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Salvador Picuinha, entrevista com o Dj Valadão e Mc. Prestígio

Salvador: Vou ter que falar na gíria e deturpar meu português... Isso não dá audiência.

DJ: Qual é, Salvador? Ta querendo marginalizar a parada. Nosso movimento é consciente, antenado com a evolução humana e tecnológica, sem preconceito, sem radicalismo, politicamente correto e ativamente participativo.

MC: Salve comunidade. Salve, Salvador.  Os manos e as minas, guerreiros do Hip Hop, zona leste, Elite funk, salve!

Salvador: Bem, como surgiu os “dois de nós” e em que difere dos demais?

DJ: Surgimos de uma difusão, ou melhor, confusão. Éramos seis; eu, o Prestígio, o Ouro Branco e o mano Diamante Negro, os falecidos Chokito e Galak, todos do grupo de samba “Sempre nós”...

Salvador: Puxa! Pensei que o nome do grupo era “caixa de bombom”.

DJ: Sem gracinha, mano.
Continuando... Brigamos, então, o Diamante Negro e o Ouro Branco, viraram sertanejos e desapareceram pelo interior de Sampa. Resolvemos assumir o Hip Hop.

Salvador: Ouvindo o 1º cd de vocês, percebi uma leve queda para filosofia rap do Gabriel Pensador, letras bem construídas, sem o apelo pragmático das minorias.

MC: Verdade. Quem ouve a letra da música, “dê lixo ao lixo”, logo percebe a importância que damos ao meio ambiente e encorajamos a juventude a enfrentar esse caos político, comumente no País.

DJ: É o nosso grito de alerta, ainda podemos vencer essa batalha contra o mal.

Salvador: Vocês deixam isso muito claro na música “precisamos crescer”.

DJ: Nossos jovens estão caminhando por estradas escuras. Falta oportunidade de emprego. O sistema educacional está estagnado, na periferia a cultura é um artigo de luxo e a pratica de esporte, idem... É o campinho de terra ou nada.

Salvador: De quem foi à idéia de escrever a música “Agora eu posso”?

MC: Esta letra surgiu naturalmente durante a propaganda eleitoral gratuita. Fala sobre o voto aos 16 anos, da falta de interesse do jovem pela política brasileira.

DJ: Muitos deles; meu amigo Salvador, acaba vendendo este primeiro voto em um trabalho de boca de urna, recebe uns trocados, um lanche e uma camiseta.

Salvador: Este 1º cd tem o titulo de “Falácias do silêncio”, que também é a faixa de nº 07. Parece-me muito filosófico... Como torna-lo vendável, neste mercado musical tão acostumado com hits populescos.

MC: Bom a faixa de nº 08, foi uma exigência do nosso produtor e embora não tenha conteúdo; na visão dele, é o combustível que alavanca o mercado fonográfico.
_ Solta, Dj.

(introdução...) menina levanta a mão/
pra provar que é funkeira/
vai descendo até o chão...
Chão, chão, chão/ chão, chão, chão.

Bota a mão nessa cintura/
Pra fazer bundalêlê/
Que a galera ta vibrando/
E eu to ligado em você.

DJ: Ta vendo. É disso que eu estou falando. Minha mãe fica horrorizada.

Salvador: Entendo. Agora, para encerrar; manda os seus finalmente, Valadão.

DJ: Galera, é o seguinte: Somos a embalagem que vestimos, é possível demonstrar as dificuldades de nossa gente, de forma inteligente e sem apelação.

Salvador: É com você, Prestígio.

MC: Concordo com o Valadão. Temos grandes valores escondidos nas periferias; músicos, atletas, líder comunitário, – Mv. Bill é meu herói – porém, é preciso uma revolução educacional e cultural, para que esses valores possam figurar nas comunidades e sejam efetivamente um bom exemplo aos demais.

DJ e MC: Valeu galera! Aquele abraço. Salve, salve.

Salvador: Mais uma vez, direto da Algazarra Brasil, para o coração de todos vocês... Bye!



Nota do autor: (Os personagens deste texto são fictícios, qualquer coincidência será apenas uma mera coincidência. Ao citar, MV. Bill e Gabriel Pensador; quero deixar claro a admiração e o respeito que tenho por estes grandes artistas. O  texto não tem o objetivo de desqualificar qualquer artista do movimento Hip Hop).


 
Sandro Colibri
Enviado por Sandro Colibri em 28/11/2007
Reeditado em 28/11/2007
Código do texto: T756801
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Sandro Colibri
São Paulo - São Paulo - Brasil, 46 anos
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