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A história da barriguinha do feijão

Num tempo muito, mas muito distante, tudo na natureza pensava, falava e havia completa harmonia entre todas as criaturas.

Um dia, saíram para passear uma folhinha de capim, uma pequena brasa e um filhote de caroço de feijão.

Iam eles pelos caminhos de uma floresta muito bonita e também muito tranquila, fazendo piadas e achando graça em tudo o que encontravam pela frente.

Amigos que eram de todas as horas, um ria do outro:

--- Que magreza, hein, Cacá! Cuidado que o vento vai te levar! – dizia a brasinha para o fiozinho de capim.

--- Não esquenta, não! Não esquenta, não! – também ria ele, gozando da pequena brasa.

O carocinho de feijão, redondinho que era, rolava de tanto rir dos dois amigos.

E assim iam os três se divertindo, até que se depararam com um rio que precisariam atravessar. Mas, como fazer para chegar à outra margem?

Como não tinham nenhuma embarcação que pudessem pegar, o jeito era botar a cabeça pra funcionar.

Assim fizeram.

Logo o feijãozinho pensou e disse:

--- Tive uma ideia! O capim é magro, mas é forte. Ele me leva até o outro lado e depois volta e pega a brasinha...

E imediatamente respondeu o capinzinho:

--- Acho que consigo fazer isso!

E a folhinha de capim se pôs na água do riacho, boiando. O pequeno caroço de feijão, redondinho, redondinho, rolou para cima dele e lá se foram os dois, até chegarem à margem oposta.

Assim que deixou o amigo do lado de lá do rio, o capinzinho voltou para buscar a brasa. A amiga logo pulou para as suas costas e começaram a atravessar o rio.

Mas, quando os dois estavam bem no meio da travessia, o capinzinho não aguentou e, sentindo-se queimar, começou a afundar nas águas. Junto com ele, afundava a brasinha.

--- Xiiiii... Xiii... Fazia com a boca o carocinho de feijão, achando graça do que estava acontecendo e caindo na risada!

O caroço de feijão riu tanto, mas riu tanto, que estourou, ficando com um rasgo bem no meio da barriga.

O grande dono da natureza não achou graça nenhuma na risada do feijão, mas entendeu que ele não tinha feito por mal.

Ele, então, salvou os dois que estavam se afogando nas águas do rio e depois tratou de costurar a barriguinha do feijão.

O grande dono da natureza pegou uns fios de uma nuvem branquinha que passava por ali naquele exato momento e com eles fez uma costura na parte do carocinho de feijão que estava rasgada. No lugar do rasgo, deu uns pontos bem caprichados pra ele não ficar aberto. Ficou perfeito!

E é por isso que - dizem - até hoje o caroço de feijão tem aquela preguinha na barriga dele.



José Marinho do Nascimento
Enviado por José Marinho do Nascimento em 07/08/2011
Reeditado em 20/07/2012
Código do texto: T3145229
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
José Marinho do Nascimento
Santo André - São Paulo - Brasil, 59 anos
65 textos (34733 leituras)
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José Marinho do Nascimento