêmica da vida, onde todos os seres e elementos do planeta constituem por este seu prisma, um complexo sistema vivo. Do grego, a palavra sistema significa “colocar junto”, portanto, a visão sistêmica das coisas diz respeito a colocá-las dentro de um contexto e estabelecer qual a natureza das suas relações; também aborda tudo isso como uma grande Teia da Vida.

Como você descreve a cultura de paz e sua influência ao longo da formação da sociedade brasileira/humanidade?
Por experiência própria, boa parte do meu estudo e desenvolvimento cultural iniciou através de recursos resultantes de políticas públicas. Mais ou menos aos 12 anos, enquanto concluía o ensino fundamental me foram importantes as Escolas Sociais (SESI) e programas culturais em parceria com bibliotecas e prefeituras municipais, onde havia inclusa na sua rotina de execução horários para tema de casa para os adolescentes, arte, esporte e até redação para os integrantes deste sistema. Acredito que neste âmbito semanal, certamente boa parte daqueles estudantes guardou algo de relevante para sua vida pessoal, referente a esta experiência social.
Acredito que estes programas resultantes das políticas públicas são criados como resposta do Estado às demandas que emergem da sociedade e do seu próprio interior, o que demonstra a expressão do compromisso público de atuação numa determinada área em longo prazo.
Infelizmente, em nosso país, esta “formação” social ainda é deficiente, os limites entre os direitos individuais e coletivos ainda não são muito claros para a maioria das pessoas, principalmente neste cenário político atual, onde boa parte dos governantes incita o caos social através dos próprios preconceitos individuais.  Até mesmo as decisões consideradas extremamente individuais são influenciadas pelas condições sociais; vale pensar que talvez a possível causa para o aumento da violência urbana seja a falta de um encaixe do torturador, e da própria vítima entre as representações individuais e coletivas de uma sociedade bastante individualista.

A cultura, a educação liberta ou aprisiona os indivíduos?
Impossível descrever este item sem citar o educador Paulo Freire, ao qual dedicou bom tempo aos estudos sobre o potencial da cultura como instrumento de libertação, buscando desencadear ações culturais visando à inserção dos sujeitos (indivíduos) na realidade para transformá-la, tomando como ponto de partida a realidade local para o processo de alfabetização, que tinha por finalidade desenvolver a consciência crítica, a formação do sujeito ativo e comprometido com o processo social e histórico. Freire inclusive chama atenção para o processo educativo proveniente das lutas dos movimentos populares, pautados nos saberes vivenciados na prática social. Saberes que são culturais e envolvem o corpo inteiro, ou seja, a consciência e o corpo, a razão e a sensibilidade. Saberes da cultura popular expressos pela oralidade, pelo corpo, pelo olhar, pelos gestos. Fiz questão de adentrar nestas linhas sobre o gestual porque se encaixa perfeitamente com o meu desenvolvimento artístico e técnico do desenho:
Veja que a mão humana é tremendamente cultural. Ela é fazedora, ela é
sensibilidade, ela é visibilidade; a mão faz proposta, a mão idealiza, a mão pensa e
ajeita. E eu faço ênfase nesses movimentos pelos quais o corpo humano vira corpo
consciente. O corpo se transforma em corpo perceptor. E ele descreve, ele anota que,
em sua transformação, a vida social está mudando também. O corpo age e, durante
suas atitudes, ele desaninha de si e de suas relações o conhecimento sobre a vida
[…] O corpo expressa suas descobertas, esse corpo se agrupa em um grupo e se
expõe em movimentos sociais. (FREIRE, 1976, p. 34).

Comente sobre o espaço digital, destacando sua importância na difusão do despertar da humanidade.
Impossível estar mais satisfeito com a totalidade da comunicação atual do que com o espaço digital do momento. Graças aos adventos desta, a sociedade de certa forma, mais especificamente os educadores, revitalizam as suas técnicas e dissipação do conhecimento de modo a alavancar a nova velocidade destas trocas sociais. Quero descrever este tópico com um grande trecho de Voltaire, em Cândido ou O Otimismo, onde o mestre descrevia pacientemente ao seu aprendiz sobre a imensidão e a resolução das coisas. “Está demonstrado que as coisas não podem ser de outro modo: pois, tudo tendo um fim, tudo concorre necessariamente para o melhor fim. Observe bem, os narizes foram feitos para usar óculos, e por isso temos óculos; as pernas foram visivelmente instituídas para vestir calças, e por isso temos calças. As pedras formadas para ser talhadas e para construir castelos; por isso, monsenhor tem um belo castelo: o maior barão da província deve ser o mais bem alojado; e os porcos tendo sido feitos para ser comidos, comemos porco o ano todo; portanto, aqueles que afirmaram que tudo vai bem disseram uma tolice: deviam ter dito que tudo vai da melhor maneira possível.” — Ficou curioso com a resolução deste pensamento? Vide esta obra, conquanto isso não acontece, escrevo para quem leu até aqui que arrisco o palpite de que o ambiente digital está para a melhoria do aprimoramento intelectual tal qual grande parte da ironia “otimista” do personagem do trecho acima (risos). Em miúdos, temos uma ferramenta de grandes possibilidades (WEB); com maior humor ainda: Grandes poderes, Grandes responsabilidades, ahaha.
 
Qual mensagem você deixa para a humanidade?
Parafraseando Oscar Wilde num livro de grande relevância pensante pra mim, em A Alma do Homem Sob o Socialismo, nos diz que, as emoções do homem são despertadas mais rapidamente que sua inteligência; ressaltando também em um ensaio sobre a função da crítica, que considera bem mais fácil sensibilizar-se com a dor do que com a ideia. Esmiuçando isso, quero propor a reflexão sobre empatia, de preferência social; parece que as pessoas estão mais interessadas, por exemplo, em manter viva a pobreza do que fazer desaparecer a fome, numa teoria ainda mais assustadora, parece que o mais importante é entreter a realidade do pobre.
Tudo bem, afora minha introdução como referência de leitura um tanto socialista, vale registrar que me interesso muito mais pela centralização política nos verdadeiros valores e necessidades humanas da população do que deixar tudo isso simplesmente explícito por uma escolha de eixo partidário, encarado muitas vezes como opostos, no país inclusive assemelhado a disputa de times de futebol. Acredito que um indivíduo ou grupo em particular possa eventualmente assumir uma posição mais à esquerda sobre uma resolução e uma postura de direita ou até de extrema-direita noutras, o importante pra mim é o resultante social destas escolhas realmente políticas, ao invés da politicagem.
Como quem realiza o desfecho de uma história na literatura quero deixar as últimas frases um tanto mais otimistas. Abro discussão para que se pense mais sobre solidariedade, mas não somente aquela ao qual qualquer um pode se sentir solidário ao perceber a dor sofrida por um amigo, afinal a forma de solidariedade mais ampla exige um maior grau de altruísmo, em outras palavras, poderíamos ser solidários com a vida em sua totalidade, não apenas na dor e na doença, mas também na alegria, na beleza, na energia, na saúde e na liberdade de expressão desses mesmos amigos.
Afinal de contas, acredite, há tanta beleza em fazer parte dos projetos pessoais e profissionais de cada boa pessoa, que o resultado deste empenho nosso pode trazer algumas boas surpresas. Já experimentou descobrir os assuntos que emocionam as pessoas interessantes? Experimente, quer uma boa motivação pessoal pra isso? Lá vai, — São desses INSIGHTS durante um café que muitas movimentações culturais e individuais advém com plena capacidade criativa, afinal de contas, como expressava o velho Monteiro Lobato, Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê; — ahahah.
Dhiogo J Caetano
Enviado por Dhiogo J Caetano em 31/08/2019
Reeditado em 31/08/2019
Código do texto: T6733839
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Dhiogo J Caetano
Uruana - Goiás - Brasil
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