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CARTA PRU CUMPADI

CARTA PRU CUMPADI

Bom dia cumpadi, Zé
Trago notícia de cá
Pois faiz bem mermu um tempin
Qui mudei pra capitá

Da outra vez que iscrivi
O causo era o do senadô
Qui num largava a cadêra
Mais que já foi e vortô

Aquele que dizia pru mundo
Parecendo um lubizomi
Que o que era dele mermu
Nenhum dos bicho daí, comi

Só sei que a tar da mocinha
Aquela que fazia jorná
Hoje tá em toda esquina
Mostrando os emborná

As coisa num mudou muito
Já dizia a Raimunda,
Na cidade onde se faiz pizza
Inté  BRA afunda

Afunda as impresa aérea
Merguia as pessoa de novo
Num trem doido que só vendo
Afiná , nóis é só povo

Cum povo se pode tudo
Pode até azucriná
Desdi que eles se esqueça
Di tudo quando fô votá

Até as nossa vaquinha
Orguio de todu minêro
Taum sendo violentada
Prus cabra  fazê dinhêru

Dinhêru sujo e ganança
Dessa gente sem pensá
Na cumida das criança
O que querem é só ganhá


Ganha dinhêro é o que importa
Num si pensa mais em nada
Podi murtiplicá  o   leite
Cum água quixigenada

Afiná num mata mermu
E ninguém vai passa má
Desdi que nóis molhe bem
As mãozinha dus fiscá

Agora tem ôtra briga
Lá dus cachorro grande
Uma tar de CPMF
Se pára, ou segue adiante

É que esse trem foi criado
Pra  atende us pobri tudin
Pru mode construí hospitá
E era só um tempin

Prumeteu pra todo mundo
O tar de Fernadu Henriqui
Qui no causo desse trem
Num tinha imposto das renda , aí cabô o xiliqui

Nus primêru tempu os bancu
Mandava uma listinha
Lá pra  elis sabê
Quantu di dinhêru tinha

Mais o tempu foi passanu
E as coisa modificô
Nas listinha os homi via
O que cada um ganhô

Agora que tá pertin
O anu das eleição
Elis qué cabá com tudu
Pra ninguein vê a começão

Pru que se a tar listinha
Continuá  acontecenu
Tudu que tive nas conta delis
Os homi fica sabenu

Aí elis fala qui é
Pru causa de nóis , o povu
Mais o qui elis qué mermu
É si protege de novu

Quem era a favô du trem
Agora virou  du contra
Eita gentinha encrequêra
Qui nos tein em baxa conta

Só pensa nus próprio borso
E nóis que se arrebenti
Desdi que elis continue
E vamo segui em frenti

Uma novidadi aqui tumein
Uma tar de tropa elite, firme chein de ação
Que mais pareci verdadi
Mas, juram que é fiquição

Liás, nesse mundo aqui
É uma coisa de doido
Sabê mermu o qui é verdadi
Pareci novela das oito

E tem ôtro assunto bão
A tar coversaum pro gaiz
Era  pro povo fazê...
Agora, num pode mais!!

Us pobre do taxista
Qui mudô aquele elemento
Chega nus postu agora
Num tem mais bastecimento

Issu pru qui tão tirano
Os gaiz das fábrica, que sina!!!
Antis que fiquemo sem luz
Colocam gaiz nas usina!!!!

Dessi jeito as coisa cumplica
E fica tudo cum medu...
Inté colocam a curpa
Lá no pobre du São Pedru

Hoje já escrivinhei muitu
Contandu essas novidadi
Isperu que o cumpadi venha
Mi visita na cidadi

Mas, quando vié aqui
Achu bom se programá
Num tein istrada direito
E nun se consegue avuá

Pega aí na sua casa
Bem no meiu da roça
Um par de duas mula
E venha de carroça

Vou parando por aqui
Senu o que tem por ora
Aceita um beijo estalado
De sua cumadi, Sonora
Vera Ciuffo
Enviado por Vera Ciuffo em 08/11/2007
Reeditado em 08/11/2007
Código do texto: T728358

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Sobre a autora
Vera Ciuffo
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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Vera Ciuffo