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Os projetos para o futuro de uma jovem agricultura

Entrevistei no final de 2016 uma jovem agricultura, aluna do Serta (Serviço de Tecnologia Alternativa). Essa escola, localizada no estado de Pernambuco, possui unidades em Glória de Goitá e Ibimirim, desenvolve atividades com jovens agricultores familiares e agentes de desenvolvimento local e de agroecologia.

A instituição, através de seu curso de formação, tem como objetivo principal formar profissionais habilitados para atuar no âmbito pessoal, social, tecnológico e produtivo; nas áreas de gestão, planejamento, assistência técnica e extensão rural.

Para fins de registro, vou deixar algumas das partes que considera mais importantes da entrevista, logo abaixo.

Entrevistador: Qual foi o principal motivo de você fazer o curso no Serta?

Alícia: Desenvolver as tecnologias alternativas na minha propriedade e eliminar o uso de agrotóxico. Pra melhorar lá [estabelecimento produtivo] mais em questão até de saúde e alimentação mais saudável. Sem precisar tanto ficar comprando no comércio.

Entrevistador: E na sua opinião do Serta difere das escolas convencionais?

Alícia: Porque o Serta ensina na prática. Não é aquele padrão de ficar só na sala de aula. Ele deixa você bem a vontade. Expressar o meu sentimento. Valoriza a bagagem que você traz.  O seu conhecimento.  O que é diferente de algumas instituições. Que só é aquele ensino convencional.

Entrevistador: Mais algum motivo que você acha que diferencia?
Alícia: No momento em pensamento só esse. Esse é o que mais se destaca no meu ponto de vista.

Entrevistador: E qual tem sido a contribuição do curso pra sua vida?

Alícia: Eu mudei. Mudou minha forma de pensar em alguns sentidos. Em olhar mais pra natureza.  E ver... Valorizar as coisas mais simples.

Entrevistador: E como seus saberes e fazeres no campo estão sendo aproveitados pelos professores e educadores do Serta?
Nas aulas sempre.

Entrevistador: E de que maneira que são aproveitados que você acha?
Alícia: Em tantos momentos da aula são... Contribuintes.
 
Entrevistador: Certo. Pela maior parte dos professores ?
Alícia: Sim. Acredito que com todos.

Entrevistador: Com todos?

Alícia: Isso.

Entrevistador: E quais são suas principais dificuldades encontradas ao longo do curso?

Alícia:  As principais dificuldades... Ainda existe algumas. É... Aplicar tudo na propriedade está sendo dificultoso. Vai se ampliando aos poucos.

Entrevistador: Alguma outra dificuldade ?

Alícia: Por enquanto essa... De aplicar na propriedade.
Entrevistador: É. Como sua família exerce suas atividades agrícolas lá no estabelecimento produtivo?

Alícia:  Ainda no mesmo padrão como sempre. Na base da enxada. As vezes... É só isso mesmo. Meu avó que cultiva lá. O meu tio também auxilio.  No manejo mais simples. Cultivamos lá, a laranja, limão  e está sendo simples. Da forma mais simples possível.

Entrevistador: E como a pedagogia de alternância tem pode contribuir pra sua formação?

Alícia: Em tudo. Acho que contribui em tudo...  Poder aplicar, passar os conhecimentos lá na minha comunidade. Pra o conhecimento não ficar só comigo e com minha família e passar pro pessoal também.  Pra todo mundo.

Entrevistador: E como tem sido a experiência do tempo comunidade do curso na propriedade da sua família ?

Alícia: É... Você passa a observar mais sua propriedade... Ver erros onde você nem imagina que tinha. É praticamente... Eu não sei nem te explicar é uma coisa bem incrível. Porque passaram atividades pra contar quantas fruteiras tinham na propriedade e eu fiquei assim... Eu não imaginava. Eu fui lá contar tudo e não imaginava a quantidade de coisas que tinham. Então nos motiva a observar mais a nossa propriedade.

Entrevistador: Certo. E ao utilizar as técnicas de permacultura que estão sendo aprendidas no curso houve alguma melhoria pra sua vida, família e na propriedade?

Alícia:.  Em um sentido de não usar agrotóxico. É... Ver que nada se desperdiça. Isso é a permacultura... Utilizar tudo que a natureza nos oferece. Buscar os mínimos recursos tecnológicos possíveis... Utilizar à natureza.

Entrevistador: E já deu pra colocar algo em prática lá na propriedade?

Alícia: Atualmente... eu fiz... Por enquanto eu só fiz uma irrigação de gotejamento. Pretendo avançar mais.

Entrevistador: Certo. E na sua opinião em que sentido a agroecologia pode contribuir pra uma nova prática de fazer agricultura e de se viver no campo?

Alícia: A agroecologia acredito que era pra todo mundo conhecer. Porque é uma coisa essencial.  Poxa! Eu fico imaginando como é que eu não conheci isso aqui antes.  Porque é fan-tás-ti-co. Agroecologia é saúde cara. Eu acho que é... Envolve muita coisa. Muita positividade.  É inexplicável. (Risos).

Entrevistador: E ela contribui pra uma nova forma de se viver no campo ?

Alícia: Com certeza! Sem dúvidas... Sem dúvidas nenhuma. O primeiro de tudo é o agrotóxico. Sim que... Por ser... Você imagina aquilo que tá no seu alimento tal... E que causa várias coisas... Muda... A forma de pensar. Com certeza ao conhecer a agroecologia muda tudo.

Entrevistador: E que profissão você gostaria de exercer no seu futuro?

Alícia: Eu tenho muita vontade de cursar jornalismo. Muita vontade... É isso. Mas, estou apaixonada pelo agroecologia. (Risos). Literalmente...
Entrevistador: E em que lugar você gostaria de viver no futuro?
Alícia: No campo. Não quero sair de lá [região em que ela vive].

Entrevistador: Certo. E é possível permanecer na sua região pra realizar o seu projeto profissional ?

Alícia: Sim. Sem dúvidas.

Entrevistador: Por qual motivo você acha que é possível ?

Alícia: Por vários motivos. Eu acredito que apesar de ter agroecologia, mais ainda precisa ter uma valorização do campo. Eu acho que ao longo do tempo a gente vai conseguir isso porque somos nós do campo que alimentamos o pessoal da cidade. Então tem que ter essa valorização. Sem dúvida nenhuma. E agente vai conseguir isso. A gente vai avançar mais em relação a isso.  Tenho certeza que vou conseguir me realizar na minha profissão no campo sem precisar sair de lá [do estabelecimento produtivo]. Eu não quero sair de lá. E não vou precisar sair de lá.

Entrevistador: E o que é necessário pra realizar o seu projeto profissional?

Alícia: Motivação. Acho que você tendo força de vontade é só ir atrás que consegue. Sem papas na língua, sem pensar negativo.

Inã Cândido
Enviado por Inã Cândido em 30/11/2019
Reeditado em 30/11/2019
Código do texto: T6807135
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Inã Cândido
Recife - Pernambuco - Brasil, 35 anos
275 textos (55044 leituras)
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Inã Cândido