Minhas 60 primaveras
 
     Para uma infinidade de pessoas este é um dia comum, mas para mim não é um dia qualquer... É com muita alegria que nesta data completo 60 anos, parece brincadeira, mas é mais que meio século de vida. Não me sinto perdida no tempo porque o tempo não teve tempo para deixar suas marcas profundas em mim, e sabem por quê? Porque durante todos esses anos fiquei brincando de esconde-esconde, eu e o tempo.
 
     Há pessoas que dizem que o tempo se perdeu no tempo e calculou meu tempo errado, mas a verdade é que acabo de ser tutelada pela Lei nº 10.741 de 1º de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Assim, alcancei alguns privilégios como: estacionamento exclusivo nos shoppings, caixas especiais nos Bancos, isenção de filas, pagamento de meio ingresso nas casas de espetáculos, etc. Mas, o maior privilégio mesmo é o fato de estar viva para desfrutar do carinho de todos que fazem parte da minha história.
 
     Ao nascer, perdi o aconchego, a segurança e a proteção do útero de minha mãe; a partir de sete anos, minha mãe se foi, e eu, passei quase que a viver por minha conta, nos braços do mundo que, da mesma forma que me acolheu, muitas vezes me assustou. Hoje fiz minhas contas e descobri que terei menos tempo para viver daqui pra frente do que já vivi até agora; que tenho mais passado do que futuro; que nenhum instante da minha vida se repetirá e que jamais terei uma nova oportunidade para viver o atual momento.
 
     Li bastante em minha vida e lembro que Fernando Pessoa disse que “O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela”, por isso, só tenho que olhar para trás com gratidão e para frente com muita fé. Escrevi hoje este texto para lembrar o que me resta e celebrar o presente sem nenhuma pressa e com muita alegria. Quero levantar um brinde à vida, fortalecer-me de boas lembranças e reestruturar um novo dia, sem me preocupar com o que se foi ou com o que virá.
 
     Aos 60 anos intelectualmente minha vida melhorou, mas do ponto de vista físico nem tanto. Embora eu tenha um espírito jovem, sinto falta da energia dos meus vinte anos para fazer frente a modernidade, certifico-me também que uma série de decisões não poderá mais esperar, que essa idade tão fugaz na minha vida hoje se chama “Presente” e tem a duração do instante que passa... Estou envelhecendo, mas a velhice é um processo natural, indiscutível e inevitável para qualquer ser humano na evolução da vida, por isso, aceito as mudanças biológicas, fisiológicas e econômicas que compõem o meu cotidiano.
    
     Quero envelhecer com dignidade e, sobretudo com sabedoria... Quero me tornar mais amável para mim, menos crítica de mim mesma e ser a minha melhor amiga. Jamais brigarei com o tempo, o tempo que vivi é o relicário onde guardo minhas experiências que poderão ser úteis para os que dependem da minha orientação. Com Cora Coralina, aprendi que o saber a gente aprende com os mestres e com os livros; que a sabedoria se aprende com a vida e com os humildes, assim, aprendi também a gostar de mim, a me cuidar e principalmente, a gostar de quem gosta de mim... Minha família, meus confiáveis amigos e... pessoas que me conhecem através das letras, pois uma das coisas que adoro fazer nesta vida é escrever, escrever e escrever.
 
     Com Chico Xavier, aprendi que não posso amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amiga mais ou menos, ter fé ou acreditar mais ou menos, senão corro o risco de tornar-me também uma pessoa mais ou menos, por isso, quero continuar ser plena e verdadeira por inteiro. Agradeço a Deus por todos os anos de minha vida, por meus cabelos grisalhos, pelos risos da juventude e pelos sulcos profundos da velhice que ficarão gravados em meu rosto e em meu corpo. Agradeço também por toda felicidade a mim permitida e por ser hoje uma SEXAGENÁRIA, mas com disposição para viver mais uns 40 anos se Deus quiser! Então, só me resta dizer para mim mesma: FELIZ ANIVERSÁRIO NORA!
     
     Hasta la vista Baby!
Aronedla
Enviado por Aronedla em 23/05/2014
Reeditado em 26/05/2014
Código do texto: T4817731
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