MORENA

Morena do olho de vidro

do peito franzino

do corpo ásperto toda vida.

Morena das anáguas puídas,

do canto surrado,

do cheiro bandido,

do gozo estalado,

dos remendos desafinados,

das calhas rasgadas,

dos passos sem rima.

Morena da voz suada

dos beijos trincados

da mão agreste,

do grito bastardo,

das poças de lama em flor.

Morena da cama enjaulada,

das feras desfraldadas,

dos copos grávidos cheios gim.

Morena das fuligens sem alforria

do pecado esbelto

da lama vaginada ardendo de tesão.

Morena das vértebras enxarcadas

dos tombos mortos,

do sangue saindo pelo ladrão.

Morena dos pelos aflitos

dos meses expulsos do ano

do fogo feito língua de Arlequim.

Morena entrincheirada no peito caído

saindo da ressaca como vigário louco

sendo tudo que sempre quis.

Morena que agora está longe

parindo outros rebentos que nunca serão mais meus

fazendo troça da minha saudade, toda ela.

Morena que agora desafina meus pecados

faz de mim um lixo nojento qualquer

leva meu corpo para um repouso que nunca mais terei.

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Oscar Silbiger
Enviado por Oscar Silbiger em 16/12/2011
Reeditado em 16/12/2011
Código do texto: T3392331
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