TU e VOCÊ se confundem

 

A conjugação verbal do modo imperativo no português moderno, às vezes, incomoda quem conhece a gramática tradicional, principalmente quando se trata do uso de TU e VOCÊ.

Por exemplo:

1. Se VOCÊ quiser saber melhor sobre o fato, LEIA este livro.

Usou-se o tratamento você (3.ª pessoa) e o verbo ler na 3.ª pessoa do modo imperativo. Houve uniformidade.

2. Se TU quiseres saber melhor sobre o fato, este livro.

Usou-se o tratamento tu (2.ª pessoa) e o verbo ler na 2.ª pessoa do modo imperativo. Houve uniformidade.

Porém, é comum que essa frase apareça assim:

3. Se VOCÊ quiser saber melhor sobre o fato, este livro.

Usou-se o tratamento VOCÊ (3.ª pessoa) e o verbo ler na  2.ª pessoa, tu.

Neste caso, não houve uniformidade de tratamento, o que não é tolerado
pela gramática tradicional.

Outro exemplo:

Já TE disse várias vezes: SAIA daí!

Usou-se o tratamento TU/ TE (2ª pessoa) e o verbo sair na 3ª pessoa do modo imperativo, você.

 

O português moderno permite que se escolha livremente o tratamento indiscriminado por tu ou por você. Nas gramáticas tradicionais, são duas formas igualmente corretas para tratar a segunda pessoa do discurso:
1.ª pessoa: quem fala (eu-nós)
2.ª pessoa: com quem se fala (tu-vós, você-vocês)
3.ª de quem se fala (ele-eles, ela-elas).

Embora tu e você se refiram à segunda pessoa do discurso, TU pertence à 2.ª e VOCÊ pertence à 3.ª pessoa gramatical, exigindo as formas verbais e os pronomes respectivos.
 

O rumo evolutivo da língua aponta a supremacia absoluta do VOCÊ sobre
o TU.
Assim sendo, as pessoas verbais ficam reduzidas, na prática, a:
eu
ele(a), você
nós
eles(as), vocês