Tísica Mata POETA

Lá quando a tísica
Matava a lírica,
Amor? De vera!
Ah! Quem me dera
...tempo volver.

Mas sem tal doença
Que, sem valença,
Vates ceifava,
Cedo levava
...tanto saber.

Amor romântico,
Mui farto em cântico
Sob a janela.
Infanta bela
...ah! tudo a ver.

As jovenzinhas,
Já pré-viuvinhas,
O peito arfando
Pois que amando
...muito a querer.

Tal menestrel
Traz do bordel
Cancro de sífilis,
Vomita biles
...a não poder.

Poeta moço,
Dela, o colosso,
Versos declama,
Juras derrama
...ela a arder.

Dali a pouco,
Febril e rouco,
Na madrugada,
Morte espreitada
...o que fazer?

A medicina
Bem pouco atina,
Não traz a cura
Resta loucura
...no fenecer.

Se bem não mata,
Doença é farta,
Anda à espreita,
Então deleita
...resto em prazer.

Se mal respira,
Muito se inspira
Vate de antanho.
Parece estranho
...versa a jazer.





Alfredo Duarte de Alencar
Enviado por Alfredo Duarte de Alencar em 14/05/2013
Reeditado em 16/05/2013
Código do texto: T4290779
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