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A Cidade dos Corvos - A Ascensão do Trono : Cap 3 : " Faça um Pedido."

-O que está pensando em fazer Jenny?, será que eu sou o único que usa o cérebro aqui? - Falou Fábio perplexo.

-Ué não, eu também uso. E outra, sabemos que o Tom tem a ligação com o outro mundo, se é que podemos chamar assim né?! - Falou Jenny me olhando.

-Desse jeito você pode chamar também,. ou então…….- Fábio me interrompeu.

- Ei!! Ela quer te jogar no lago!..... Será que você ainda não entendeu? - falou Fábio indignado - Será que tem algo ai dentro dessa cabeça? - e bateu dando batidas na minha cabeça.

-Para cara!  - exclamei e desviei da mão dele -  Todos nós entendemos perfeitamente…..mas pensa….não vou conseguir fazer nada na vida se eu não resolver isso primeiro, vou enlouquecer com essas vozes gritando dentro da minha cabeça, e fora que, Betto corre perigo! acho que Jenny só quer ajudar Fábio. - Falei olhando firme para ele.

-Ou então te ama tanto que quer te matar cara. Falou Fábio olhando para ela e Jenny corou.

-Todos nós amamos o Tom, não somente…...eu. - falou Jenny na defensiva.

-E você Bart o que você pensa sobre isso? - Perguntou fábio se virado para Bart., que até agora tinha permanecido em silêncio e só ouvindo.

Bart arregalou os olhos, talvez tenha ficado surpreso por ter sido chamado na conversa, e engolindo a seco disse :

- Deixa eu pensar…...Jenny quer jogar Tom no lago para ele parar de bancar o doido? - Perguntou Bart se virando para Jenny e a Mim .


Jenny e eu concordamos.

Bart prosseguiu :

- porém, todos nós sabemos que Tom morreu ( Literalmente ), quando ele caiu naquele lago doido, e quase ficou por lá. - falou Bart Concluindo - Ou seja, isso é loucura! mas mesmo sendo, Tom vai acabar fazendo isso sozinho, porque quando esse garoto enfia algo na cabeça, nem por chocolate ele tira. - falou Bart.

- Então , significa que …….. - Falou Fábio.

- Que Tom foi e voltou, e possivelmente Tom vai e vai voltar, certo? - Falou Bart com receio.

- Claro que vou voltar, conheço Ravens City com a palma da minha mão. - Falei sorrindo.
- Cara…...Você quem sabe….. mas o que dirá para a sua mãe? - falou Fábio.

Puts…..não havia pensado na minha mãe.
 

-Não direi nada, vocês vão me acobertar, eu vou e volto, nem dará tempo. E ainda mais, não penso nisso, penso em ir e resolver as coisas. - Falei sendo muito sincero.

- Como você vai fazer isso? - Perguntou Jenny curiosa.

- Você tem algum corda? - perguntei me esquecendo de onde eu estava.

Jenny me olhou cética, e  não respondeu, quem respondeu foi Bart:

-  Cara estamos na Fazenda, óbvio que tem corda. - falou Bart me olhando.

Eu assenti com a cabeça e Jenny saiu do quarto, e trouxe na mão uma corda grossa e firme, eu olhei para corda e para ela e ela disse:

- Vamos? - e abriu um sorriso de criança levada.

Eu assenti.

A mãe de Jenny gritou pelo o nome dela, e levamos o maior susto,descemos as escadas e Jenny guardou a corda na estante próxima da saída, apesar de ser em uma fazenda, a casa era bem grande, na casa, havia uma mesa com o bolo enorme  e com as bexigas por todo o canto, Cerveja e Refrigerante por toda a mesa, e os diversos doces em formato do número 13. A mãe de Jenny bateu palma e disse a ela:

- Vamos cantar Parabéns?! - falou ela toda empolgada.

A mãe de Jenny era como ela fisicamente, cabelos ruivos, sardinhas no rosto, e bem magra e alta, os cabelos estavam presos com um rabo de cavalo, dentes brilhantes e toda animada, já o seu pai, era bem diferente, com os olhos claros, careca e barrigudo, estava mais no canto da sala, e certamente não queria aparecer muito, e  tinha um óculos quadrado no rosto, daqueles bem de nerd’s, Até hoje me pergunto o que o Sr Hills viu na Sra Hills, são tão diferentes um do outro. Jenny assim que sua mãe fez o convite, correu para atrás da mesa, seu pai apagou a luz, e os convidados começaram a bater foto, tinha mais adultos do que crianças, e então , Sra Hills ascendeu as velhinhas, e começou a cantoria. Nessa hora, o meu cérebro parou de funcionar, tudo ficou em câmera lenta, mas que porcaria, quero comer o brigadeiro!....Minha visão ficou turva, mas ninguém percebeu, meu nariz começou a sangrar, e eu senti algo me tocando nos ombros, quando eu virei, não era ninguém. As vozes começaram na minha cabeça, e eu sabia que era hora de voltar, chega com essa tortura.
Eu saí da casa, e ninguém falou nada, nem ninguém mesmo percebeu, quando eu abri a porta, eu respirei aliviado, parecia que o ar estava entrando nos meus pulmões, mas as vozes permaneciam lá, e eu ainda estava me sentindo sufocado, como se eu sentisse toda a pressão no meu corpo. Foi então, que por puro instinto, corri para o lago, a canção acabou, e todos estavam batendo palmas, eu olhei para trás, e pulei , eu senti as águas me puxando, senti a mudança climática , do quentinho do clima de verão, ao gelo extremo do lago. a água estava calma, tranquila,  as bolhas de água entrando no meu corpo, e eu só pensei : Estou morrendo…..Agora…..vou morrer. Fechei os olhos, e de repente, senti que eu estava sendo puxado da água, e o ar voltou aos meus pulmões , e eu suspirei aliviado e profundamente .
Eu senti o chão, e respirei o ar puxando totalmente para o meus pulmões, e eu sabia que eu estava de volta, eu estava de volta, eu tinha voltado, eu sabia como era agora, a sensação era idêntica a primeira vez, e eu estava aliviado, como se um peso saísse do meu ombro, a minha mente estava leve, e o meu coração também, as vozes tinham sumido, agora, eu estava novinho em folha.
Eu abri os meus olhos, e vi o céu cinza, meu coração acelerou, seja lá o que houver dessa vez, eu estava grato por poder retornar, retornar a minha casa. Levantei o tronco, fiquei sentado, e quando olhei para o lado, eu a vi , eu vi a cabana e abri um largo sorriso , era a cada de Betto, do jeito que eu havia planejado, certamente ele estava lá dentro, xingando a Tv, e eu pularia fora para a minha realidade e  nem perderia a festa toda e conseguiria comer o bolo de prestígio que a mãe de Jenny fizera em minha homenagem. Molhado, fui caminhando em direção a entrada de Betto, e quando me aproximei, ouvi vozes lá, não a de Betto, mas a de varias pessoas que falavam abertamente.

“ Esse não é a voz de Betto e nem da Tv “ - eu pensei.

“ Quem está aí dentro? “ - falei temeroso e o meu coração acelerou.

Eu coloquei a mão no bolso, mas obviamente, a minha espada não estava no bolso.

Droga!!!!!! Deixei em casa.

Olhei para o lado, e vi um pedaço de madeira, e instintivamente eu peguei, e ergui e bati na porta, as vozes se aquietaram, mas não vieram abrir a porta , eu respirei fundo, e bati novamente, seja lá quem estiver aí dentro, vai ter que sair. Mais silêncio. E quando eu fui colocar a mão na maçaneta, eu ouvi passos se aproximando, e no susto, a porta se abriu. E eu a vi, apontando para mim, bem na minha cabeça, e eu arregalei os olhos assustado, mas com o pedaço de madeira na mão.
Thatty Santos
Enviado por Thatty Santos em 31/01/2020
Código do texto: T6855192
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Sobre a autora
Thatty Santos
Praia Grande - São Paulo - Brasil
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