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Um dia ainda pego a Sorte pelo rabo.

                 Assistindo uma fulana que já ganhou uma porrada de prêmios em sorteios, rifas e promoções de rádios e televisões( coisa assim de 5 teves 29 polegadas, 10 geladeiras, 58 bicicletas, uma cozinha completa e mais alguns prêmios que não se lembrava direito) pus-me a pensar no quanto sou azarado.
                 Pasmem! NUNCA ganhei uma rifa sequer!
                 Minto. Ganhei sim. Tempos atrás quando rádio-gravador era coisa de rico, um time daqui da cidade organizou uma rifa para angariar fundos. 1º prêmio um rádio-gravador; 2º uma bicicleta; 3º não lembro mais o que era.
                  Encheram tanto meu saco que comprei dois números. Algum tempo depois telefonaram, dizendo que tinha ganho.
                  Rapais! Peguei a perua da firma e tchicabum, fui buscar o trem.
                  Me chamaram de lado e explicaram que, como não tinham conseguido vender todos os números o prêmio ia ser outro. Tudo bem, pensei, mas quando vieram com um radião antigo, daqueles que pareciam caixote de criar abelhas, chiei. Desculpe, falaram, mas foi o mais aproximado que conseguimos.
                  Então me dêem a bicicleta, falei, já pensando em dá-la para minha filha mais velha. Acontece que o ganhador do 2º prêmio já tinha buscado.
                  Resumindo: o rádio era tão bom, mas tão bom, que troquei por cinco cervejas. E saí lucrando!
                  Noutra vez, na rifa de um aparelho três em um, faltavam só dois números dos 100 para serem vendidos. O 37 e o 49. O vendedor ainda torrou minha paciência tentando que eu comprasse os dois, mas minha grana estava curta e depois de muita escolha fiquei com o 49. De tarde( ia correr pela Loteria Federal) sabem qual a milhar que deu?
                  Pois é! 4937. Vejam só: meu número deu! Mas antes do final. É ou não é pra chorar?
                   Já afirmei diversas vezes em tom de gozação que, se um dia cair dinheiro do céu, é capaz de cair o cofre na minha cabeça. E VAZIO!!!
                  Tenho umas amigas na escola onde trabalho que vivem reclamando que não ganham na loteria. Acontece que elas não jogam. Já eu, toda semana estou lá na Lotérica do Gilmar arriscando minha fezinha. Até hoje ganhei quatro vezes no bolão. Só uma vez tive o lucro fenomenal de cinco reais. Todas as outras o que recebi de premiação foi menos do que desembolsei.
                  Ah! Quando começou a febre das raspadinhas aqui em Ibitinga era um saco! Chegavam na lotérica e imediatamente acabavam. Tendo de ir para Taquaritinga à serviço da escola, fiz o que tinha de fazer e estava na praça da cidade esperando horário de ônibus quando ouvi dois sujeitos comentando que havia acabado de chegar raspadinhas. Perguntei onde era a lotérica, ensinaram e fui. Umas 20 pessoas na fila . Tendo tempo de sobra ( só pegaria o ônibus das duas da tarde e era apenas 11:30) não esquentei.
                    Sai um, sai outro, faltando 4 pessoas para chegarem no guichê, uma senhora estacionou na frente da lotérica,  deixou a porta do carro aberta, deu uma espiada na fila que tinha aumentado e, adivinhem para quem pediu se podia pagar a conta de luz porque estava com pressa de pegar a neta na escola?
                    Pois é! Como ninguém na fila ficou brabo entrou na minha frente, mais dois minutos chegou a vez dela, pagou a conta de luz e como troco recebeu uma raspadinha.
Minha vez, comprei cinco mais um bilhete da Federal( era uma quarta-feira)e fui na mesa raspar. A primeira nada, a segunda também, olhei de lado e vi a mulher raspando a dela, a porta aberta ainda, nisso gritou e voltou correndo para o guichê.
                    - Ganhei! Ganhei!
                    E enfiou a maledeta raspadinha que era para ser minha por baixo do vidro. Torcendo no fundo que fosse um prêmio pequeno para não doer muito nimim, dei uma espiadinha rápida na cara da atendente.
                    - Parabens! – disse ela para a minha ladra da sorte. – Acabou de ganhar dez mil reais!
                    Confesso: deu vontade de dar um tiro nela! E a filhadaputa nem sequer me agradeceu  por ter cedido meu lugar prela .
                    Fala a verdade: não dá vontade de enfiar a cabeça no primeiro bueiro que encontrar pela frente?
                    Sem contar que já ganhei na Loteria Esportiva!
                    Sim senhores! Fui agraciado com a Dona Sorte num dos sorteios!
                    Foi assim: Copa de 98, a Esportiva começou eu acertando todos os resultados no meio da semana. No sábado, todos também. Terminaria no domingo com os 3 últimos jogos. Eu com dez pontos e os jogos restantes, um resultado simples e dois duplos.
                    Com o coração na mão acompanhei o jogo da televisão e os resultados parciais dados pelo locutor, o Galvão Bueno, se a memória não me falha.
                    Terminado o jogo conferi a cartela e tava lá: 13 acertos! TREZE, cara!  TREZE ! Dei um grito de alegria, dei um beijo na esposa que não sabia o que estava acontecendo, a vizinha saiu no quintal para saber qual o motivo da algazarra, os cachorros desandaram a latir desesperados, minhas duas filhas todas felizes sem saberem o motivo do pai estar gritando que nem um doido, agarrei minha mulher pela cintura e começei a girar, ela com medo de cair, berrando comigo.
                    Conferi de novo, minha mulher e minhas filhas junto comigo. Sem chance de erro: treze na cabeça! Minha vontade era sair e contar pra todo mundo mas pensei bem na hora. E se algum bandido escuta e me sequestra? O melhor mesmo era ficar na moita, na segunda me dirigir á Caixa Econômica Federal, botar o prêmio na poupança para não perder os juros e matutar em que bairro comprava minha casa, que marca de carro e onde a gente passearia durante o próximo mês. Paris ou Nova York.
                     Sonhei que navegava pelo Tâmisa de iate de luxo, a Catherine Deneuve com a gente.
                     Na segunda recebi meu prêmio da Loteria Esportiva. Todo mundo tinha ganho, tanta lógica deu nos jogos. O dinheiro deu para pagar uma conta de luz atrasada e com o resto comprei dois quilos de carne e uma caixa de cerveja. Ah! E uma bandeja de Danone para minhas filhas.
                     Sei não, mas acho que se distribuirem mulher de brinde é capaz de vir pra mim uma sem xoxota.
Nickinho
Enviado por Nickinho em 23/11/2007
Código do texto: T749137
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Sobre o autor
Nickinho
Ibitinga - São Paulo - Brasil, 64 anos
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