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VIDA DE CACHORRO



Meu nome é Luiz. Estou há 25 anos na Amazônia (23 dos quais no Amazonas, e 2 no Pará). Sou descendente de alemães, nascido em Santa Catarina bem perto da Argentina e muitos me confundem com gaúcho. Para completar sou pai de 3 filhas louras e avô de 3 netas louras também. Por causa da minha maneira de vestir e o sotaque “de fora” muitos me chamam de português. Já fui confundido com judeu e até com árabe.
Neto de alemães  (nazistas, bebedores de cerveja), humilhados e tidos como idiotas e amorais na maioria dos filmes de guerra entre outros “elogios”.
Nascido ao lado da Argentina, terra cujos filhos são a bola da vez na piada dos brasileiros.
Confundido com gaucho à toda hora. (Sabe quantas piadas tem de gaúcho? – nenhuma, é tudo verdade) (- Você é de pelotas? – Sou sim, mas não fica com ciúmes que não estou exercendo)
Ser chamado de português pode ser elogio. Contudo, as piadas  “carinhosas”  que existem, só parecem carinhosas para um lado, para o outro são pejorativas.
Judeus e Árabes são outras vítimas de bombardeios vocais.
Ser pai de garotas louras é algo muito charmoso a não ser pelo fato de ter de escutar, à toda hora piadas sobre a idiotice das louras em geral. Piadas que, na maioria das vezes, revelam apenas a idiotice de quem as conta. Se uma das filhas se casasse com um japonês e outra com um preto, fecharia o círculo. Com um currículum deste eu deveria estar trancado dentro de casa, armado até os dentes, defendendo-me de pessoas que fazem gracinha comigo.
O que eu quero resumir é que não adianta combater com argumentos sociológicos. Todos podemos ser vítimas de algum tipo de discriminação. O que devemos fazer é levar na esportiva. Falando em esportes, eu aprendi  a encarar essas gracinhas com a mesma leveza como uma gozação sobre o time da gente, quando perde. Adversários não costumam elogiar quando o time rival leva a melhor.
Casos isolados como o bandido que matou por ter sido chamado de paraense, não podem ser levados em consideração.Poderia matar também por ser chamado de corintiano.
Maximizar este tipo de preconceito é fortalecê-lo, não interessa se o intuito inicial é combatê-lo.

Um grande abraço

Luiz  Lauschner
Luiz Lauschner
Enviado por Luiz Lauschner em 30/10/2007
Código do texto: T715800
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Sobre o autor
Luiz Lauschner
Manaus - Amazonas - Brasil, 65 anos
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Luiz Lauschner