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Uma fada brincalhona quase de férias

Lá vem o menino, serelepe e em desatino, correndo, pulando e, se pudesse - voando. Lá vem puxando seu balão, no meio da rua, alegre - suor escorrendo pela testa - rouco de tanto gritar. Dedinhos das mãos e pés doloridos de tocar campainhas e fugir. Nessa pressa de viver, mal vê a vida e, por todo descuido, vai de encontro com um carro...mas, para sua sorte, se transforma em um passarinho.

Adultos viram o evento. Alucinação coletiva?!? Estudiosos tentam encontrar explicações.

A garota dentro do ônibus sorri, coloca o rosto para fora da janela, sente o vento e gargalha - a trigésima vez. Novamente, lembra da sua aprovação, lembra do seu cansaço e de como todo esforço valeu à pena. E, mais uma vez sorri. Tamanha felicidade não cabe dentro de si e, a cada sorriso, seu corpo incha. Já se encontra robusta, sente sua roupa apertar. Todos no ônibus percebem. Ela nem se importa, sorri outra vez. Desce. Incomoda sua forma de andar, uma bela patinha. Essa comparação a diverte. Sorri novamente. A roupa rasga. Perto da esquina de casa, imagina a felicidade dos pais, ao receberem a notícia. Já não sorri, mas engasga de tanto gargalhar e... explode em mil pedaços de confetes de chocolate.

Ainda procuram a causa para a sua doença desconhecida.

O marido chega em casa. Todo bufão. Um dia de trabalho, um calorão. A esposa apressada, guarda seus sapatos, traz um copo d'água, serve-lhe um prato de caldo de feijão. "Feijão?!? Ele queria macarrão!! Se tivesse, pelo menos pão!!!" E joga tudo no chão.
A esposa entre decepcionada, chateada e chorosa corre para o quarto e se joga no colchão. Deseja uma vida de algodão, num castelo, com coroa, longe daquele furação. Desperta, no meio de uma floresta, num ataúde de cristal...e se pergunta, apaixonada: "quem é aquele anão?".

Hum...ela se olha no espelho da academia: emagrecendo! Está - dedinho em riste - literalmente esfumaçando. "Isso!! Essa é a missão: a gordura virar fumaça!!!" E todo dia malha sem parar - entusiasta. Quase uma ideia fixa. Já nem atentava para filhos, marido, amigos e trabalho. Seu esforço funcionava, por onde passava, era evidente, havia fumaça para todo o lado. "Ah, magra, magra." Iludia-se. Um belo dia, acrescentando acessórios para sua rotina fitness, apaixonou-se por uma "garrafinha" ou "chaleirinha" diferente, "podia levar para encher de chá verde". E chá verde é bom para a gordura virar fu-ma-ça. Então, pensando nisso, tudo se concluiu. Ela adentrou no recipente. Desde então, quem encontra a lâmpada e toca, pode liberta-la, provisoriamente, e realizar um desejo - desde que não seja emagrecer.

Por um tempo, na terra, muita gente:
Sumiu no pé de feijão;
Foi visitar um amigo e encontrou uma casa feita de doces;
Voou com o pó de pirlimpimpim;
Dançou com o saci;
Viajou na cauda de um cometa;
Morou no beleléu.
Por algum tempo, muita gente conformada, acomodada e padronizada soltou a imaginação e se lembrou daquele passado escondido, mofado, de tanto guardado na memória - o ser livre, solto, verdadeiro e feliz como na infância.

E a brejeira fada apenas sorria com mais uma missão cumprida.

Muitos agora, torcem o nariz, a tentar imitar aquela feiticeira, ou perguntam pelo fim. Mas sem mais, essa que agora vos escreve, vai fazer uma borboleta, dar dois saltinhos para lá, uma rodadinha em meia ponta, sem esquecer do agradecimento e "ploct" - até outro dia!
Luciana Fernandes de Moraes Luz
Enviado por Luciana Fernandes de Moraes Luz em 04/12/2017
Código do texto: T6190305
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Sobre a autora
Luciana Fernandes de Moraes Luz
Teresina - Piauí - Brasil, 40 anos
1 textos (25 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/12/17 16:35)