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"Trem da Discórdia"

Trem da Discórdia

O galo nem cantou,
Mas eu já estou de pé,
Com o pé na condução:

O relógio não pára
O trem dispara
Com fé no Afeganistão.

E quanto mais eu corro
Mais eu morro
Mais eu corro
Mais eu morro
Mais...


No trem, eu sou mais um,
Amaldiçoado, suado,
Sonolento babão:

Na mão : coragem,
Um dedo na engrenagem,
Com sangue e com sabão.

E quanto menos braço
Mais eu faço
Mais eu faço
Mais eu faço
Mais...

No corpo, o afeto ,
Da graxa e dos insetos,
Das traças e do vagão.

E uma dama fria
Na noite vazia
Aquece meu coração.

E quanto mais eu me dano
Mais eu amo
Mais eu amo
Mais eu amo
Mais...

Caminho à esmo
Procurando por mim mesmo
Nos bares, na escuridão

O copo treme
O corpo geme
Com fé e sem direção.

E quanto mais eu me estrago
Mais eu trago
Mais eu trago
Mais eu trago
Mais...

Invento uma cantoria
Lento levo para o dia
Um alento bom

Me crio no desatino
Canto e desafino
Com fé e fora do tom.

Quanto maior o pranto
Mais eu canto
Mais eu canto
Mais eu canto
Mais...

Volto abatido
Com o peito ferido
De inútil paixão

A noite morre
E eu de porre
De pé e sem feijão

E quanto mais eu espero
Mais eu quero
Mais eu quero
Mais eu quero
Até...
Zeca Devebec
Enviado por Zeca Devebec em 31/08/2007
Código do texto: T632602

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Sobre o autor
Zeca Devebec
São Paulo - São Paulo - Brasil
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