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O PEDIDO DA NOITE

Às sete horas da noite a criançada estava na varanda da casa da vovó Jurema para ouvir histórias. Durante o dia fizera muito calor. Choveu forte o que aliviou um pouco o mormaço que subia do chão quente. Com o tempo encoberto, ameaçando nova pancada de chuva, não havia lua nem estrelas no céu.  D. Jurema arrumou as cadeiras para as crianças ficarem confortáveis. Depois foi se sentar na sua cadeira de balanço para dar início a uma história escolhida pelo Zezinho, quando a Lucinha perguntou:

- Nossa, por que a noite é tão escura, vovó?

- Ah! Eu vou contar para vocês:

Deus criou o Dia e a Noite. Para o Dia ele deu a claridade, para isso criou o sol, mas para a Noite, coitada, ficou a escuridão.
Certa vez, quando o Dia estava indo embora, ele se encontrou com a Noite que vinha apressada para tomar o seu lugar. Pela primeira vez a moça Noite, encoberta com seu manto negro, estava frente a frente com aquele moço tão bonito.

- Como você é bonito. Tem tanto brilho, tanta luz... Poderia me ceder um pouquinho da sua claridade? Uma réstia, uma ínfima réstia de luz...? – perguntou a Noite.

- Por que não pede ao Criador? Talvez ele possa dar um jeito na sua situação. – aconselhou o Dia indo embora.

E a Noite tomou o seu lugar vestindo seu manto de escuridão. Desolada ela pensava:

- E se eu receber um sonoro “não”! Devo pedir? Não devo...?

Mas quando se tem um desejo, um sonho, deve-se correr atrás dele. Ficar esperando que tudo aconteça por si é perda de tempo. É necessário trabalho, dedicação e muita fé. Foi então que a Noite tomou a decisão mais acertada de toda a sua vida. Ela pediu. Pediu com tanta fé que Deus, lá nas alturas onde ele vive, ouviu a voz chorosa da Noite. Ele olhou para baixo e viu que o pedido era justo. Se um é tão claro, por que o outro tem de ser tão escuro? E o Senhor pensou:

- Não posso torná-la igual ao Dia porque cada um tem uma função diferente, porém posso amenizar a sua escuridão.

E sua voz potente ecoou no espaço sideral:

- Faça-se a Lua com sua luz que chamarei de luar! Será menos intenso que a luz do sol.  Será como um véu de ouro pálido cobrindo o planeta.

E tudo aconteceu conforme ordenou Deus. Ainda olhando para a Noite, sabendo que ela é feminina, o Senhor criou as estrelas, as constelações e os cometas, que só podem ser vistos quando o Dia desaparece, para enfeitar o véu da Noite e assim torná-la linda. E a Noite, vestida de dourado salpicado de fulgurantes diamantes, esperou a chegada do Dia para agradecer. Agradecer de todo o coração porque se não ouvisse o seu conselho ainda estaria chorando, reclamando da sua escuridão.

- A lua pode ser considerada o Sol da Noite. E quando temos tempo bom, não há coisa mais bela do que as estrelas piscando lá no alto e a Lua se banhando nas águas de rios e mares. Só temos escuridão total quando o céu está coberto pelas nuvens, ameaçando tempo ruim. – Concluiu D. Jurema, preparando-se para contar a história escolhida pelo Zezinho.

25/11/07.

(histórias que contava para o meu neto)
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 25/11/2007
Reeditado em 21/04/2011
Código do texto: T751893

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão