[Mcfly] Alguém Como Você - Capítulo 9

(...)

Kate Judd

E depois de ouvir Bill revelar seus sentimentos por nossa amiga, só pude concluir uma coisa:

- Você é um idiota! – Gritei, impaciente com as justificativas tolas dele para explicar o porquê de não ter contado a Lauren sobre seus sentimentos. Me arrependi ao ver sua expressão de tristeza. – Tá, me desculpa.

- Você está certa, Kate. Eu sou um idiota. Idiota e inseguro. Eu devia ser como o meu irmão.

- Não! – Exclamei, segurando sua mão. – Você é maravilhoso do jeito que é. Bill... – Ele me fitou. – Não dá pra ficar guardando um sentimento tão bonito aí dentro. Tudo bem que a Lauren é lerda, você mais ainda... – Minha brincadeira o fez sorrir. – Mas você tem que contar a ela.

- Sei lá. – Murmurou, receoso. – Tenho medo das coisas não serem mais como antes.

- O “não” você já tem. – Falei, apontando para minha têmpora a menção a nossa própria insegurança e medo. – Lute pelo sim.

Ele sorriu do jeito meigo e infantil que é propriamente dele.

- Obrigado, Kate. Obrigado mesmo.

- Ah, para. – Nos abraçamos apertado. – Te amo, Abílio.

- Eu também, Catarina.

A conversa durou bastante. Falamos de Lauren, depois de Marienne, recordamos algumas coisas, citamos o nome de Tom.

- Eu acho que você não deveria mais ficar com meu irmão. Sério, você e o Dougie até que enganam bem namorando. – Ri sem vontade.

- Eu não quero esquecer seu irmão. E não, eu e Dougie não enganamos bem.

- Kate. – Murmurou, revirando os olhos. – Para de orgulho.

- Não é orgulho! Dougie e eu é como se fossemos Brad Pitt e Angelina Jolie em “Sr e Sra Smith”.

- Lembrando que o casal Pitt-Jolie acabaram casados.

Foi a minha vez de revirar os olhos com bastante desprezo. Como Bill as vezes é irritante.

- Me poupe, sério.

- Dougie é meio fechadão, mas é gente boa. É como se ele tivesse mais idade do que realmente aparenta.

Poynter é um jovem ancião. Mais chato que ele, só dois dele.

- Cala a boca. Não existe eu e o Poynter... E falando nele... – Lembrei-me do loiro e suas suspeitas a respeito de Marienne e meu irmão e compartilhei com Bill. – O que você acha?

- Improvável, mas não impossível. – Olhou em seu relógio chique de pulso. – Preciso ir.

Ficamos de pé ao mesmo tempo e mais uma vez nos abraçamos.

- Obrigado por tudo.

- Não precisa agradecer. Você sabe que eu te apoio. Sempre! – Eu o levei até a porta de casa. – Tchau Bill, se cuida! E ah, qualquer coisa me liga.

- Pode deixar.

Neste meio tempo, Harry chegou em casa com um sorriso afetado no rosto. Imaginei que o motivo disso poderia ser Marienne, mas é claro que eu estava enganada.

Quando eu falo que esse meu irmão é estranho as pessoas falam que é implicância.

- Kate. – Ele disse, parando ao meu lado na porta de casa. – Dougie está vindo aqui.

- Ok. Anotado. – Fingi escrever num caderninho imaginário.

- É pra trata-lo bem, sua idiota!

- Tá, Harry. Tá. – Falei, entediada e voltei pra dentro de casa.

Um pouco mais tarde, quando o tédio já tinha me consumido por completo, resolvi assistir televisão em meu quarto. Juro que eu estava até me divertindo quando, claro, alguém entra em meu quarto pronto pra acabar com meu humilde divertimento.

E é claro que esse alguém é o Dougie Poynter.

- Que animação, hein? – Ele disse, sentando-se na MINHA cama.

- O que você estava fazendo aqui? – Perguntei, franzindo o cenho como se ele fosse um estranho. O que de fato ele é.

- Assistindo TV com a minha “namorada”. – Não acredito que Dougie Lee Poynter fez aspas na palavra “namorada” como se por acaso eu fosse... Como se... Não.

Eu o olhei furiosa. Não que isso o deixasse com medo. Claro.

- EU POR ACASO TE CONVIDEI PRA ASSISTIR TELEVISÃO COMIGO, DOUGIE?

- Eu não preciso de convite. – Revidou, arrogantemente.

- No MEU quarto, você precisa de convite pra entrar. Nem o Tom entrou nesse quarto, não vai ser você que vai entrar.

E sim, é isso mesmo. Tentei expulsa-lo do quarto. E foi ridículo pois ele não parava de rir de mim enquanto eu tentava empurra-lo para fora dali.

- Não sei do que você tanto ri! – Exclamei, beliscando suas costas e não conseguindo nada além de deliciosas gargalhadas desse ser loiro e irritante.

- De você. - Disse, me olhando de uma forma absurdamente sexy. Dougie me empurrou contra a parede. – De você e dessa sua infantilidade...

- ORA SEU FILHO DE UMA...!!!

- De você e seu plano fracassado pra conquistar aquele moleque idiota. Porque afinal, isso não está dando certo, Kate. Tá faltando alguma coisa. - Eu morro sem dizer isso em voz alta, mas Dougie está certo. Tom não está morrendo de ciúmes de mim como eu planejei. De fato, falta alguma coisa. Ele me tocou no rosto e mordeu o lábio. Foi estranho, depois se tornou acalentador. Um toque seguro. O toque que... Me fez querer mais.

- Você não tinha que estar lá embaixo esperando meu irmão? – Perguntei, tentando mudar o rumo do que parecia inevitável.

- Seu irmão me chama pra vir aqui e some... Então resolvi dar um “oi” a minha namorada. – Sorri, mas foi com bastante deboche.

- Oi, Poynter.

- Oi, Judd. – As mãos dele foram parar em minha cintura. Ele subiu e as desceu algumas vezes. Conhecendo as curvas do meu corpo, aprendendo sobre mim. – Eu sei como fazer o Tom ter ciúmes.

- Como? – Eu perguntei, resistindo ao máximo a vontade de beija-lo.

Não dá. Dougie e eu somos incompatíveis. É como se pedisse pra um animal predador ser amigo de sua presa.

- Assim...

Dougie fechou meus olhos com delicadeza. Eu soltei o ar que prendia no peito. Seu rosto estava próximo do meu, sabia disso pois conseguia ouvir sua respiração controlada. Ele então selou nossos lábios. A primeira sensação foi de cosquinha, depois meu coração disparou com tanta força que eu sabia que Dougie também ouvira.

A iniciativa foi dele, é claro. Talvez Dougie saiba que meu orgulho não me permite beija-lo por vontade própria. Seu beijo era um misto de calmaria com algo a mais... Não sei. Eu tenho várias definições pra esse “tum tum tum” que está fazendo seu coração junto ao meu. E juntos, nossos corações batiam em ritmo louco e muito descompassado.

Caímos sob minha cama. Dougie por cima de mim. Eu ri quando nossas testas se bateram por conta da ação mal calculada. Não daria nenhum galo, mas com certeza nos renderia ótimas histórias.

História... Quem diria que um dia eu e Dougie teríamos algo assim.

- Você é um idiota.

- Porque invés de me xingar, você não admite que gostou do meu beijo?

– Revirei os olhos, divertida. Gostar sim, admitir jamais. – Ah, entendi. Eu vou ter que te obrigar a fazer isso, mas de outra forma.

E novamente ele me beijou, mas não foi calmo como o anterior. Tentei me afastar, mas acabamos numa falsa guerrinha em cima da MINHA cama.

- Ai, Poynter!! – Exclamei, em cima dele, que tentava a todo custo, me puxar para outro de seus deliciosos beijos.

Se um dia me dissessem que Dougie Poynter e eu seriamos namorados e eu o deixaria ficar em minha eu com certeza internaria a pessoa.

Quando ouvi um barulho de algo caindo no chão, olhei pra porta e vi a última pessoa que eu desejaria ver no momento: Harry.

- MEU DEUS, EU NÃO ACREDITO QUE ESTOU VENDO UMA CENA DESSAS!

Tamiris Vitória
Enviado por Tamiris Vitória em 21/07/2010
Reeditado em 10/07/2022
Código do texto: T2391326
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