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Sonho de menino

Sonho de menino é jogar bola, fazer gol, ser convocado pra jogar na seleção e ainda ganhar todas, inclusive aquele caneco que é o mais cobiçado do mundo.
Sonho de menino é soltar pipa, dar bastante linha só pra ver os desenhos que faz lá no céu com as acrobacias que dá aquele friozinho na barriga da gente.
Outro dia escrevi um bilhete pra mãe não ficar preocupada, dizendo que já era grande e que ia ganhar o mundo. Não sabia direito onde o mundo começava e nem onde terminava. Achava que era ali onde a rua perde de vista e que dá no quintal da dona Nica. Será que a dona Nica morava no começo ou no final do mundo? Bom, mas se o mundo é redondo mesmo, uma bola, então acho que a dona Nica mora, metade no começo e a outra metade no final do mundo...
Peguei minha bicicleta e ganhei a rua, tinha que ganhar logo o mundo, quem sabe não encontrava o marido da Tita que saiu depois de brigar com ela, dizendo que ia ganhar o mundo? Nem sei pra que ele queria ganhar uma coisa que a gente já tem desde que nasce, mas isso ficou na minha cabeça. Naquele dia, era eu que iria ganhar o mundo, por isso peguei minha bicicleta e sai pedalando pela rua afora.
Como desconfiava, cheguei no quintal da dona Nica e parei lá pra pensar se estaria no começo ou no fim do mundo quando o Zeca gritou meu nome chamando pra brincar.
O quintal da dona Nica era uma delícia. Tinha pés de frutas, na verdade tinha um montão deles. Jabuticaba, goiaba, manga, araçá... Eu adorava brincar lá com o Zéca e com o Estopim que era o cachorro do Zéca, um cachorro muito magro e esquisito, mas que a gente adorava. Aquele era o nosso reino e a gente o defendia de invasores como piratas, bruxas, dragões, só não conseguimos defendê-lo da Nina, uma menina muito da magricela que vivia querendo brincar com a gente. Só o Estopim gostava dela, era ela chegar e pronto, o cachorro grudava nela e não saia mais de perto.
Perguntei pro Zéca se ele sabia se ali era o começo ou o final do mundo e ele, super assustado, me chamou pra ajudar na guerra que estava tendo lá. Novos invasores querendo tomar nosso reino. Corri pra dentro da nossa fortaleza, peguei minhas armas que era a espada de madeira que meu avô fez pra mim e a panela da minha mãe que eu usava como capacete, mas tudo isso tinha poderes mágicos e então parti com o Zeca em defesa do nosso reino.
A batalha estava muito difícil. As abelhas marcianas lutavam com todas as forças querendo derrubar os muros que fizemos pra proteger a entrada do castelo. De repente a Nina chegou com os cavalos e então ganhamos força e vencemos a guerra fazendo com que as abelhas marcianas voltassem pra Marte. Foi uma vitória linda! Comemoramos muito até que vi que o sol já estava indo embora, daí voltei correndo pra casa porque minha mãe não gosta quando demoro pra voltar. Ao chegar, minha mãe me perguntou o que era aquele bilhete e onde eu tinha ido, só então me lembrei que tinha que ganhar o mundo, mas não importa, o que importa mesmo é que todo dia, eu, o Zeca, o Estopim e a Nina ganhamos muito mais brincando juntos, mesmo porque o mundo a gente já tem e é todo nosso...
Mas um dia ainda vou descobrir porque o marido da Tita sumiu querendo tanto ganhar o mundo que na verdade ele já tinha...
Aisha
Enviado por Aisha em 07/07/2010
Código do texto: T2364193
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Sobre a autora
Aisha
Jundiaí - São Paulo - Brasil, 53 anos
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1 e-livros (57 leituras)
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Aisha