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PAPAGAIOS ME MORDAM (*)

Sou filmaker independente e foi em Nova York, numa escola muito legal, rápida e eficiente de cinema, que me formei.

Depois que cai na real, costumava folhear, nas livrarias, um jornal chamado Back Stage, que oferecia trabalhos diversos para o sub mundo do cinema e teatro off, off, off, off Broadway.

Um belo dia vi um anúncio que muito me interessou: "Diretora procura assistente para auxiliar na edição de filme". Fiquei motivada e liguei.  Deixei meus dados na secretária eletrônica e "desencanei", pois sabia que a chance de me ligarem de volta era de 100 para 1.

Depois de uma semana, toca o telefone e uma distinta Senhora se apresenta como a diretora procurada.  Marcamos um encontro num clube de uma famosa universidade americana, dessas que a gente só entra se for convidado ou tiver o blazer com o escudo.

Dia marcado e eu estava lá.  Cheguei cedo e pedi um dry martini para relaxar.  Depois de 10 minutos entra no hall a Senhora com um chapéu panamá e fita de onça.  Em seguida, senta-se à mesa onde eu estava.  Nos apresentamos e começamos a conversar.  Ela me falou do filme e do que o mesmo tratava: uma história sobre um pássaro que sabia de atividades dos Estados Unidos com extraterrestres no México.  Achei superdivertido.  Ainda mais sendo o tal pássaro uma arara brasileira.

Primeiro dia de trabalho, primeira cena... tenho até hoje dificuldade para saber a idade de tal figura devido à quantidade de plásticas feitas em seu rosto, mas, imagino que entre 55 e 70 anos.  Senhora era superlegal, uma lady.

Segundo dia de trabalho... ainda continuávamos na mesma cena, pois além de diretora, Senhora era atriz do filme e super exigente com seu trabalho.  Sessenta "takes" para uma frase:
- Angels, what angels?

Terceiro dia... mesma cena!  No final da tarde dirigi-me à geladeira, pois Senhora havia me pedido que pegasse algumas pedras de gelo no freeser.  Quando abri a porta não acreditei no que vi:  uma arara congelada!

Meu instinto anti "serial bird killer", dizia para eu me dirigir ao banheiro, pegar um desodorante  (estava sem meu pepper spray), espirrar uma borrifada nos olhos de Senhora, destrancar a porta e sair correndo escadaria abaixo.

Entretanto, reaolvi dialogar.  Fiquei sabendo que o pássaro estava ali congelado porque morreu antes das filmagens se acabarem e enterrá-lo daria um grave problema de continuidade.

Ah, bom!

Depois do sétimo dia na mesma cena resolvi parar.  Fiquei triste, mas não dava... Já estava sabendo coisas demais sobre as experiências com os homens lagostas no subsolo do México e sem ganhar nada.  Vá que "os caras" da CIA também começassem a me perseguir e eu tivesse que fazer várias plásticas para mudar meu rosto!?
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(*) Sou novata neste "Recanto" e já havia publicado esta história na seção "contos".  Hoje descobri que há um canto especial pra quem gosta de ler e escrever coisas engraçadas e resolvi republicá-lo. Lá nos "contos" explico que esta história pode parecer fantasia, entretanto, acreditem: é a mais "pura verdade".  Aconteceu em Nova York, cidade onde vivi por 7 anos.
Fabíola Martin de Souza Carvalho
Enviado por Fabíola Martin de Souza Carvalho em 06/02/2007
Código do texto: T371633

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Sobre a autora
Fabíola Martin de Souza Carvalho
Botucatu - São Paulo - Brasil, 49 anos
9 textos (452 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/09/20 22:26)