CAIXA PRETA

...

Estava na vitrine daquele "esquema",

Nada combinado, mas foi assim...

Se passei por aquele dilema

É que na última cena só sobrou pra mim...

Só que eu sou do tempo da vergonha na cara

E o pau-de-arara sempre tem um fim...

Ao sair ileso de uma fita dessa,

Quem vive só com pressa pisa mais devagar.

Agora sou perito em campo minado

E pilantra folgado comigo não vai andar...

Mas se empunha mesmo a nossa bandeira,

Eu mesmo puxo a cadeira pra gente cavaquear....

Eu aprendi a não dar boi pra sem vergonha

Que tira onda do sonho que a gente sonha...

O acidente, aquela treta...

Somente a caixa preta pra nos explicar!

Ele veio c'aquela cara de pamonha,

Muito louco e pôs a culpa na maconha...

Vai com o balde de boldo

O fone do Padre Haroldo pr'ele se tratar...

Para o bem da rapaziada,

A despesa da parada avisa que eu vou pagar...

Com a cachola cansada de treta,

Fui na caixa preta onde tudo fica...

Estourei o segredo, abri a maleta...

Bandola, viola e uma velha cuíca...

Instrumentos há tempos guardados,

Num lugar sagrado, atrás do bambuzal...

A parada que eu via quando era ainda menino...

Pandeiro genuíno de couro animal.

Instintivamente no ouvido guardado...

Decodifiquei, juntei ao arsenal...

Fina linhagem dos velhos partideiros:

Trejeito verdadeiro lá do meu quintal!

FAIXA 02 DO CD A RIMA NUA E CRUA DA RUA QUE É MINHA E SUA

áudio: http://www.recantodasletras.com.br/audios/cancoes/48123

E/ou no link direto aqui nessa mesma página...

Paulino Neves
Enviado por Paulino Neves em 20/04/2012
Reeditado em 20/04/2012
Código do texto: T3623054
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