ERA UMA VEZ... (A estória de um pássaro) (c/áudio)

Era uma vez um menino que passeava tranquilamente, quando, de repente, viu algo estranho no chão. Chegou bem perto e percebeu que era um filhote de pássaro. Mas, era tão pequeno, que nem penas ele tinha.

O menino ficou sensibilizado e pegou aquele pequeno filhote e o levou para a casa de um amigo que criava canários, cada um mais lindo que o outro.

Aí, o menino pediu ao amigo para colocá-lo junto com os filhotes recém-nascidos de uma canária. É claro que o amigo o atendeu.

Como ninguém sabia a raça daquele pequenino, todos ficaram curiosos pra saber. Mas, para isso, era preciso esperar o tempo correr.

E, assim foi feito.

Mais ou menos quinze dias depois, o amigo chamou o menino para contar a novidade: “Olha, aquele pássaro que você encontrou é um filhote de pardal”. O menino retrucou: “Pardal?” (meio decepcionado). Porém, logo aquele sentimento se transformou, porque o pardalzinho era tão bonitinho e estava tão ambientado com os irmãozinhos de criação, que passou a fazer parte da família.

O menino logo perguntou para o amigo criador de canários:

“Será que o pardal, quando crescer, vai cantar igual canário?”

E, o amigo lhe respondeu: “Não, cada pássaro já traz consigo um código genético, como se fosse um manual de fábrica. Assim, cada espécie tem um canto próprio”.

Mesmo assim, o menino não se importou. Ele aprendeu a amar aquele pardalzinho.

O tempo foi passando e o pardal foi crescendo mais que os canários. Ficou bem maior. Sendo assim, o criador de canários achou melhor soltar o pardal quando ele chegou ao tamanho adulto.

E, assim ele procedeu.

Entretanto, todas as tardes, após passar o dia fora, o pardal voltava e tentava entrar na gaiola. Ele queria dormir com seus irmãos de criação.

O criador de canários, por pena dele, o deixava entrar.

E, na manhã seguinte, novamente o soltava.

Durante muito tempo ele fez isso; soltava o pardal de manhã e o guardava na gaiola, pontualmente às seis da tarde.

Até o dia em que o pardal não mais voltou.

Dizem que ele encontrou uma namorada, casou, mudou e o endereço não deixou.

Dizem também, que de vez em quando, ele dá uns vôos rasantes sobre a gaiola onde viveu muito tempo e, ainda por cima, acompanhado da esposa e filhotes, como se estivesse contando sua história para a nova família.

Jeronimo Madureira

31/01/2009.

*Baseado em fato real!