Apelo a JOSÉ CAMBINDA DALA *

Pois diz
se o mar
daí

da
Luanda
é verde,

azul,
que tom
há de

ser.
Daí
veio

gente
que sem
querer

fez o
povo
deste

Brasil.
Bom foi
a nós,

os
de cá,
hoje,

se bem
sabes.
Parte

do que
aqui
se sabe

e torna
belo
este

Brasil,
veio
das

terras
daí.
Erro

feio
foi
o modo

como
vieram.
À força

bruta,
vieram.
Mas o

nosso
saber
tem a ver

com
os que
daí

vieram.
Comer,
beber,

falar,
cantar,
dançar,

vestir
nosso,
tem a ver

com o que
é vosso.
Brasil,

humor
de tal
riso,

herdou
daí.
Hoje,

aqui
é momo.
Luanda,

anda
Brasil
com teu

som,
ritmo...
Samba!

Ó, poeta,
faz
mindim

sobre
nós,
ainda

que
em vós
haja

nós.
A nós
apraz

que a vós
venha
paz,

rico
porvir.
Assim,

diz em
mindim
o que

achas
de nós
mesmo

que teu
canto
ou teu

verso
seja
feito

d'águas
das
mágoas.



Ó, poeta, faz mindim sobre nós, mesmo que o sentimento sobre o Brasil não seja positivo. Sobre mim, devo dizer que meus ancestrais foram sempre anti-escravagistas e republicanos. Por tal motivo, minha tetravó e meus tios foram perseguidos, ao ponto do exílio, da prisão e de outros castigos por Pedro I do Brasil ou Pedro IV de Portugal.


Alfredo Duarte de Alencar
Enviado por Alfredo Duarte de Alencar em 02/02/2013
Reeditado em 02/02/2013
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