(40/40) Falta pouco

O pessoal da Allegrartte caprichou na reconstituição do casaco da Lolla para ser emoldurado. Todos os dias ela passava perto dele e dava aquele olhar enigmático. Nunca ninguém conseguiu decifrar que relação havia entre Lolla e este casaco de pele de raposa. Não poderia ser uma questão de predador e presa.
Na fazenda “Amor-perfeito”, o telefone toca:
        - Alice é Patty Richard, quer falar com você.
        - Oi querida! . . .Ainda não chegou a hora de o meu bebê nascer, mas falta pouco...
Lúcia na cozinha da fazenda comenta com Dora que amamenta o Joãozinho enquanto uma fornada de lolletes está em andamento.
         - Logo, logo vou ser vovó. A Maria esta chegando para brincar com você Joãozinho.
        - É muito bom quando uma casa tem crianças, significa renovação e vida. - fala Dora feliz olhando para seu bebê que dorme agora tranqüilo.
No escritório, Ari e Ubira comemoram a liberação para o funcionamento do Banco Prospera.
        - Falta pouco para abrirmos as portas para o público, e resolver o problema imediato deles.
         - Que bênção! Ao invés desse dinheiro estar na mão de um só banqueiro, estará na de muitos necessitados e como Deus disse que nas mãos dos justos tudo prosperaria, teremos rendimentos maiores do que se tivéssemos aplicado no banco.
          - Você já reparou que a partir da Lolla as coisas tomaram um rumo diferente? - comenta Ubira.
          - É que Lolla simboliza o povo de Deus. Para Ele somos ovelhas e Ele cuida de nós de uma maneira que só um pastor faz.
          - Estou vendo acontecer com meus próprios olhos. - encerra Ubira.
Nisto o telefone toca. E alguém avisando que Alice esta em trabalho de parto. Ari se despede de Ubira:
           - Toque as coisas aí que agora eu vou ser papai.
No campo, Lolô vive falando poesia para Beto, o carneiro. Este, por sua vez descobre que também é poeta e responde a ovelha com lindos versos. Os dois estão mais coesos do que nunca. Aonde Beto vai Lolô vai junto. Rubenita chega pra Lolla e desabafa:
            - Se não fosse por vocês que amo tanto e minha Cida, ia dar um jeito de fugir para outros campos. Não agüento mais esse carneiro velho, fica me perturbando dia após dia, será que ele não se manca?
            - Rube, você não gosta de ser amada por mim? - pergunta vô Tonho que surgiu do nada ao lado delas.
            - Meeeeeeeeeeeeeé! Eu não acredito!
Lá na colina, vó Zica parece pressentir o fim de seus dias. Aproveita que Cida esta por perto e manda chamar Lolla rapidinho. Cida convence Lolla de que precisa ir ao encontro da vó.
             - Vó Zica está falando outra coisa que não seja “cê veio me vê”?
             - Hummm! Chega aqui que vou contar procê. - junto ao ouvido da Lolla ela fala - Bzz Bzz Bzzzz.
Depois disso a ovelha velha morre. Cida pela primeira vez vê alguém morrer, mas não fica triste. Compreendeu que o ciclo de vida da vó Zica tinha se completado. E para Lolla, também, teve a solução do roubo de seu casaco.
A fazenda estava em festa. Maria chegou para alegrar a todos. Seu José faz uma festa para comemorar sua vinda e agradecer a Deus por tudo que aconteceu ao longo desses anos. Amigos, colaboradores e familiares estão em confraternização quando a vereadora e amiga da família, Joelma, a Jô, faz uma surpresa.
A televisão local entra no ar, ao vivo e faz entrevistas com pessoas que tem a ver com a fazenda e principalmente com Lolla.
              - Nunca esquecerei o que eles fizeram com meu irmão. Imagine, pagaram a cirurgia dele porque não tinha plano de saúde. - fala um jovem.
             - Disputei com elas um pufe com formato de ovelha.
             - Eu e minha família agradecemos a eles por terem se sensibilizado quando ficamos sem teto depois do abrigo cair com o temporal. Somos vítimas do sobrado que caiu anteriormente. Acampamos em sua fazenda até a prefeitura arrumar outro lugar para nós.
            -Sou um ex-aluno da Allegrartte e quero dar meu depoimento. Era muito pobre. Eles viram meu talento, por isso me incentivaram e custearam o meu curso para escultor. Hoje tenho meu próprio atelier.
            - Sempre tive dificuldade para perder peso, por isso peregrinei por várias clinicas de emagrecimento. Fui para o “Spêra”, fiz muitas amizades e hoje posso recomendar o lugar que é o prolongamento de nossas casas. Lá tem um cantinho muito gostoso que você até esquece de comer.
            - Graças ao Prospera, pudemos comprar os herbicidas para matar as pragas que estavam infestando nossa horta.
            - Eu gostei das ovelhas na praça. - fala uma criança.
No telão Jô mostra mensagens gravadas dos amigos com Brunini, o roteirista do filme de Lolla. Carlos Alberto, o diretor. Geórgia Americana. Dr. Jorge, o veterinário e muitos outros.
Seu José, emocionado fala a todos que ele e sua família devem muito a Lolla, a ovelha especial que ele era dono. Poderia parecer estranho, mas Lolla e sua família eram extremamente importantes para eles. Agora diante de todos, ele queria fazer uma homenagem àquela que deu origem a tudo:
LOLLA!
           - Obrigado! Com vocês, a família Mel! - puxa um pano que cobria as esculturas da família de ovelhas.
As pessoas ficam encantadas com o trabalho, parecem ovelhas de verdade. Lolla se emociona as lágrimas e diz:
           -Toda honra, toda glória sejam dadas ao Senhor Deus que permitiu tudo isso.
E o povo que estava ouvindo disse:
           - AMÉM!


Ah! Vocês querem saber quem roubou o casaco da Lolla? Foi o Raposão. Segundo a vó Zica ele era apaixonado por ela, como teve que fugir das redondezas, só pôde vê-la como casaco no lombo da Lolla no dia em que ela pariu. Roubou para ter a impressão de que ela estava com ele. Como precisou fugir de novo, enterrou-o.




Fim...? Acho que não.




Nota: As próximas histórias estarão nas telas dos cinemas porque foram tranformadas em roteiro.
AGUARDEM CIDA OVELHA FAZENDO HISTÓRIAS