QUEM PAGOU O PATO?


Michael, um jovem bem-nascido, freqüentador dos mais sofisticados ambientes sociais de sua cidade, não se cansava de atazanar os garçons dos bares do seu bairro e dos bairros adjacentes, sobretudo quando estava acompanhado do seu colega de colégio, o garoto Yoshio. Este era um jovem de corpo meio franzino, possuidor de um linguajar de fazer inveja e possuia hábitos e comportamentos similares aos de Michael. 

Ambos gostavam de aprontar atritos nos bares e restaurantes que freqüentavam. Geralmente, envolviam os garçons e donos dos estabelecimentos, mas quando a polícia chegava para apurar o ocorrido, eles alegavam que era apenas "bravata" e que não era do feitio deles comer e beber sem pagar.

Numa dessas bagunças encenadas numa roda de amigos, num bar cinco estrelas de um bairro mais chique que o dele, Yoshio decidiu agir da mesma maneira que o fazia na sua região e depois de sentar-se à mesa, disse em alto e bom tom:

– Hoje nós vamos comer e beber e não vamos pagar a conta, mesmo que seja acionado algum reforço policial. E continuaram a comer e a beber do bom e do melhor, ou seja, de tudo o que era servido naquele horário.

O garçom que os servia nesse bar, era um sujeito alto, de compleição física parecida com a do Mike Tysson no melhor da sua forma, apesar de meio desconfiado com o que tinha acabado de ouvir, decerto, já estava acostumado com “ameaças” semelhantes àquela; procurou não se abater, mas perguntou a um de seus colegas de profissão:

- Será que eles não vão querer pagar a conta, não? 

Sem pestanejar, o seu colega respondeu: 

- Não liga não, rapaz. Isso é apenas mais uma das "bravatas" deles! No final do expediente eles pagarão tudo direitinho. 

O garçom ainda que meio desconfiado, fez questão de exercer o seu papel de bom atendente, mas sem se descuidar dos seus clientes comilões, e já no fim do expediente, murmurou:

- Se eles não quiserem pagar a conta, eu junto eles num canto e cubro eles de porrada... nem será preciso chamar a polícia.

Dito e feito. Era chegada a hora de fechar o bar e os garotos Michael e Yoshio já estavam empanturrados, não tinham mais nenhum espaço no estômago e nem onde acomodar sobra de comida e de bebida sobre a mesa deles.

O garoto Yoshio, como de costume, quis dar uma de esperto e tentou sair de fininho. A mesma intenção tivera o Michael, afinal de contas, eles eram useiros e vezeiros em atitudes daquela natureza, mas não obtiveram sucesso.

Quando o Michael levantou-se da mesa e tentou sair sem ser notado, foi surpreendido pelo garçom que o servia, e este, de pronto, o segurou pelo colarinho e gritou num tom alto e um tanto quanto nervoso:

- Garoto, você não vai sair daqui sem pagar. Não tente me enganar, de novo. Suas "gravatas"  já são bem manjadas... Fique sabendo que não sou eu quem vai pagar o pato desta vez... 

E o garoto Michael, dotado de uma presença de espírito muito aguçada, tratou de arrumar uma saída honrosa para se esquivar daquela situação embaraçosa e esbravejou:

- Ficou louco, rapaz, solte meu colarinho, não vê que eu não estou de gravata? Quem está de gravata é o Yoshio. É ele quem vai pagar esse pato que você disse que nós comemos. O restante da despesa eu pagarei, sem nenhum problema.

Germano Correia da Silva
Enviado por Germano Correia da Silva em 01/03/2007
Reeditado em 21/05/2010
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