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ERA UMA VEZ... (II CAPÍTULO)

As manhãs de verão, em Vali Oãs Cricosfan, são sempre deslumbrantes.
Às margens do Rio Abapiar, sentada em sua banqueta alcochoada, sob a copa do imenso ingazeiro, uma senhorinha tece, cuidadosa, uma manta colorida! Um ruido alegre, repleto de sons diferentes, inunda o espaço às margens do rio.
Como aves barulhentas, numa revoada festiva, as crianças cercam a tecelã. Um garotinho sardento, de cabelos cor do por-do-sol se aproxima, e  olha a senhora, sorrindo. É Rafael, o mais serelepe da turma.

_____Conta uma história vovó, conta. Conta aquela, sobre a fundação de Vali Oãs Cricosfan. Conta tudo...

______ É uma longa história, Rafael! Tem certeza de querer ouvir ? E os seus amiguinhos, também querem ouví-la?

Todas as crianças acenam com a cabeça, afirmativamente.

______Claro que queremos vovó! É muito interessante!

As crianças riem contentes, na expectativa de ouvir sua contadora de histórias favorita, contando como aquele pedacinho do Paraíso nasceu. E a vovó começa a narrativa épica da história de Vali Oãs Cricosfan.

_______ Era uma vez um garoto que nasceu numa fazenda por nome Adaf Anhirdam. Seus pais, Manoel Plácido e Palmira, ainda noivos, viajaram para conhecer uma extensa faixa de terra, às margens do grande Rio Abapiar. Queriam, antes de se casar, construir um lar aconchegante e próspero, quem sabe  numa pequena fazenda. Era projeto dos dois viverem em um lugar onde seus filhos pudessem nascer, crescer e viver felizes, em liberdade! A terra era fértil e bonita, mais parecendo um vale encantado, escondida entre as serras Atnas Atram e Atnas Airam, encravada no Vale de Oãs Olgonça, às margens do majestoso Rio Apabiar, no estado de Saagola, no país Lasbri. Foi ali que nasceu o menino, o terceiro filho do casal, ao qual deram o nome de Benjamim.

______Vovó, a história de Vali Oãs Cricosfan é a história de Benjamim?

_______E de muitas outras pessoas. Mas, retornando... Benjamim e seus irmãos mais velhos que eram - um menino, por nome Gerôncio e uma menina, por nome Celeste. O garoto, segundo seus pais, era muito diferente dos irmãos, visto que enquanto o irmão mais velho gostava de trabalhar no armazém, ajudando o pai e a menina brincava o dia inteiro, se enfeitando e enfeitando suas bonecas, ele, o caçula, desde cedo, desenvolveu um grande amor por livros, plantas e animais, com os quais passava as melhores horas do dia!

_______Benjamim é dos meus. Só não gosto de fazer isso o tempo todo!

______A fazenda foi se transformando, ao longo dos anos. Primeiro, foi pouso temporário e depois morada fixa de vários trabalhadores. E assim, Adaf Anhirdam, foi crescendo e se desenvolvendo,  ao ponto de ser considerada uma Vila. Ao ser elevada a categoria de Vila recebeu o nome de  Vali  Oãs Cricosfan. Na época, contava com uma capelinha, onde os moradores se reuniam todos os dias, pela manhã e a tarde, para agradecer pelo dia que começava e findava. E aos domingos, para assistir a Santa Missa.
Um pequeno, mas organizado Grupo Escolar, que também servia de Centro Comunitário para reuniões. Uma padaria e confeitaria. A Pousada Beija-flor... a antiga construção que funcionava como Casa de Pouco, onde os viajantes de passagem pela vila, pernoitavam. E uma pequena Farmácia-Primeiros Socorros.
Certo domingo, ao soar a segunda chamada para a missa, os habitantes da pequena vila escutaram um barulho estranho e correram para verificar sua origem. Um helicóptero voava muito baixo, envolto numa nuvem de fumaça. Em questão de segundos, chocou-se com uma das serras que ladeavam a vila. Caiu com grande barulho, incendiando-se em seguida. A perícia chegou ao local, constatando que as duas pessoas que viajavam na aeronave estavam carbonizadas.
Depois de um certo tempo, apareceu, na vila, uma menina que dizia não lembrar seu nome, de onde vinha e nem quem era sua familia.
Era magrinha e sardenta. Os olhos cor de mel, muito grandes, pareciam os olhos de um animalzinho assustado. Seus cabelos avermelhados e crespos, davam ao seu rosto uma aparência irreal. A pequena criatura aparentava ter a idade de Benjamim, seis ou sete anos, no máximo.
Pedia esmolas e vez por outra praticava pequenos furtos no armazém dos pais de Benjamim. Foi daí que, a pedido de dona Palmira, mãe de Benjamim, a menina foi acolhida por dona Manuelita, uma senhorinha rechonchuda e muito simpática, dona e administradora da Pousada Beija-flor. A única coisa que se sabia da menina é que vivera nos "canaviais do Sul", cortando cana. Daí, resolveram chamá-la Sulina. O nome pegou.
Quanto a Benjamim, cresceu e foi mandado para a capital do estado, para continuar seus estudos, tendo em vista que na vila, fora sua próprio mãe, dona Palmaria, quem alfabetizara seus filhos e os filhos dos moradores.
Na época Sulina já era o braço direito de dona Manuelita, cuidando com esmero da Pousada Beija-flor. Dividindo o trabalho com Coralia, a neta de dona Manuelita.

A vovó pára de contar a história, deixando as crianças inquietas. Clarissa não se contém.

______... e?

______E o quê?

______Acabou?

______Claro que não sua tonta. Não acabou não, não é vovó?

A artesã responde sorrindo.

______Não, mas já é hora de voltarmos para casa. Garanto que a Mariana nos preparou um delicioso almoço. Além do mais... não dá pra contar toda a história de Vali Oãs Cricofan, em uma manhã apenas. Já falei que é uma longa história.

______Podemos combinar vir todas as manhãs, com a senhora. Aí, enquanto tece sua manta, aproveita para nos contar sobre Vali Oãs Cricofan e seus habitantes.

______Boa idéia! O que a senhora acha vovó?

______Por mim, tudo bem. Contanto que não seja todos os dias e sim, todas as manhãs de sábado, certo?

______Ebaaaa... bom, agora vamos para casa. Vamos ajudar a vovó com seus objetos!

O restante do dia transcorre de forma costumeira. Cada criança cuida das tarefas sob sua responsabilidade.  Ali, no Abrigo Saint Germain.
Adda nari Sussuarana
Enviado por Adda nari Sussuarana em 30/10/2019
Código do texto: T6783396
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Adda nari Sussuarana
Maceió - Alagoas - Brasil, 66 anos
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Adda nari Sussuarana