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Ana - CAPÍTULO2

Caminho até a praça que ficava em frente ao café, não sabia o que eu devia fazer agora. Me sentei num banco que estava próximo a mim, peguei o celular e comecei a abrir algumas mensagens. Precisava retomar a vida que eu não lembrava ter, entre as mensagens encontrei umas de Elisa. Ela parecia bem preocupada mesmo, disse a ela que eu estava bem e voltaria pro trabalho amanhã.

Fiquei ali sentada por mais um tempo até ouvir minha barriga roncar. Guardei o celular e peguei o caminho de volta pra casa, caminhei bem rápido para que ninguém ouvisse minha barriga barulhenta.

Logo que entrei em casa segui até a cozinha, largando a bolsa no sofá. Precisava comer alguma coisa, encontrei pouca coisa na geladeira. Então fiz uma omelete e comi rapidinho. Se eu quisesse retomar a vida da Ana, precisaria começar comprando comida pra essa casa e ver se tem alguma conta pra pagar.

Peguei o computador na estante da televisão e abri, não fiquei surpresa de não ter senha o celular também não tinha. Na primeira pasta tinha muitas fotos, mas não conseguia reconhecer ninguém. Abri mais uma pasta e achei o que queria todos os meus gastos, não eram muitos. Meu salário até que estava bom, precisava saber onde eu trabalhava. Enquanto procurava algo sobre o meu emprego, encontrei uma pasta com o título "casamento". E tinha fotos minha vestida de noiva e o mesmo rapaz bonito do porta retrato.

-Então eu era casada!-falei um pouco alto-O que será que houve?

Encontrei a senha do cartão, eu não tinha medo mesmo de ser roubada. Encontrei meu e-mail e fui ver se não encontrava algo útil. E achei onde eu trabalho, já anotei o endereço do trabalho e a senha do cartão. Guardei o computador e fui tomar um banho, demorei um pouco no chuveiro estava tão bom. Depois de meia hora no banho me enrolei na toalha e fui pro quarto. Ainda estava uma bagunça, vesti uma camisola que estava na porta do guarda roupa. Me cobri com o edredom e logo o sono chegou.

Quando acordei ainda eram seis horas, me arrumei rapidinho e fui lavar meu rosto. Encarei a Ana do espelho por alguns segundos, enquanto ela escovava os dentes.

-Você precisa se encontrar.-disse a mim mesma.

Fui até a sala pegar minhas coisas, guardei o computador na bolsa. E sai de casa trancando a porta, fui até a cafeteria de ontem. E a mesma moça me atendeu, pedi o cappuccino de chocolate e umas rosquinhas que eu vi logo que entrei. Não demorou muito pra ela me trazer, acabei com meu pedido em poucos minutos.

-Algo mais?- me perguntou quando viu que minha caneca estava vazia.

-Não, obrigada! Estava uma maravilha.- elogiei enquanto dava o dinheiro pra ela.

Ela me entregou o troco com um belo sorriso, me agradeceu e logo voltou ao seu trabalho. Sai do café e fui direto até um ponto de ônibus, não precisei esperar muito. Levou vinte minutos até a loja, logo que cheguei alguém me chamou.

-Ana,- me virei e dei de cara com a Elisa, a reconheci pela foto do contato no meu celular. -pensei que tinha acontecido algo com você. Por que faltou o trabalho?

E agora o que devo dizer a ela, que eu acordei sem lembrar de mim. Lógico que não, ela pegou a chave na bolsa e abriu a porta me dando espaço pra entrar. Ela entrou logo depois de mim e foi até o fundo da loja acendendo as luzes, tem muitos móveis antigos. E é tudo muito aconchegante, me faz ter vontade de morar aqui.

-Vamos logo que temos bastante trabalho pela frente.- Elisa disse indo pra traz do balcão -Não vai me dizer o que aconteceu?

-Não houve nada, estou bem.- menti -O que eu perdi?

-Nada de muito importante.- disse me olhando de cima a baixo -Que milagre é esse? Calça jeans?

-Estava com pressa- me justifique, o que será que eu vestia antes? -Podemos almoçar depois?

-Podemos sim.- falou enquanto arrumava alguns vasos.

Conforme as horas foram passando fui pegando o jeito, tivemos poucos clientes de acordo com a Elisa. Vendemos algumas peças que eram um tanto caras. Assim que deu meio-dia Elisa me guiou até o lado de fora da loja em seguida fechou a porta. Andamos até um restaurante na esquina, Elisa pediu o prato do dia e eu pedi o mesmo.

-Achei que ainda estivesse de dieta- ela constatou.

-Sobre isso.- tomei coragem, precisava de alguém do meu lado -Eu não sei como te contar.

-Contar o que?- perguntou me olhando nos olhos.

-Ontem eu acordei sem lembrar da minha vida. -falei, mas sem olhar nos seus olhos -De nada. Nem meu nome eu lembrava.

-Você já foi ao médico Ana?- me disse com um tom de pena.

-Ainda não. Precisava contar a alguém que talvez pudesse me ajudar a lembrar de algo.- disse -Você pode, não é?

-Só quem pode te ajudar é um médico. Você precisa ir ainda hoje, se quiser eu posso te acompanhar.- Ela terminou de falar assim que trouxeram nosso pedido.

-Eu vou marcar, mas precisa me ajudar a lembrar de alguma coisa. Depois disso eu vou ao médico.- disse a ela.

-Tá bom Ana. Mas agora coma que temos que voltar para a loja.- falou já começando a comer. Fiz o mesmo.

Elisa insistiu para pagar meu almoço até que eu aceitasse, seguimos caminhando até a loja em silêncio. E a tarde terminou assim, nem uma de nós falamos sobre minha falta de memória. Tivemos mais alguns clientes mas ninguém levou nada dessa vez. As cinco horas Elisa me liberou, peguei minha bolsa e fui até o ponto de ônibus.

Quando cheguei em casa fui até a cozinha fazer uma lista de compras, precisava de comida para sobreviver. A lista ficou um pouco longa, até parece que eu não comia antes. Peguei minha carteira e o pedaço de papel, fui até o mercado que eu tinha visto quando voltava pra casa.

Não demorou muito pra que eu comprasse tudo da lista, passei o cartão no caixa e sai do mercado com bastante sacolas. No caminho achei até que ia perder os braços, pois as compras estavam bem pesadas. Para abrir a porta foi bem difícil, guardei as compras rapidinho por que estava com bastante fome e louca pra tomar um banho quente.

Fiz um estrogonofe que foi a única coisa que pensei, comi bem rápido já que estava com muita fome. Depois de limpar a cozinha fui tomar um banho quente, vesti um pijama branco que encontrei no guarda roupa.

Nati Menezes
Enviado por Nati Menezes em 30/08/2019
Código do texto: T6733369
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Sobre a autora
Nati Menezes
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 20 anos
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