EU - Florbela Espanca
 
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
 
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida...
 
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...
 
Sou talvez a visão que alguém sonhou.
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

                         

 

Florbela Espanca, batizada com o nome Flor Bela Lobo, foi uma poetisa portuguesa. Florbela escrevia poesias, contos e colaborava com revistas e jornais, além de ter sido a grande precursora do movimento feminista em Portugal. Nasceu em 1894 e faleceu em 1930. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade.

FLORBELA ESPANCA
Enviado por Orpheu Leal em 03/04/2014
Reeditado em 04/04/2014
Código do texto: T4754971
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