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Por quê?

Meu quarto estava escuro, como de costume. Minha cortina improvisada com um cobertor, onde tem um leão me observando, aliás, pensando agora é um olhar focado. Me sinto como uma presa, mas isso só funcionaria se o leão fosse o amor. É aí que eu entro, melhor, é aí onde elas entram. Com “elas” entendam todas as pessoas que amei. Não são muitas, duas ao total. Amores diferentes, não em sentimento e sim em tempo.

O jazz toca meio alto enquanto eu escrevo isso, talvez algum dia eu não seja tão sentimental ao ponto de despejar letras cheias de alguma coisa que não sei se fazem sentido. Digo ser arte, mas não sei ao certo se é. Meu ponto é que tenho muito a falar, talvez para meus amores ou para o que sou. Para mim mesmo! Só que algumas vezes isso entala na minha imaginação e só observo borboletas saírem da minha cabeça e pousarem em outras coisas. Borboletas, de todas as cores, tamanhos e formas. Elas até voltam às vezes, mas na maioria do tempo só voam para longe e me deixam aqui, aberto de sentimentos. Com a poesia cravada no coração e as mãos presas segurando as lagrimas que forçam para sair. Eu me seguro!! Levo as mãos ao teclado e volto a escrever, seja lá o que isso signifique para alguém. Eu busco inspiração na minha vida, talvez seja por isso que a tristeza me afoga como se eu estivesse eternamente no mar morto. Mas não o do Oriente Médio e sim o do meu corpo.

Eu me pergunto agora, por quê?!? Por que todas as almas que amo vão embora de alguma forma?! Talvez seja culpa minha, não excluo essa possibilidade. Sou feito de erros. Sou meus erros e vivo todos os dias eles. Mas no momento eles, meus erros, estão saindo pelas minhas lagrimas. Me liberto de uma sensação de impotência, de ver algo correr de mim e não poder fazer nada. De ser estatua enquanto tiram uma foto comigo. Tranco minha respiração para quem sabe... não, não adianta. Não tem como escapar dessa corrida com o sofrimento. É isso, é uma corrida. Partem os dois do mesmo ponto: amor e sofrimento. Quem vai ganhar a gente nunca sabe. Mas talvez, no meio do caminho, alguém desista ou quem sabe os dois. Ai o amor e o sofrimento conversam e formam o arrependimento.

- Poderíamos ter sido algo, poderíamos ter... poderíamos...
- Mas não somos!
- É, poderíamos ter sido tudo, mas acabamos nos tornando o vazio.

Então o que sobra são palavras de um adeus que não consola, talvez venhamos a sofrer mais, talvez vá doer na quantidade que uso talvez e quem sabe, é tudo um caos. Só não podemos nos deixar levar pelo sofrimento que certamente vai chegar. Só deixa! Deixa tudo para lá e volte aos seus dias parados sem um amor. Dias que buscamos movimentar, mas acabamos voltando a eles. Então me pergunto de novo, por que as almas que amo me abandonam?!? Talvez eu que não saiba amar.
Kevin Machado
Enviado por Kevin Machado em 24/01/2018
Reeditado em 24/01/2018
Código do texto: T6235217
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Kevin Machado
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, 20 anos
13 textos (260 leituras)
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Kevin Machado