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O Beija-Flor e a Borboleta
J.B. Xavier


Era uma vez, num país muito distante uma pequena aldeia, famosa no reino, pela beleza das flores que lá nasciam. Na primavera os campos do lugar ficavam coloridos como os tapetes que havia no castelo do rei. Os camponeses plantavam fileiras de flores vermelhas, amarelas, lilases e muitas outras cores que se perdiam de vista.

Mas as flores mais bonitas estavam ao redor das cabanas de dois camponeses. Um deles tinha uma filha muito bonita. Ela enfeitava os cabelos brilhantes com as mais bonitas flores do lugar. O outro tinha um filho, um belo rapaz que amava as flores e costumava falar com elas.

Todas as manhãs os dois jovens caminhavam felizes por entre as fileiras de flores coloridas. Ele dava bom dia às orquídeas, enquanto ela escolhia as mais lindas margaridas para enfeitar os cabelos.

E como amavam as flores, eles também se amavam perdidamente. Nas lindas tardes ensolaradas, eles andavam sorridentes, de mãos dadas, entre o tapete colorido que ia até onde a vista podia alcançar.

Às vezes eles iam até a cabana do Mago, um velhinho de barbas branquinhas e compridas, que quase chegava aos seus pés. Ninguém sabia seu nome, e nem os mais velhos habitantes da aldeia se lembravam de quando ele viera morar ali.

Aquele era o lugar mais bonito que eles conheciam. Eles iam lá para ver as lindas flores que cresciam em volta da cabana. Os aldeões diziam que eram flores mágicas, que não cresciam em nenhum outro lugar.

O Mago sempre os recebia com doces que ele mesmo fazia. Sua cabana estava sempre cheia de animaizinhos que ele cuidava como se fossem seus filhos, por isso ele era tão conhecido e amado na aldeia.

Ninguém nunca o viu fazer mágicas, mas não havia quem duvidasse de que ele podia fazer, se quisesse. Uns diziam que ele tinha mais de 200 anos e havia sido o mágico da corte de um grande rei; outros diziam que ele viera fugido, perseguido pelo rei que servira, por não ter conseguido salvar a vida do filho do monarca, ferido numa batalha.

Mas a grande alegria da aldeia era mesmo o Dia das Flores. Todos os anos os moradores da aldeia ia à feira da cidade, onde o rei dava uma grande festa para os seus súditos nobres.

A festa recebeu esse nome porque o rei comprava todas as flores que podia e com elas enfeitava as mesas cheias de muitas coisas gostosas. Elas enfeitavam também a ponte que passava sobre o lago escuro, indo até o grande portão do castelo e enfeitavam até os escudos dos soldados.

No Dia das Flores, a alegria tomava conta do castelo e muitas bandeirinhas tremulavam ao vento, nas pontas das torres redondas.

Os nobres convidados vinham dos mais distantes recantos do reino. As damas chegavam em luxuosa carruagens e os cavaleiros vinham com suas mais lindas e brilhantes armaduras, montados em cavalos enfeitados com penachos coloridos na testa.

Os camponeses então, enfeitavam com flores os dois lados das estradas por onde os elegantes nobres passavam, e ele jogavam algumas moedas aos que tivessem enfeitado o caminho da maneira mais bonita.

Houve um ano em que a festa foi mais bonita que as outras, porque o jovem casal de namorados enfeitou o seu trecho de estrada com flores que nunca ninguém havia visto. Eram lindas e diferentes, mas muito raras. Eram as flores que cresciam apenas ao redor da cabana do Mago. Ele deixara que colhessem suas flores, porque gostava muito dos dois jovens, mas lhes avisara que demoraria muito tempo para que novas flores iguais a elas voltassem a crescer.

Os nobres foram passando entre as flores e jogando suas moedas. O jovem casal estava feliz, pois haviam ganho muitas delas.

Então chegou uma grande carruagem negra, puxada por quatro cavalos enormes, também negros como a noite.A carruagem parou e dela saiu a mais elegante mulher que o jovem casal já tinha visto, acompanhada por um homem vestindo uma capa preta que ia até aos seus pés.

- É uma duquesa! – Murmurou o jovem para a namorada, ao vê-la aproximar-se das flores.

- Garotos – disse ela muito orgulhosa – daqui a um mês tragam para meu castelo todas as flores iguais a esta que puderem colher. Vou dar uma festa e quero suas flores para enfeitá-las!

- Perdão Milady – disse a jovem, muito assustada. Não existe mais dessas flores...

A duquesa ergueu o queixo e sem deixar a moça explicar, disse:

- Ousas contrariar-me?

Depois fazendo um sinal para o estranho homem que estava ao seu lado, falou, enquanto voltava para a carruagem:

- Malévol, cuide para que esses dois nunca mais ofendam a nobreza!

O homem deu um passo à frente e dirigiu à moça um olhar frio e maligno.

- Hoje à meia noite – disse ele apontando um bastão para a jovem – você se transformará para sempre num bicho rastejante, que se arrastará sobre as folhas, e viverá toda a sua vida a devorar as flores, até que não exista mais nenhuma sobre a terra!

Depois voltou-se para o jovem e falou com uma voz poderosa que o fez tremer:

- E você será para sempre um pássaro negro como a noite. Será um caçador implacável, que procurará por esse bicho rastejante e o devorará onde quer que o encontre.

Um trovão fez tremer o céu enquanto o homem entrava também na carruagem e seguia viagem.

O jovem casal voltou chorando para casa, mas no caminho encontraram o Mago, e contaram a ele sobre o triste destino que os esperava.

O bom velhinho ouviu tudo e ao final disse, muito preocupado.

- Malévol é um mago poderoso! Já nos encontramos uma vez. Ele lançou um feitiço no Duque a quem eu servia, transformando-o numa árvore, e casou com a Duquesa...tive que fugir... Até hoje ninguém conseguiu desfazer nenhum dos seus feitiços.

- Salve-nos! – imploraram os jovens chorando abraçados.

O Mago ficou com muita dó de ver a felicidade dos jovens namorados acabar dessa triste maneira, e os levou para sua cabana, onde pelo resto do dia e da noite ficou preparando ervas, e virando as páginas de um antigo livro de magia.

- Não é possível desfazer o feitiço – disse ele enquanto misturava estranhas ervas num grande caldeirão – mas tentarei diminuir o seu efeito.

Depois de algum tempo, disse ele, aflito:

- Pronto! Tomem! Rápido, que já é quase meia noite, e se não tomarem agora, o feitiço não poderá mais ser alterado! Se o amor de vocês for verdadeiro, grande e forte o bastante, isso deverá fazer efeito.

Mal tomaram a poção mágica, e a bela moça dos cabelos enfeitados transformou-se em uma feia lagarta esverdeada, contorcendo-se no chão. Enquanto o jovem transformou-se num pássaro negro de grandes garras que saiu voando pela janela.

O Mago recolheu a pequenina lagarta e colocou em uma caixinha de papel, cuidando em lhe dar muitas folhas para comer.

Então, um dia, a mágica fez efeito, e da caixinha saiu uma linda borboleta. O Mago esperava por esse momento, por isso, correu a abrir a porta para que ela pudesse sair e voar.

Nesse momento, pousado num galho de árvore, próximo à casa do mago, o pássaro negro soluçava de dor pelo seu triste destino.

Foi então que ele viu a linda borboleta voando pelo céu, pousando de flor em flor. Achou-a linda e apaixonou-se por ela na hora. Então, no mesmo instante, ele se transformou no mais belo e amoroso pássaro da natureza, o beija-flor. Voando rapidamente, ele foi ao encontro do seu amor.

Ao ver o beija flor se aproximar, a borboleta sentiu seu coração bater loucamente, e apaixonou-se também por ele.

Eles voaram graciosamente, e enquanto ele pairava no ar, como num passe de mágica, beijando as orquídeas que tanto amava, ela pousava delicadamente sobre as mesmas margaridas que um dia enfeitaram seus cabelos.

Observando a linda cena, na porta da cabana o Mago sorria feliz.

“O amor sempre vence”, pensou ele.

* * *
 
JB Xavier
Enviado por JB Xavier em 11/10/2007
Reeditado em 11/10/2013
Código do texto: T690386
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
JB Xavier
São Paulo - São Paulo - Brasil
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JB Xavier

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