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A gruta

Em um reino muito distante, vivia um rei viúvo, chamado George, que morava com suas três filhas. Sua mulher havia morrido de uma doença desconhecida, deixando o rei sozinho em seu luto, com a incubência de cuidar das três meninas. E o rei, com a ajuda da Fada Verde, amiga da família, educou as princesas. A princesa mais velha era Benedita, conhecida por ser bonita. A princesa do meio era Helena, conhecida por ser serena. E a princesa caçula era Roberta, conhecida por ser esperta. As três meninas eram ruivas e tinham cabelos cacheados bem volumosos. O rei George amava muito as três filhas, e fazia de tudo para deixá-las felizes.
Um dia, quando todas as princesas já tinham idade para correr o mundo, o rei resolveu atender um desejo de cada uma, pois amava muito suas filhas e queria que todas estivessem satisfeitas. Na segunda-feira chamou primeiro Benedita, a filha mais velha e perguntou qual o desejo dela.

“Benedita, tu que és tão bonita

Qual é o teu desejo?”

A filha mais velha disse, pegando em sua enorme trança ruiva:

“Que bom que o senhor perguntou

Pois a tempos aflita estou

Quero ser feliz e viajar

E, quem sabe, um bom príncipe encontrar”

Benedita tinha o sonho de viajar por todos os reinos, e, se encontrasse um bom rapaz, gostaria de casar com ele e ter muitos filhos e filhas. O rei ficou chateado com a resposta da filha mais velha, pois, pela tradição, seria ela que herdaria o trono. Contudo, como o mais importante era a felicidade de Benedita, o rei e a Fada Verde deram um bom cavalo e suprimentos para a filha, dando um beijo em sua testa, mandando-a tomar cuidado pelo caminho, deixando que partisse.

No outro dia, na terça-feira, chamou a filha do meio, Helena, conhecida por ser serena, e também perguntou seu desejo:

“Helena, tu que és tão serena

Qual é o teu desejo?”

A filha do meio disse, pegando em seus livros:

“Que bom que o senhor perguntou

Pois a tempos aflita estou

Por mais que ame Benedita

Estou contente com sua partida

Com ela não queria brigar

Pois com a coroa quero ficar”

O rei, feliz com o desejo da filha Helena, conhecida por ser serena, trouxe um sorriso de volta em seu rosto, pois, afinal, mesmo a filha mais velha partindo, a do meio queria ficar com os desafios e responsabilidades da coroa, governando o reino. E, devido a serenidade de Helena, George sabia que ela seria uma ótima rainha. Dando pulos de alegria, o rei e a Fada Verde deram títulos à filha do meio de conselheira do rei e princesa regente, em que todos e todas sabiam que ela seria a próxima a governar no palácio.

Na quarta-feira, o rei George chamou a filha caçula, a princesa Roberta, conhecida por ser esperta. Esperava que também concedesse o maior desejo da caçula, perguntando que ela queria:

“Roberta, tu que és tão esperta

Qual é o teu desejo?”

A filha mais nova, parecendo meio triste, disse, pegando em sua espada:

“Que bom que o senhor perguntou

Pois a tempos aflita estou

Benedita quer viajar, Helena quer governar

E o meu desejo é mudar

Vestidos e saias quero esquecer

Pois um homem desejo ser”

O rei George, surpreso com o pedido da filha, pediu licença e foi pedir ajuda à Fada Verde, que sempre o aconselhou em tudo. Falou para ela que o desejo de Roberta, conhecida por ser esperta, era se tornar um homem. A Fada Verde, que sempre parecia saber de tudo, disse que, por dentro Roberta sempre foi um homem, e, contra sua vontade e, pelas normas do reino, nunca pudera realizar seu desejo, usando vestidos e saias durante toda a vida. Mas, quando o pai falou que queria atender um pedido, a princesa viu uma oportunidade de realizar seu sonho.

- Ora, pois então use sua varinha de condão e transforme a Princesa Roberta, conhecida por ser esperta, em homem!

- Oh, meu rei, minha varinha de condão só faz alguns feitiços – falou a Fada Verde, olhando para o objeto – E entre eles não está transformar a princesa em príncipe. Mas o que ela deseja não é impossível. Existe um feiticeiro, que vive dentro de uma gruta, na saída do reino, dentro da floresta. Ele produz uma porção mágica, que o homem que bebê-la, se transformará em mulher e, a mulher que bebê-la, se transformará em homem. Mas a gruta é guardada por um ogro terrível, que devora quem tenta chegar perto. Se Roberta, conhecida por ser esperta, quiser realizar seu desejo, precisa mostrar seu valor, lutando sozinha com o ogro, para pedir a porção ao feiticeiro.

O rei, estarrecido, foi atrás da princesa caçula, falando o que a Fada Verde dissera. Roberta, conhecida por ser esperta, não pensou duas vezes, vestiu sua armadura, pegou sua espada e um cavalo, se despediu do rei, indo de encontro ao seu destino. O rei George queria ajudar, mas, como fora aconselhado de que a princesa deveria ir sozinha, ficou no castelo esperando seu retorno.

Na manhã de quinta-feira, a Princesa Roberta, conhecida por ser esperta, partiu e, no final da tarde, chegou ao final das fronteiras do reino. Quando chegou na floresta, logo viu uma gruta. Na entrada dela, havia um ogro fazendo uma fogueira para esquentar um caldo fedorento. Amarrou o cavalo com uma corda em uma árvore e, vendo o ogro, Roberta, pegou a espada e tentou atacá-lo, mas este se defendeu.

- Quem ousa me atacar?! – perguntou o ogro, raivoso.

- Sou a princesa Roberta, conhecida por ser esperta. Desejo ver o feiticeiro que mora dentro da gruta.

- Isso é o que você pensa, princesa – disse o ogro, que tinha uma voz medonha e um hálito com odor de carne podre – Quem vem aqui atrás da porção, querendo se transformar, acaba morrendo nas minhas mãos!

- Mas porquê? – perguntou a princesa – Porque você deixa o feiticeiro preso e não deixa ninguém tomar a porção?

O ogro deu uma gargalhada medonha:

- Ora, ora, onde já se viu homem querer ser mulher, e mulher querer ser homem? Não deixo, nunca, só por cima do meu cadáver!

- Ora, pois assim será! – disse a princesa, atacando o ogro com a espada.

Mas o monstro terrível desviou novamente de seus golpes, dando uma bofetada em seu rosto. A princesa não era muito boa com a espada, mas não era à toa que era conhecida como Roberta, a esperta. E coragem não faltava. Pegou uma corda, que estava amarrando o cavalo, e atirou-a nos pés do ogro, que caiu e bateu a cabeça no chão.

Com o ogro derrotado, a Princesa Roberta, entrou na gruta.
Lá dentro, havia uma cama e um baú. Deitado, estava um feiticeiro, muito novo, mas com uma barba enorme.

- Olá, você é o Feiticeiro? – perguntou Roberta.

- Sim.  - disse o mago, levantando-se – Você conseguiu derrotar o ogro?

- Sim, consegui e agora posso libertá-lo – falou a princesa – Mas antes, gostaria de tomar um pouco da sua porção que transforma todo homem em mulher e toda mulher em homem.

- Claro, com todo o prazer – o feiticeiro disse, tirando do baú um frasco com um líquido azul – A porção está pela metade, mas acho ainda fará efeito. Só tomando para saber.

- Porquê? – disse Roberta, curiosa – Quem tomou?

Sorrindo, o feiticeiro disse:

- Eu mesmo. Eu era conhecido como Rafaele, mas hoje sou o mago Rafael. Depois que tomei a porção, o ogro, com raiva do que eu criei, me prendeu nessa gruta. Faz anos que vivo aqui, comendo um caldo fedorento que ele faz. Mas hoje, graças a você, estou liberto – Rafael sorriu – Agora, vejo que deve está ansiosa para tomar e se tornar o que você quer – disse, dando o frasco à Roberta.

Roberta, fechando os olhos, com o coração apertado, abriu o frasco, jogando a tampa de lado e tomou tudo em um só gole.

No castelo, o rei George estava aflito. Já era noite e, sua filha não dera notícias. Aflito, andava de um lado para o outro, olhando pela janela de seu quarto, vendo se alguém chegava. Lá longe, avistou um cavalo, carregando duas pessoas. Trocou-se rapidamente, e desceu para o salão, chamando Helena, conhecida por ser serena. Lá, esperava por ele dois homens. Um era negro, e tinha uma barba enorme. O outro era branco e barbado, e tinha o cabelo curto ruivo.

- Quem são vocês? – perguntou o rei.

- Sou Rafael – disse o mago – Sou o feiticeiro que estava na gruta, sendo guardado pelo ogro.

- Oh, mago Rafael, que bom conhecê-lo – disse Helena, a princesa Serena.

- E você quem é? – perguntou o rei George para o outro rapaz.

O ruivo, que parecia meio tímido, sorriu, deixando cair uma lágrima do olho. Uma lágrima de felicidade.

- Sou eu, papai. Roberta, conhecida por ser esperta.

O rei George quase não acreditou. Sua filha conseguira realizar seu desejo. Chorando, deu um abraço apertado no rapaz, dizendo:

- Não, você é meu filho, Roberto, conhecido por ser esperto.

Todos choraram, emocionados.

Passados alguns anos, a princesa Benedita, conhecida por ser bonita, retornou ao reino, com um rapaz que conhecera em uma terra distante, chamado Luís. Roberto pediu Rafael em casamento e a Fada Verde celebrou o matrimônio dos dois casais. E todos viveram felizes para sempre.
I N C Alves
Enviado por I N C Alves em 05/11/2019
Código do texto: T6787782
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Sobre a autora
I N C Alves
Jaboatão dos Guararapes - Pernambuco - Brasil, 26 anos
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I N C Alves