Patê light de fígado
(Para quem não saca chongas de cozinha)
 
Deverão ler sem anotar. Relaxem: Leiam livres, leves e soltos. Depois, se quiserem, releiam e anotem a receita. O segredo está nas entrelinhas...
 
1 - Fígado de galinha, uma bandejinha, em torno de 600 gramas
 
2 - Uma cebola ou duas (picadas)
 
3 - Dois alhos (amassados)
 
4 - Sal a gosto
 
5 - Pimenta do reino a gosto (se você não tiver hemorróidas)
 
6 - Três colheres de margarina light  (com manteiga fica uma porcaria). Uma colher é pra fritura e as outras duas pra misturar no final da coisa
 
7 - Um molho (ramo) de salsinha picada (lave as salsas, por favor). Reserve algumas folhas de salsa para enfeitar as bordas do recipiente, na hora de servir o patê
 
8 - Dois tomates sem pele. Pele de tomate se tira com o tomate espetado num garfo e colocando no fogo direto pra queimar a pele. Ela vai soltar e você coloca na água e tira a pele, entendeu?
 
9 - Corte os tomates em pedaços
 
10 - Um recipiente bem bonito para colocar o patê na hora do vamu vê pra crê
 
Tão prontos? Lavaram as mãos?
 
Pra não arder os olhos, corte as cebolas em duas partes iguais e as coloque na água por meia hora. Ela vai ficar menos ardida na hora de picar. Escorra bem a água  pra não espirrar na frigideira, na
hora de fritar.
 
Amasse o alho. 
 
Lave as mãos com desengordurante  e limão para tirar o cheiro horroroso que vai ficar. Os mais comodistas podem usar alho já picado, vendido em potinhos. São nojentos, mas, depois da
mistureba pronta, ninguém nota.
 
Numa frigideira grande ou numa panela larga ponha uma colher da margarina e a cebola e deixe fritar. Acrescente o alho a seguir, também pra fritar. 
 
Alho queima mais rápido que a cebola e, por isso, entra depois de a cebola estar mais dourada.
 
Daí, coloque os tomates picados para cozinharem no refogado.
 
Agora está na hora dos fígados, que devem ser cozidos por pouco tempo, senão vão ficar secos e duros. 
Tente fazer de uma forma que eles fiquem cozidos por dentro, mas não duros por fora. 
 
Tipo assim: Coloque esta droga toda na panela e ouça uma música inteirinha dos The Platters:
“Oh, my love, my darling...”. Quando você começar a chorar, tá na hora de apagar o fogo.

Vai se formar uma água na panela, junto com o refogado. Escorra e guarde  o caldo que foi
depositado - pode ser necessário.
 
Deixe o fígado esfriar. Ai, de você se não deixar o fígado esfriar!
 
Se achar que o fígado cozinhou demais, por causa de sua incompetência e falta de destreza, acrescente um pouco deste caldo que sobrou. Você jogou fora, idiota?!
 
Triture esta coisa, que você conseguiu fazer, em um mixer. Se colocar no liquidificador, a Copa do Mundo de  2014  estará no final até você ter conseguido limpar o fundo do recipiente.
 
O sal entra quando quiser. É melhor colocar no fígado, antes de começar tudo, para poder usar o menos possível. 
 
Quando a gente coloca o sal por final e erra, a merda está feita. Se, ao contrário, a gente colocar o sal em demasia na carne crua,  ainda haverá tempo de misturar mais água e coisa e tal, até se conseguir algo que seja suportável pelo ser humano.
 
A pimenta do reino entra por último, depois de ter sido feita a pasta. Deve ser apenas um pouquinho, pois a maioria das pessoas têm hemorróidas e ardem no final do processo, entende?

Depois, com a margarina fora da geladeira - meio mole, mas não líquida - misture (duas colheres de sopa) nesta pasta. Isso é que vai dar a liga, quando gelar.
 
Depois, coloque a cebolinha crua picada na pasta. Cebolinha em pó, de saquinho, só serve para dar aparência e tem gosto de sovaco. Vá no mercadinho e deixe de ser preguiçoso(a).
 
Está pronto o “Patê de fígado de galinha pra quem não saca chongas de cozinha”.
 
Despeje sua obra de arte numa vasilha e coloque na prateleira superior da geladeira (gela mais rápido). Quando estiver bem gelado, o patê está pronto.
 
Guarde bem vedado, sem ar, para não ficar verde por cima. De preferência, cubra a superfície com papel alumínio, bem apertadinho, para não ter contato com o ar.
 
Sabem a razão de o fígado ficar verde? Dra Leila me ensinou. É que o fígado metaboliza o sangue, transformando as hemácias em bilirrubina, que, com o ar pode tomar, o aspecto esverdeado. 

Entenderam? É como o recém-nascido que fica amarelinho (ictérico). Ele não tem o fígado ainda madurinho e não consegue metabolizar os seus glóbulos vermelhos. A bilirrubina se deposita na pele e ele fica parecendo um canário. Mas eu nunca cheguei a ver um bebê verde... Não desse planeta...

Já viram um cara com uma porrada no olho? O hematoma fica preto, depois roxo, depois verde e depois amarelo... É a mesma coisa!
Quem tem nojo destas coisas já parou de ler...
Voltando ao patê:
 
Na geladeira, este patê deve ser consumido, no máximo, em três dias. Depois disso, reze...

Quando for gente chic em sua casa, diga que é patê de foie gràs (fígado gordo). Aquele que é caro pra caramba.
 
Eles matam os gansos depois de estourarem os seus fígados com alimentos gordurosos. O fígado de galinha é mais fresco e os animais não são tão sacrificados durante sua vida, além de não ser tão gordo. 
 
Uma outra vantagem é não se ter tanto conservante neste patê - só mesmo os anabolizantes hormonais que dão para os bichos crescerem.
 
Não pensem que não comem conservantes. Tudo quanto é carne que comem em mercados tem conservantes. Se quiserem comer galinha fresca, criem um pintinho, que vai virar uma galinha ou um galo, e depois tirem o seu fígado - a famosa galinha de quintal ou galinha caipira.

Tentei fazer isto numa época. Cuidei de um pinto doente (até mamadeira de milho eu dava) e o
bicho virou um galo lindo, mas eu tive pena de matar e ele virou animal de estimação.
 
Por hora, esqueçam do que comem e entrem no clima romântico da coisa:
 
Foie gràs. Sabem como se pronuncia foie? Faça, primeiramente, um biquinho com os lábios: Fuuuuú... Depois, abram bem a boca e diga: AAAÁ.... A seguir, rosne que nem um cão raivoso e pronuncie: GRRRÁ! 
 
Paté de foie gràs! É francês! Quer coisa mais chic?
 
Coma com torradas, bolachas ou biscoito salgado. Um bom vinho tinto pra acompanhar, à luz de velas e... ripa na chulipa!
 
Beijos empastados da Menô
http://www.clubedadonameno.com

Leila Marinho Lage
Enviado por Leila Marinho Lage em 01/05/2007
Reeditado em 05/10/2009
Código do texto: T471114
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