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Capítulo 11 – Felinos? Não reconhecerás
 

Depois de uma semana e meia morando comigo, Lana retornou ao seu apartamento. Na despedida, os dois tomaram cuidado para não expor o que realmente queriam, que era continuar com aquela experiência. Ela se foi e não prometeu se voltaria ou quando voltaria, mas disse que se eu piorasse, era para ligar. Retomei a minha rotina com muito trabalho, reuniões e novas parcerias. Numa dessas noites que precisei voltar para casa mais tarde, encontrei uma criaturinha felina em cima do meu carro no estacionamento do trabalho. Era uma gata amarela e branca, com imensos olhos verdes e uma curiosidade no olhar. Devia ter uns 2 anos, pois não era muito grande.

- Era só o que faltava mesmo. – Me aproximei, meio receoso. Nunca lidei com gatos antes. – Hã... Eu preciso ir embora gatinha, que tal você simplesmente seguir seu rumo hein?

Abri a porta do carro e liguei o motor para ver se a assustava. Bom, não a assustou e ela ainda entrou pela janela, deitando no banco. A gata miou, encostando a cabeça na minha mão.

Tirei meu celular do bolso da calça e disquei o número de Lana.

“Não me diga que já está mal de novo.”

- Boa noite para você também.

“Oi, Ander.” – Senti que ela sorria. “Como você está?”

- Estou bem e você?

“Estou bem também. Ainda no trabalho?”

- Sim. Estou aqui no estacionamento. Uma gata invadiu meu carro e eu não consigo fazê-la ir embora.

“Bom... E nem vai. Dizem que quando um gato aparece assim e se recusa a ir embora é porquê escolheu o humano para ser seu dono.”

- Eu não posso criar um gato, aliás, uma gata.

“Sinto muito.”

- Ajudou muito!

“Olha, eu gosto do nome Dinorá”

- Você quer que eu a chame de Dinorá? Qual é a parte do...

“Ai, para de ser reclamão! Eu te ajudo a cuidar dela se você a chamar de Dinorá.”

- Tá bom, você venceu!

“Como sempre, não?”

- Cala a boca.
 
No começo foi muito difícil me acostumar com Dinorá. Ela era uma criatura curiosa e brincalhona, mas também muito ciumenta, exceto com Lana. Ela se apegou a Lana com muita facilidade, o que não aconteceu com Gabi, por exemplo. Era engraçada a nossa convivência. Eu conversava e ela me respondia com sonoros e gentis miados. Se eu chegava estressado do trabalho, me esperava deitar e fazia massagens com suas patinhas. Depois de algumas semanas não conseguia imaginar uma vida sem Dinorá.

Como nossos horários de trabalho eram diferenciados, fiz uma cópia da chave de casa para Lana e a encarreguei de ver se a moradora de 4 patas estava bem e alimentada durante os dias.

- Boa noite! – Entrei no apartamento e encontrei Lana brincando com Dinorá no tapete. – Eu disse boa noite!

- Boa noite, Ander!

A felina pulou do colo de Lana e encostou a cabeça na minha perna, toda cheia de charme. Lana sorriu, maternal.

- Você está muito mãezona. – Me sentei no sofá e Dinorá rapidamente se ajeitou nas minhas pernas. Lana revirou os olhos e se ajeitou ao nosso lado. – Como estão?

- Estou bem! E Dinorá fora uma aventura ou outra também está! Se comportou muito bem! – Lana fez carinho nas orelhinhas felpudas. – E você? Como foi o trabalho.

- Corrido como sempre. Sexta-feira teremos uma social.

- Um monte de engomadinho de Publicidade numa social... – A ouvi comentar, debochada. – Isso não me parece coisa boa.

- Olha quem fala, a garota do Marketing Digital. Vocês nos renegam, mas somos todos um só. – Lana fez uma expressão de nojo. – Quer ir comigo? – Ela franziu o cenho. – Como amigos, Hassenback...

- Ah!

Eu ignorei seu sorrisinho tendencioso.

- Claro, se você não tiver nada com o Bruno nesse dia.

- Ele está no Rio... – Seu olhar agora era distante. – Volta daqui uns dias.

- E então?

- Aceito! Acho que vai ser legal.
Tamiris Vitória
Enviado por Tamiris Vitória em 05/01/2021
Código do texto: T7152849
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Sobre a autora
Tamiris Vitória
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
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Tamiris Vitória