TEXTO BASEADO NA CANÇÃO "SANGRE ESPAÑOLA" *

*Sangre Española

(Manolo Tena)

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BREVE COMENTÁRIO (TÂNIA)

Quanto uma “caracola” pode encerrar! A existência, o amor, o mar, o Universo. Tantos vivem procurando preencher vazios e não sabem ser possível preenchê-los. Nesse mundo representado nos versos da canção SANGRE ESPAÑOLA por uma “caracola” vive-se a felicidade. Para que isto aconteça é preciso ser abençoado com uma alma poética. Não necessariamente escrever poesia, mas senti-la â semelhança de uma febre forte e constante. E nessa brasa arder e morrer de gozo pleno e da sensação de infinitude. Bendita “caracola”, de nada mais carece a não ser de sua bagagem de plenitudes. Esse animal, tal qual metaforizado na canção, é uma espécie de bênção e iluminação. A letra da composição fala de um amor que só se vê completo e equilibrado em função da presença do ser amado. A “caracola” é a casa de dois únicos habitantes: o ser amante e o ser amado. Continente e conteúdo. E é nesse ambiente onde se percebe que a liberdade nada mais é que se estar preso, enlaçado a alguém amado. O amor se transforma em uma cadeia desejada, cultivada. Sou uma “caracola” por livre e espontânea vontade, mesmo sendo o ser amado uma construção lírica, translúcida, surreal, suprema. Digamos mais ainda, platônica. Sim, platônica a quero, pois realizada perderia a graça, a divindade e a marca eterna. Sou uma “caracola” e vive em mim alguém que eu criei, fala a minha língua, pensa em uníssono, tem um relógio biológico do qual tanto sou quanto de mim é o compasso. E que, ao mesmo ritmo, caminha comigo de mãos dadas e dança a mais bela música do movimento da essência daquilo que faz valer a pena estar vivo.