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Camaradagem ( TRADIÇÃO POPULAR)

Camarada pardinha fez seu ninho no galho mais fino no topo da árvore para ninguém ousar mexer com ela e seus filhotes.
Um certo dia, camarada onça passa debaixo e sentiu o cheiro de vivente nascido, olha para cima e ver o ninho, reconheceu a mãe e disse:
- Camarada Pardinha, bom dia!
E foi logo bem direta:
- Joga um dos teus filhos se não, subo aí como tu e eles!
Camarada pardinha quieta estava e quieta ficou escutando aqueles insultos.
- Joga um dos teus filhos se não, subo aí e como tu e eles! – Insistiu a onça maldosa.
A mãezinha ficou aflita e começou a chorar.
- Joga um dos teus filhos se não, subo aí como tu e eles! Gritou a malvada onça.
Sem nada a fazer a pombinha fogo-pagô, pegou um filhote pelo bico e jogou de cima para baixo.
A onça abocanhou o filho em uma mordida só, e o engoliu e disse:
- Pensei que não ia me obedecer. Amanhã eu venho de novo e se não me der outro, subirei aí comerei tu e eles!
Naquele dia camarada pardinha passou o dia todo muito triste, chorosa e quase não saía do ninho para buscar alimentos pro seus dois filhotes que estavam no ninho, mas resolveu sair e logo trouxe o papo carregado de sementes a seus bebês passarinhos e foi rapidamente colocando no bico dos inocentes famintos o alimento que ia torná-los grandes e fortes.
Chorosa estava aquela mãe ainda abalada pelo afronto da onça, nesse momento pousa na árvore camarada Cancão, vê- la chorando e pergunta:
- O que houve camarada Pardinha? Por que está chorando?
-  Foi camarada onça que cedo me afrontou dizendo que se eu não jogasse um dos meus filhotes ela subiria aqui e comeria eu e eles.
- E o que você fez?
- Joguei um... E disse que amanhã passará de novo, vai pedir outro e se eu não jogar subirá aqui e vai nos comer!
Camarada Cancão com sua astúcia a alertou:
- Camarada Pardinha, você foi boba demais, você sabe que ela não sobe em árvore reta, muitos menos chegar aqui no topo, estes galhos nem suportam nosso peso imagine daquela malvada trapaceira. Quando ela chegar amanhã e fizer medo a você diga a ela – Tu não sobes, tens o pé redondo!
Dito e feito, deu certo. Ela passou e como havia dito insistiu:
-   Oi!  Joga um dos teus filhos se não, subo aí como tu e eles!
E a resposta estava na ponta da língua ou do bico, não sei!
- Tu não sobes, tens o pé redondo! KKKKKKK
- Quem te disse?
- Camarada Canção!
- Destá, ele vai me pagar.
Camarada onça foi pra casa, fez uma arapuca, armou-a, colocou milho e ficou esperando a presa.
Camarada Canção que se achava astucioso, mas faminto, viu comida fácil, pulou de galho em galho, e cantando dizia:
- Aqui tem milho! Aqui tem milho!
Câmara bem-te-vi cantando o alertava dizendo:
-Tu não entra! Tu não entra.
Ele desceu até o chão, olhou para um lado, para outro e dirigiu-se a armadilha foi caindo de bico, a arapuca desarmou e ele ficou ali preso. Mais tarde a onça chega ver a sua presa naquela situação de prisioneiro e retruca:
Ah! Seu ordinário foi você que disse pra camarada Pardinha que eu não subia na árvore porque tinha o pé redondo? Pois vou te comer!
Saiu com ele na boca em direção a sua casa caminhando pela floresta.
Camarada Cancão teve um ideia e muito calmo disse a camarada onça:
- Camarada Onça você, pode passar beirando aquele campo? É que lá tem uns meninos jogando bolo e eles vão nos ver e dizer:- Olha Camarada Onça com Canção na boca! Aí você responde.
Assim fez ela, passou beirando o campo e os garotos admirados disseram:
-Olha Camarada Onça com Canção na boca!
Ela respondia com a boca fechada e não dava pra entender bem.
- Né de tua conta com os dentes cerrados.
Camarada Onça, eles não estão entendendo, fale melhor.
-Olha Camarada Onça com Canção na boca!!!! Eh!!!
Ela resolveu atender o pedido do Camarada Canção e falou de boquiaberta mesmo!
- Não é de tua conta!
O camarada Canção aproveitou a oportunidade e voou da boca da onça, sentou-se no galho de uma árvore do lado e debochou da onça:
- Você não sobe! Não tem asa! Tens o pé redondo!
WALTER BERG
Enviado por WALTER BERG em 16/01/2019
Código do texto: T6552273
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Sobre o autor
WALTER BERG
Caxias - Maranhão - Brasil, 42 anos
49 textos (4129 leituras)
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WALTER BERG